Pitbull: saiba tudo sobre a raça

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Desenvolvido nos EUA, o pitbull é um cão muito polêmico. Saiba tudo sobre esta raça.

Ele tem fama de bravo – e alguns realmente são. O pitbull – mais exatamente, american pit bull terrier – é provavelmente a raça canina mais discriminada do mundo. Por exemplo, centenas de milhares de cães são exterminados nos EUA, todos os anos.

O cenário vem mudando nas últimas décadas, felizmente. Criadores responsáveis vêm selecionando os exemplares mais dóceis e amigáveis nos cruzamentos, esterilizando os animais agressivos, para garantir o desenvolvimento da raça pitbull.

Mesmo assim, ainda há um longo caminho a ser percorrido: a Federação Cinológica Internacional (FCI), entidade máxima do registro de cães no mundo, ainda não reconhece o pitbull, em função da pretensa violência destes cães.

No Brasil, a Confederação Brasileira de Cinologia (CBKC) publica o padrão oficial da raça regularmente, mas mantém a classificação do pitbull no Grupo 11, que reúne os cães não reconhecidos pela FCI.

Mesmo nos EUA, o pitbull gera polêmica: o UKC (United Kennel Club) reconhece oficialmente a raça, mas o AKC (American Kennel Club), principal associação cinológica do país, registrou o pitbull apenas em 1974, mas com outro nome: american staffordshire terrier.

O amstaff, como é conhecido, é considerado uma remodelagem do pitbull, reconhecida pela FCI em 1996. A diferença básica entre as raças é que, tendo sido criado como cão de companhia, o amstaff é mais brando e às vezes intolerante com outros cães, enquanto o pitbull é mais agitado e pode se mostrar arredio.

O pitbull foi reconhecido como raça canina independente em 1898, pelo UKC, e em 1909, pela American Dog Breeders Association. Diversos clubes de cães americanos publicam padrões da raça, com pequenas variações.

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Internacionalmente, o pitbull é aceito pela Allianz Canine Worldwide, International Canine Kennel Club e World Kennel Union. No Brasil, os primeiros exemplares chegaram ao Rio Grande do Sul, no início dos anos 1970, e ao Rio de Janeiro, dez anos depois.

Um macho red nose de nome Playboy, sem pedigree, chegou a São Paulo em 1986. Ele é considerado ancestral da linhagem Canchin, muito valorizada a partir da década de 1990. Atualmente, os criadores têm se preocupado mais com a procedência dos animais e a pureza dos plantéis. O padrão válido da raça foi publicado pela CBKC em 2008.

Um pouco de história do pitbull

O pitbull é um cão de porte médio do tipo terrier, grupo de cães desenvolvidos, inicialmente na Inglaterra e Escócia, para a caça de presas de pequeno porte. Estes cães são corajosos e persistentes, dotados de personalidade forte e cheia de energia.

A raça, desenvolvida nos EUA a partir do século 19, descende diretamente o bull and terrier inglês (já extinto), uma raça resultante do cruzamento entre antigos buldogues e antigos terriers ingleses. O bull and terrier foi criado para caça e combate nos chamados “esportes sangrentos”.

Alguns pesquisadores, no entanto, consideram que o pitbull é exatamente o mesmo antigo buldogue inglês, que perdeu a popularidade na Inglaterra quando as rinhas de luta entre cães foram proibidas pelo Parlamento, em 1835. Alguns cães teriam sido levados aos EUA, dando origem à nova raça.

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O nome da raça já revela os motivos pelos quais ela foi criada: “pit” significa “fosso” e era o local em que os cães combatiam (entre si e com animais de outros espécies, como ursos); “bull” quer dizer “touro”.

Conta a lenda que o bull baiting (combate a touros) surgiu no início do século 13, quando um nobre inglês soltou o seu cachorro contra dois touros, que disputavam a mesma fêmea. O cachorro derrubou um dos machos e afugentou o outro.

O esporte se tornou ainda mais popular no período da rainha Anne (1702-1707), quando ocorriam duas lutas semanais em Londres, no Hockley in The Hole, um estabelecimento no centro da capital inglesa.

Mesmo com a proibição, em 1835, os “esportes sangrentos” ainda se mantiveram populares na Inglaterra e Escócia. Nos bull baitings, os combates mais populares, os touros ficavam amarrados por uma corda longa no centro de uma arena e os cães tentavam mordê-los, enquanto tentavam evitar coices e chifradas. A luta terminava quando um cão conseguia imobilizar o touro (pela orelha ou pelo nariz).

As grandes arenas, no entanto, não podiam ser instaladas. Por isso, surgiram as rinhas (lutas entre dois ou mais cães) e os badger baitings (lutas com texugos). As rinhas eram mais fáceis de serem camufladas e escondidas das autoridades.

Os antigos buldogues foram os primeiros lutadores. Para conseguir animais mais ágeis, eles foram cruzados com antigos terriers. Os filhotes, chamados “bull and terrier”, eram extremamente fortes, mais ágeis e com grande resistência física.

Nas lutas, os bull and terriers demonstravam força, resistência, alta tolerância à dor, bravura, afeição e muito apego aos donos. Entre 1845 e 1850, uma crise econômica sem precedentes, no entanto, levou muitos ingleses, escoceses e irlandeses a migrar para os EUA. Alguns bull and terriers foram levados na bagagem.

Os cães europeus recém-chegados foram empregados na proteção contra animais selvagens, na caça a javalis, na proteção do gado e, principalmente, nas lutas. Estes cães deram origem ao pitbull, reconhecido como raça americana em 1898, pelo UKC, fundado nesse mesmo ano.

Os cães reconhecidos oficialmente progressivamente se especializaram nas rinhas. Nos anos 1920 e 1930, os esportes sangrentos se tornaram muito populares nos EUA. Foram organizadas competições locais, regionais e nacionais.

Apenas na década de 1970, as lutas entre cães foram finalmente proibidas nos EUA. O pitbull, no entanto, se mostrou um bom atleta, participando com sucesso em competições e exposições de obediência, faro, agility, schutzhund (verificação da aptidão para atividades policiais), tração, mergulho e pit gameness (competições de saltos, escaladas verticais e tração).

O padrão da raça pitbull

Aparência geral

O american pit bull terrier é um cachorro de porte médio que apresenta construção sólida, pelagem curta e musculatura muito bem definida. Os cães da raça exibem uma aparência poderosa e atlética.

O corpo do pitbull é ligeiramente mais comprido do que alto (as fêmeas podem ser um pouco mais longas). O comprimento das pernas dianteiras (da ponta do cotovelo ao solo) é aproximadamente igual à altura do cão medida na cernelha.

A cabeça do pitbull apresenta comprimento médio, com crânio chato e focinho largo e profundo. As orelhas são de tamanho pequeno para médio, com inserção alta. A cauda é curta, de inserção baixa, grossa na base, afilando em direção à ponta.

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O pitbull pode exibir todas as cores e marcações na pelagem, com exceção do merle. Os cães da raça devem conjugar resistência e atletismo com graça e agilidade: não devem parecer desajeitados nem pernalta; a musculatura não pode parecer saliente, os ossos não são finos nem leves.

A principal característica funcional da raça é a capacidade de ser um cão de captura, que pode controlar a derrubar a presa (empurrar e puxar), respirando com facilidade enquanto executa o seu trabalho. Equilíbrio e harmonia de todas as partes são componentes essenciais na avaliação do pitbull.

Faltas específicas muito graves – qualquer característica desproporcional exagerada, como pernas curtas, osso excessivo, cabeça ou tronco volumosos, que interfira nas suas habilidades para o trabalho.

Características – um american pit bull terrier é um cão alegre, confiante e forte. Estes cães gostam de agradar os tutores e são muito entusiastas. O pitbull é um excelente cão de companhia, notável pelo amor dedicado às crianças.

A maioria destes cães mostra agressividade em relação a outros animais, característica herdada nos tempos de combate, que, aliada ao seu porte físico poderoso, exige sociabilização e adestramento em obediência.

A agilidade natural dos cães da raça os torna excelentes escaladores – e eles usam esta habilidade, coadjuvada pelos dentes caninos potentes – para pular cercas com facilidade.

O pitbull não é um bom cão de guarda, por ser extremamente sociável com humanos, mesmo desconhecidos. O comportamento agressivo em relação a humanos não é característico da raça e, portanto, é totalmente indesejável.

Os cães da raça se dão muito bem em eventos de desempenho, em função do seu alto grau de inteligência e da sua vontade incansável de trabalhar.

Cabeça – o crânio é largo, plano ou levemente arredondado, profundo e largo entre as orelhas. Visto de cima, o crânio vai afilando em direção ao stop. Um sulco mediano profundo vai diminuindo de profundidade do stop ao occipital.

Os músculos das bochechas são proeminentes, sem revelar rugas, mas, quando o pitbull está concentrado, formam-se rugas na testa, que lhe garante uma expressão singular.

O focinho é largo, profundo, com um afilamento suave o stop à trufa e com ligeira separação debaixo dos olhos. O focinho é mais curto do que o comprimento do crânio, na proporção aproximada de 2:3.

A linha superior do focinho é reta. A mandíbula é poderosa, bem desenvolvida, larga e profunda. Os lábios são secos e bem ajustados.

O pitbull apresenta dentição completa (42 dentes), com dentes nivelados e brancos. A mordedura é em tesoura. A trufa, que pode ser de qualquer cor, é grande, com narinas largas e bem abertas. Pitbulls costumam ser classificados pelos criadores como “red nose” e “black nose” (nariz vermelho e preto).

Os olhos são de tamanho médio, redondos ou amendoados, inseridos bem afastados e profundos no crânio. Todas as cores são aceitas, exceto olhos azuis. A terceira pálpebra não deve ser aparente.

As orelhas apresentam inserção alta, podendo ser ou não operadas (mas a conchectomia estética é proibida no Brasil). As orelhas naturais preferidas são com formato em rosa ou semieretas. Orelhas muito largas, pontiagudas ou achatadas (deitadas no crânio) não são desejáveis.

Faltas específicas – cabeça excessivamente larga ou pesada, focinho pontudo, comissuras labiais pendentes, mordedura em torquês e mandíbula fraca.

Um focinho muito curto, que prejudique a capacidade respiratória, é considerado uma falta séria.

São consideradas faltas graves: olhos esbugalhados ou azuis, heterocromia (olhos de cores diferentes), prognatismo ou enognatismo (maxilar muito à frente da mandíbula), torção de mandíbula e falta de dentes, a menos que haja comprovação de que tenham sido retirados por um veterinário.

Pescoço – musculoso, de comprimento moderado. Aparenta uma ligeira curvatura ou arco na crista. O pescoço se alarga gradualmente conforme desce do crânio para os ombros, que são bem angulados. A pele no pescoço é bem ajustada, sem formar barbelas.

Barbelas, pescoço muito fino e “pescoço de ovelha” (deslocamento para frente da escápula, fazendo a cernelha parecer estar dentro do pescoço) são faltas sérias. Um pescoço muito curto e grosseiro, que interfira nas habilidades do pitbull, é uma falta muito séria.

Tronco – o peito é profundo, cheio e moderadamente largo, para suportar a elevada frequência cardiorrespiratória do pitbull, mas não deve ser mais largo do que profundo. O antepeito não se estende muito além das extremidades dos ombros.

As costelas se estendem bem para trás; partindo da coluna vertebral, apresentam bom arqueamento, afilando-se gradualmente para formar um corpo fundo, estendendo-se até os cotovelos.

O dorso é firme e forte. A linha superior, larga e musculosa, é quase nivelada, levemente descendente da cernelha para a garupa. O lombo é curto e musculoso, arqueando levemente em direção ao topo da garupa, mas é mais estreito do que a caixa torácica e apresenta esgalgamento moderado. A garupa é ligeiramente inclinada para baixo.

Faltas específicas muito sérias – conformação corporal muito maciça, a ponto de atrapalhar as habilidades funcionais do pitbull.

Membros anteriores – as escápulas são longas, largas, musculosas e bem inclinadas. O tamanho do úmero é quase igual ao da escápula, com a qual se liga em um ângulo reto aparente. As pernas dianteiras são fortes e musculosas.

Os cotovelos se ajustam bem ao corpo. Vistas de frente, as pernas dianteiras ficam moderadamente afastadas, perpendiculares ao solo. Os metacarpos são curtos, poderosos, retos e flexíveis. Quando vistos de perfil, os metacarpos parecem quase na vertical.

Faltas – ombros retos ou sobrecarregados, cotovelos virados para fora ou para dentro, metacarpos cedidos ou virados para fora, pernas dianteiras arqueadas, pisadas viradas para dentro ou para fora. Pernas mais curtas do que a metade da altura na cernelha são muito mal avaliadas pelos árbitros.

Membros posteriores – são fortes, musculosos e moderadamente largos. Nas laterais da cauda, as coxas são bem cheias e profundas, da pelve ao períneo (escrotos ou vulva). A angulação dos ossos e a musculatura dos membros posteriores devem estar em harmonia com os anteriores.

As coxas são bem desenvolvidas, com músculos espessos e bem definidos. Os jarretes, vistos de perfil, são bem angulados e os membros posteriores precisam apresentar boa angulação, sempre perpendiculares ao solo. Vistos por trás, os jarretes são retos e paralelos entre si.

Faltas específicas – membros posteriores estreitos, pouco profundos da pelve à região inguinal (virilha); falta de musculatura; articulação do joelho reta ou muito angulada; jarretes de vaca (desaprumo em “X” dos posteriores); jarretes em foice (abdômen não expandido, obrigando o cão a flexionar os jarretes para sustentar o tronco); pernas arqueadas.

Patas – são redondas e em proporção com o tamanho do pitbull. Devem ser bem arqueadas e ajustadas. Os coxins plantares são resistentes, duros e bem acolchoados. Os ergôs podem ser removidos.

Falta específica – patas espalmadas.

Cauda – inserida em uma extensão natural da linha superior, vai se afilando em direção à ponta. Quando o cão está relaxado, é portada baixa, quase alcançando a ponta dos jarretes. Quando o pitbull está em movimento, a cauda fica nivelada com a linha superior.

Quando o cão está excitado, pode portar a “cauda de desafio” (em posição ereta), mas nunca a “cauda alegre” (portada sobre o dorso).

Faltas específicas – cauda muito longa, com a ponta abaixo dos jarretes. São faltas graves: “cauda alegre” e presença de dobras ou quebras na cauda. A cauda amputada é motivo para desqualificação em competições oficiais.

Movimentação – o pitbull se move de maneira confiante e vivaz, dando impressão de que está sempre pronto para descobrir coisas novas e diferentes. Quando trota, não demonstra esforço: o trote é poderoso, suave e bem coordenado, com bom alcance dos membros anteriores e boa propulsão dos posteriores.

Em movimento, o dorso do pitbull permanece nivelado, apresenta leve flexão que indica elasticidade. Visas de qualquer lado, as pernas não se viram para dentro nem para fora; as patas não se cruzam nem interferem umas nas outras. À medida que a velocidade aumenta, as patas tendem a convergir para uma linha central de balanço e equilíbrio.

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Faltas específicas – pernas que se movem no mesmo plano; pernas com superalcance (como as dos galgos); cruzamento das pernas anteriores com as posteriores, pernas se movendo juntas ou se tocando; movimentação bamboleante; passo de camelo (movimentação revezando as pernas da direita e da esquerda); flexão excessiva das munhecas; passo em hackney (elevação excessiva da caixa torácica, acima da linha dos cotovelos); movimentação com dificuldade.

Pelagem – os pelos do pitbull são brilhantes e lisos, deitados sobre o corpo e moderadamente ásperos ao toque. A pelagem não pode ser crespa, ondulada nem rala. O pelo longo é motivo de desqualificação.

O pitbull pode apresentar qualquer cor, em qualquer combinação ou distribuição. A única pelagem não permitida, também motivo de desqualificação, é o merle (marmorizado, que apresenta pelagem salpicada sobre um fundo sólido, como o sal-e-pimenta).

Altura e peso – o pitbull deve ser ao mesmo tempo poderoso e ágil. O peso e a altura são menos importantes do que a proporção entre essas medidas. O peso ideal para um macho vai de 35 a 60 libras (15,87 kg a 27,21 kg) e, para as fêmeas, de 30 a 50 libras (13,6 kg a 22,67 kg).

Mesmo assim, os animais acima do peso não penalizados, a não ser que sejam pernaltas ou desproporcionalmente pesados. Um cão grande ou pesado em excesso quase nunca obtém boas avaliações dos árbitros.

Faltas – além das faltas específicas relacionadas, quaisquer desvios nos termos do padrão oficial são considerados e penalizados de acordo com a gravidade e os efeitos sobre a saúde e o bem-estar do cão. Além disso, são consideradas faltas desqualificantes:

  • criptorquidismo ou monorquidismo (um testículo ou ambos alojados no abdômen, fora do saco escrotal);
  • agressividade ou timidez excessiva;
  • surdez de um ouvido ou de ambos;
  • pelo longo;
  • cauda cortada ou ausência de cauda;
  • albinismo;
  • cor merle.

A saúde do pitbull

O pitbull é um cão rústico, que geralmente goza de uma saúde excelente. Com vacinação e vermifugação em dia, ao lado de consultas regulares com o veterinário, ele dificilmente fica seriamente doente.

Uma das doenças relativamente frequentes entre os cães da raça está a sarna dermodécica, uma dermatite com ascendentes genéticos. Trata-se de uma enfermidade parasitária, causada pela proliferação descontrolada de ácaros da espécie Dermodex canis, que se alojam naturalmente no interior dos folículos pilosos (a raiz dos pelos), mesmo em cães saudáveis.

A transmissão da sarna dermodécica, também conhecida como sarna negra e dermodicose, ocorre nos primeiros dias de vida, através do contato direto com a mãe infestada, mas a manifestação da doença está associada a deficiências no sistema imunológico.

Os principais sintomas são a perda de peso (em áreas localizadas), vermelhidão na pele seguida por escurecimento e seborreia (descamação da pele). O diagnóstico é obtido através de exames clínicos e laboratoriais. Este tipo de sarna é congênito, não transmissível para outros animais.

A dermatite piotraumática é uma infecção bacteriana na camada mais superficial da pele. A doença é uma ocorrência secundária de traumas autoinfligidos, como o ato de se coçar demais ou lamber e morder excessivamente as patas.

Alguns pitbulls podem sofrer com este tipo de dermatite. Geralmente, o problema é causado por falta de exercícios físicos e/ou de companhia. Os cachorros ficam entediados e desenvolvem comportamentos autodestrutivos – é como se eles mordessem as patas ou a cauda “simplesmente por não terem mais nada para fazer”.

Sendo um problema comportamental, é necessário identificar e remover os motivos das autoagressões, enquanto a infecção é tratada com antibióticos de largo espectro. O tratamento medicamentoso dura de dez a 15 dias.

Os filhotes de pitbull são particularmente sensíveis à parvovirose, infecção viral que compromete o sistema digestório. Os parvovírus conseguem se manter viáveis durante meses fora do organismo canino, em roupas, tigelas, brinquedos, etc.

Em muitos casos, a parvovirose é fatal. Felizmente, a doença é prevenida com a vacinação (os veterinários podem indicar as vacinas múltiplas V8, V10 ou V11, de acordo com as condições do animal e o local de moradia). As vacinas precisam ser renovadas anualmente e os ambientes por onde o pitbull transita devem estar sempre higienizados, apesar de os cães adultos serem mais resistentes ao vírus.

A displasia coxofemoral é frequente entre os pitbulls. Apesar de ser uma doença mais comum entre cães de grande porte, ela é uma anomalia genética da raça, determinada pela má formação dos ossos que constituem o quadril e as coxas.

Embora seja hereditária, a displasia coxofemoral é agravada pelas condições em que o cachorro vive: pisos lisos e escorregadios favorecem as complicações, assim como a obesidade. E, apesar de o pitbull ser um cão atlético, o excesso de exercícios físicos também pode acelerar o desenvolvimento da doença.

Algumas linhagens de pitbulls são portadoras de doenças genéticas recessivas. É o caso do hipotireoidismo, lábio leporino, ictiose, alergias atópicas e algumas outras. Criadores responsáveis estão identificando os portadores destas condições e impedindo os cruzamentos, para evitar a disseminação.

Os cuidados com os pitbulls

O pitbull deve ser adotado por tutores responsáveis, que não estimulem os comportamentos agressivos deste cão – que, de resto, podem ser identificados em qualquer cachorro. A raça foi banida em diversos países em função da pretensa violência.

No Brasil, muitas cidades exigem que estes animais sejam mantidos isolados ou, pelo menos, usem focinheira e guia curta ao transitarem por espaços públicos. Antes de adotar um cão da raça, é preciso verificar a legislação local, para adquirir os acessórios necessários.

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Os cães tendem a refletir a personalidade dos tutores – e isto inclui alguns distúrbios emocionais. Pessoas que sofrem de ansiedade, depressão ou transtorno bipolar, por exemplo, espelharão estas dificuldades no pitbull, que se tornará mais instável e imprevisível.

O pitbull é um cachorro inquieto e muito ativo. Ele deve ser educado desde filhote para aprender os comandos básicos e entender os limites. Os tutores precisam estar preparados para um cão agitado e atlético, com muita energia para gastar.

Atividades físicas são fundamentais. O pitbull gosta de corrida, escalada, natação, gamedog, tração e até agility, apesar de não ser muito sociável com outros cães. Estes animais precisam de exercícios por mais de uma hora diária, tanto na infância quanto na vida adulta.

As rações ideais para os cães da raça são as que oferecem maior teor de proteínas. Os filhotes crescem muito rápido e podem necessitar de suplementos de cálcio, fósforo e potássio para um bom desenvolvimento dos ossos, músculos e articulações.

Preço do filhote do pitbull

Um filhote de pitbull custa em média entre R$ 600 e R$ 3.500. O preço varia bastante, em função das características dos pais e ancestrais: filhotes de cães da raça pitbull premiados são sempre mais caros.