Cachorra leal para o trânsito para buscar ajuda para seu humano que está ferido

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Para socorrer o tutor, uma cachorra enfrentou carros no trânsito em busca de ajuda

Guápiles é uma cidade de 36 mil habitantes na Província de Limón, no interior da Costa Rica. Tipicamente rural e tranquila, a capital do Distrito de Pococí foi agitada por uma cachorra, que enfrentou carros na estrada que leva à cidade. A agitação tinha um bom motivo: o tutor da cachorra havia sofrido um mal súbito e precisava de socorro. 

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Chiquita – este é o nome da cachorra – viveu momentos dramáticos, procurando chamar a atenção dos motoristas que trafegavam pela rodovia. Ela corria de um carro para outro, exibindo sinais inequívocos de que a situação era urgente. Ela latia sem parar, mas ninguém conseguia entender os motivos de tanta afobação e insistência. 

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CRÉDITOS: MILAGRO MUÑOZ ARAYA

Dom Jorge e Chiquita 

Quem registrou esta história foi uma passageira de um dos carros que circulava no local. Milagro Muñoz Araya é veterinária e estava seguindo pelo trabalho, acompanhada do marido. A médica percebeu imediatamente que a movimentação de Chiquita era muito atípica e pediu para o marido parar o carro. 

Mais tarde, a Dra. Milagro declarou à imprensa local: 

“Quando a vi correndo de um lado para o outro de um jeito muito nervoso, imaginei que a cachorra estava tentando nos contar alguma coisa. Então, eu e meu marido paramos o carro para entender o que acontecia.” 

O casal seguiu a cachorrinha por alguns metros, até encontrar o motivo da preocupação: Dom Jorge, o tutor de Chiquita, estava caído no chão. A cachorra foi imediatamente até ele e lançava olhares para Milagro e o marido, na esperança de que eles pudessem oferecer algum tipo de ajuda. 

Não se sabe ao certo o que aconteceu com o homem. Algumas testemunhas disseram que ele estava embriagado e levou um tombo quando voltava para casa. Outras pessoas, no entanto, afirmaram que o homem, um sem-teto conhecido na região, tem problemas de locomoção e apenas perdeu o equilíbrio. 

Cachorra leal para o trânsito para buscar ajuda para seu humano que está ferido
CRÉDITOS: MILAGRO MUÑOZ ARAYA

Estivesse sóbrio ou embriagado, Dom Jorge ocupava todas as atenções de Chiquita naquele momento. Sem emitir nenhum tipo de juízo, ela queria apenas que alguém ajudasse a tirar o amigo do meio da rua, onde ele poderia ter sido atropelado. 

Milagro rapidamente chamou o serviço de emergências médicas, enquanto o marido tentava sinalizar o lugar para desviar o trânsito e evitar um acidente de maiores proporções. Em poucos minutos, uma ambulância chegou ao local da queda. 

Os paramédicos imobilizaram Dom Jorge e estavam se preparando para conduzi-lo ao hospital de Guápiles, quando perceberam que havia uma acompanhante para o paciente: Chiquita havia saltado para dentro da ambulância e não dava mostras de que iria deixar o tutor sozinho em um momento tão delicado. 

Dom Jorge e Chiquita ficaram alguns dias no hospital, até que o costa-riquenho teve alta. Enquanto permaneceu acamado, a cachorra foi alimentada e cuidada por moradores da região. A Dra. Milagro continuava acompanhando o caso e, ao saber que dom Jorge havia recebido alta, decidiu fazer uma visita à dupla. 

Cachorra leal para o trânsito para buscar ajuda para seu humano que está ferido
CRÉDITOS: MILAGRO MUÑOZ ARAYA

A veterinária ficou surpresa quando encontrou a “casa” de Dom Jorge e Chiquita. Eles viviam em um terreno baldio, abrigados na carroceria de uma van abandonada. A cadela, nobre e devotada ao tutor, era uma sem-teto. 

A Dra. Milagro sentiu que deveria fazer alguma coisa. Ela prontificou-se a ajudar o que fosse possível. Chiquita foi encaminhada ao hospital em que a veterinária trabalha, passou por consultas e exames, foi esterilizada, vermifugada e vacinada. A cachorra é saudável e poderá continuar cuidando do tutor por muito tempo. 

A veterinária declarou à imprensa: “Acredito ser muito importante que as pessoas conheçam esse tipo de história, para que se tornem conscientes de que os cachorros sofrem, sendo que eles são muito bons. Estão muitas vezes indefesos, têm um grande coração e muitas vezes precisam da nossa ajuda”. 

Um exemplo dolorido 

Dom Jorge e Chiquita vivem em um terreno público, em condições desumanas. A situação dos dois é desesperadora. O homem tem um problema na perna, que o impede de caminhar. Alguns vizinhos ajudam com alimentos e medicamentos. 

Muitos que cruzam o caminho de Dom Jorge e Chiquita conseguem enxergar apenas “um cachorro pulguento e um homem que não para em pé de tanto beber”, uma vez que o tutor realmente tem problemas para manter o equilíbrio. Há muito mais para ser visto, no entanto. São dois seres que dividem o pouco que encontram, se apoiando mutuamente. 

A humanidade ainda tem muito a aprender com os maltrapilhos que passam pelos caminhos. 

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