O que os cães podem comer além da ração?

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Ração é um alimento completo, mas os cães podem comer outras coisas além dela. E outras, não.

Os tutores responsáveis encontram dezenas de opções de ração para alimentar os seus pets.  Produtos de qualidade fornecem todos os nutrientes para manter os cães saudáveis, saciados e “energizados”. Mesmo assim, é possível oferecer outras coisas para eles comerem, inclusive como mimos e recompensas.

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Não é necessário fornecer suplementos para animais saudáveis, mesmo os filhotes e os idosos. A exceção fica por conta dos cães atletas, que podem necessitar de uma cota extra de alguns nutrientes, como cálcio, potássio e forte. Confira o que os cães podem comer além de ração – e alguns itens que devem ficar longe do cardápio dos pets.

O que os cães podem comer

Alimentos complementares

Tutores que querem oferecer maior variedade para os pets podem oferecer alguns alimentos, mas é preciso ter em mente que eles são complementares, isto é, não satisfazem integralmente todas as necessidades nutricionais dos pets.

São produtos que melhoram o sabor e o aroma dos pratos servidos para os cães e agregam alguns nutrientes, como vitaminas e sais minerais importantes para o desenvolvimento físico, a recuperação em casos de trauma ou doença, etc.

Todos os alimentos apresentados a seguir, quando cozidos, não devem receber nenhum tipo de tempero. O sal de cozinha (cloreto de sódio) é prejudicial à saúde, por prejudicar o equilíbrio hídrico do organismo.

Óleos vegetais agregam gordura às refeições e devem ser usados com muita parcimônia ou evitados no caso de cães com pouca atividade física. Pimentas e mentolados (como a hortelã) quase sempre são rejeitados pelo paladar dos cachorros.

As especiarias – orégano, manjericão, sálvia, salsinha desidratada, etc. – podem ser usadas para salpicar na ração ou nos alimentos preparados em casa. Elas realçam o sabor e estimulam o olfato, além de fornecer alguns micronutrientes.

Proteínas animais

Você pode preparar carnes para o seu cachorro, mas, se a ideia for substituir a ração (mesmo que em apenas uma refeição), é necessário complementá-las com algum tipo de carboidrato (arroz, por exemplo) e vegetais, porque os cães não são exclusivamente carnívoros.

Na natureza, os lobos (ancestrais dos cães) procuram algumas raízes, folhas, brotos e frutas para equilibrar a dieta. Os vegetais são excelente fonte de fibras, aumentam o bolo fecal e retardam a digestão, prolongando a sensação de saciedade.

Opte sempre por cortes magros. No caso de carne bovina, use músculo, fraldinha, ponta de agulha ou pescoço. O lombo de porco tem pouca gordura intersticial (entre as fibras musculares).

Frango (e outras aves) sem pele e sem ossos e filés de peixe também podem ser oferecidos. Cordeiro e cabrito apresentam sabor adocicado e quase sempre são ignorados pelos cães, mas é possível fazer uma experiência: afinal, nem sempre estas carnes comparecem à nossa mesa.

Em uma refeição, a proporção é de 70% de proteína animal e o restante de carboidratos e vegetais. As carnes podem ser substituídas por uma ou duas colheres de sopa de iogurte (desnatado e sem adição de sabores, como mel ou frutas) ou ovos.

Um ovo de galinha fornece metade da necessidade diária de proteínas para cães de porte médio ou grande. Os pequenos devem receber apenas metade. Sirva cozido ou mexido (nunca cru, nem frito).

O iogurte e o ovo também podem ser misturados à ração, para incrementar o sabor. Lembre-se de que qualquer alteração na dieta precisa ser feita aos poucos, com os novos alimentos sendo introduzidos gradualmente. Do contrário, podem surgir problemas gastrointestinais, como vômitos, flatulência e diarreia.

A feira dos cachorros

Os vegetais devem ser encarados sempre como suplementos. Não é possível tornar um cão vegetariano, a menos que o tutor adquira rações formuladas com proteínas vegetais (é muito difícil alcançar o balanço ideal em casa).

O ideal é acostumar os pets a comer frutas, legumes e verduras desde filhotes; todos eles são boas fontes de fibras e ajudam a regularizar as funções do intestino: os nutrientes são mais bem absorvidos e o cocô fica mais duro e seco. Despreze os talos, cascas e sementes.

Os animais adultos quase sempre resistem a mudanças na dieta, mas é possível convencê-los a aceitar alguns pedaços. De qualquer forma, se o cachorro rejeitar algum tipo de alimento, não insista e troque a receita.

O arroz pode ser oferecido para os pets apenas nas receitas de comida caseira. O arroz branco é pobre em nutrientes: uma xícara de chá fornece menos de 5 g de proteínas, mas mais de 40 g de carboidratos – que se transformarão em gordura, caso o pet não se exercite o suficiente para queimar estas calorias.

Frutas não ácidas podem ser oferecidas diariamente, nos intervalos entre as refeições principais. Na comida caseira, a abóbora é uma excelente opção. Servidas cruas, os cães podem receber maçã, pera, morango, banana, goiaba, melão, manga, kiwi, mamão e melancia.

Banana e cenoura, aliás, podem ser usadas no treinamento dos pets, como recompensa pelas “boas ações” dos cachorros – não latir muito, fazer as necessidades no lugar certo, não pular nas visitas, etc. Ofereça os alimentos crus, em pedaços. A cenoura pode ser servida com a casca.

Os vegetais verde-escuros, como brócolis, espinafre e couve, oferecem proteínas vegetais de boa qualidade. Elas não são absorvidas pelo organismo na totalidade, mas são um bom coadjuvante para a nutrição. Estes vegetais também fornecem ferro, zinco e potássio.

O chuchu, considerado sem gosto pela maioria dos humanos, é uma boa opção para os filhotes e para os adultos diagnosticados com anemia. O legume fornece boas quantidade de ferro e vitamina B2, que estimulam a produção de glóbulos vermelhos, e de zinco e cobre, que melhoram a absorção do ferro.

Os alimentos proibidos para cachorros

Batatas e tomates devem ser cozidos e misturados à ração ou à comida caseira. Nunca ofereça estes vegetais verdes, porque eles apresentam alguns alcaloides prejudiciais, que podem provocar diarreias e flatulência. Estas substâncias desaparecem com a maturação.

Os cachorros nunca podem comer:

  • chocolate – a teobromina presente no doce provoca alterações no sistema nervoso central (SNC) dos pets, podendo gerar convulsões e tremores. Também provoca alergias e afeta o coração, levando a taquicardias, arritmias e aumento da pressão arterial. No médio prazo, o chocolate causa lesões no fígado;
  • café e outras bebidas cafeinadas – a cafeína também afeta o SNC, sendo responsável por agitação, ansiedade, tremores, taquicardias, vômitos e, nos cães predispostos, crises epiléticas. A intoxicação por café ou chá preto, verde ou branco é uma emergência médica;
  • alho e cebola – os dois temperos são fontes de alicina, que, nos cães (e também nos gatos), destrói os glóbulos vermelhos e prejudica a oferta de oxigênio para as células, ajudando a desenvolver anemia hemolítica;
  • oleaginosas – a macadâmia representa o maior perigo para os pets, por provocar transtornos neurológicos graves, que vão da fraqueza muscular até a incapacidade de locomoção. Nozes e amêndoas são relativamente seguras, mas são indigestas. O pistache e a noz-pecã também podem ser oferecidos, mas cuidado com as frutas mofadas. A castanha-de-caju, em excesso, facilita a obesidade e danifica o pâncreas. A castanha-do-pará também é contraindicada, pelo excesso de gorduras;
  • uvas – ainda não foram descobertos os motivos, mas as uvas (mesmo as passas) provocam intoxicações com graves transtornos gastrointestinais. Vômitos e diarreias podem deixar os cachorros desidratados;
  • abacate – a persina presente na fruta, apesar de inofensiva para os humanos, provoca diarreias graves nos cachorros, sendo potencialmente fatal.

Os pets não devem receber frutas com sementes. Além de os pequenos poderem se engasgar com os caroços, eles apresentam substâncias tóxicas para todos os cachorros, com consequências que também podem ser fatais.

Muitos cachorros desenvolvem intolerância à lactose a partir dos três meses, quando, em condições normais, tem início o desmame. Você pode oferecer um pouco de leite, mas fique atento à reação orgânica.

Além de diarreias e vômitos, o alimento potencializa as alergias. Nunca ofereça manteiga, creme ou queijos, especialmente os amarelos: são alimentos extremamente gordurosos e induzem ao ganho de peso.

A manteiga de amendoim, ao contrário, é bem-vinda na dieta dos cachorros. Fonte de proteínas, vitaminas B e C, normalmente agrada ao paladar dos pets. Se possível, faça em casa, para evitar os aditivos artificiais. Basta processar grãos de amendoim torrados (sem sal, nem gordura) até que eles comecem a liberar o óleo natural. Sirva com moderação (uma colher de café, duas ou três vezes por semana, é suficiente para um cão pequeno) e limpe os dentes do pet depois do lanche.

Cachorros podem consumir açúcar, desde que venha de fontes naturais, como a frutose e a lactose. O açúcar refinado prejudica os dentes e compromete o funcionamento do sistema digestório. Além disso, o sabor é pouco e percebido pelos pets – a cara de pidão que eles fazem é apenas para poder dividir algo com os tutores.

Por outro lado, o mel pode ser oferecido para os cães – e muitos deles adoram. É também uma proteína de origem animal e fonte de diversas vitaminas e minerais. O mel é um bom auxiliar no tratamento de alergias e má digestão, mas não deve ser oferecido aos filhotes, porque pode conter esporos do botulismo e o sistema imunológico dos bebês ainda não está preparado para combater este transtorno.

Uma colher de chá de mel pode ser dada para o pet lamber, diluída em água morna ou misturada à ração para melhorar o sabor. Não exagere na dose e higienize a boca depois do lanchinho, porque a consistência do mel facilita que ele permaneça na boca.

De volta às rações

É possível escolher bons produtos nas pet shops, para garantir a saúde e qualidade de vida dos pets. A exceção fica por conta de marcas conhecidas e muito baratas, que quase sempre são formuladas com ingredientes de segunda linha.

Evite também, sempre que possível, as rações reembaladas pelos lojistas, a menos que você tenha total confiança na procedência e na eficiência do manuseio. Muitas pet shops oferecem rações “top de linha” em embalagens menores – os lojistas fracionam fardos de 20 kg em pacotes de 1 kg ou 2 kg.

O grande problema é que não é possível saber como a ração foi manipulada. O alimento exposto por mais de três horas perde qualidade, crocância, aroma e sabor. Além disso, eventuais pragas – ratos, formigas e baratas, por exemplo – podem “circular” nos pacotes abertos, comprometendo a higiene e pondo em risco a saúde dos pets.

As rações são assim classificadas:

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  • linha de combate – níveis nutricionais mínimos, ingredientes de baixo custo e a chamada “formulação variável”, isto é, a substituição de alguns ingredientes em falta por outros sem as mesmas características;
  • premium – níveis nutricionais superiores, mais saborosos e com maior controle da matéria-prima e das condições de produção. Os produtos mantêm a “formulação variável” e, em muitos casos, empregam corantes e aromas artificiais;
  • super premium – matéria-prima selecionada, tecnologia de produção moderna, suplementos nutricionais que favorecem a qualidade de vida dos pets, alta digestibilidade, sem aditivos artificiais. Existem produtos específicos de acordo com as características dos pets (idade, condições de saúde, etc.). São as mais caras.