Cães de pequeno porte

Os “pequenos notáveis” são a preferência de muitos criadores. Veja as características de alguns cães de pequeno porte.

Gosto não se discute, diz o ditado. Enquanto alguns criadores torcem o nariz para os cães de pequeno porte e sempre exaltam as qualidades dos cães grandes, muitas pessoas preferem adotar os pequenos, seja por falta de espaço (são várias as raças que se adaptam facilmente a quitinetes, por exemplo), seja por encará-los como bebês, seja por admirar as raças.

É importante dizer: cães de pequeno porte não são bebês, nem devem ser tratados como tal. A maioria das raças pequenas foi desenvolvida porque fazendeiros e mineiros europeus e asiáticos precisavam de “cães de toca” e “cães de roça”.

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Os motivos de existir cães de pequeno porte

Um dos mais conhecidos “cachorros de madame”, o yorkshire terrier, teve papel importante na Revolução Industrial, perseguindo roedores nas galerias das minas e facilitando a extração do carvão necessário para movimentar máquinas industriais, navios e trens a vapor, algumas das inacreditáveis inovações do século XIX.

Cães de toca já eram utilizados há séculos na Europa e Ásia (posteriormente, também na América, especialmente EUA e Canadá), para localizar e desentocar coelhos, lebres e texugos escondidos, por exemplo. Os cães de roça, ágeis e capazes de entrar em praticamente qualquer lugar, eram úteis para afastar pragas dos cultivos, especialmente de hortaliças e outras plantas rasteiras.

Hoje em dia, algumas raças ainda desenvolvem atividades de guarda e alerta. É o caso, por exemplo, do chihuahua, pinscher miniatura, spitz e terrier tibetano. O corgi (cardigan e pembroke) até hoje desempenham atividades de boiadeiros. Como animais de companhia, os corgi pembroke são mais populares.

Com este “histórico profissional”, antes de adotar cães de pequeno porte, é preciso ter em vista que, mesmo que eles não necessitem de um quintal, são animais que gostam de se exercitar – algumas raças, de forma bastante intensa.

O beagle

É uma raça popular no mundo inteiro. O beagle, o menor dos sabujos britânicos (e o preferido da rainha Elizabeth I), foi um dos cães mais empregados na caça à raposa, esporte popular na Grã-Bretanha, atualmente proibido por lei.

O temperamento de um beagle é bastante equilibrado. Em geral, ele não é agressivo, tímido, nem covarde. É um cão que gosta de explorar ambientes e, por isto, sempre que possível, é necessário levá-lo a um parque ou campo onde possa caminhar livremente.

O ambiente preferido dos beagles: a mata.

O ambiente preferido dos beagles: a mata.

Os beagles são ágeis, sociáveis e brincalhões. Gostam muito de saltar e latir – era com latidos que eles indicavam a localização da presa. Por isto, talvez não sejam cães para apartamentos, uma vez que podem perturbar a tranquilidade dos vizinhos.

A raça está entre o porte pequeno e médio (alguns cães atingem 40 centímetros na altura da cernelha). Antes de adquirir um beagle, visite o canil e observe os pais, não apenas na estatura, mas também em relação ao comportamento.

O jack russell

Esta é outra raça bastante empregada na caça à raposa. O jack russell terrier também caçou lebres e coelhos, mas hoje está adaptado às características de cão de companhia. Estes cães são extremamente agitados e necessitam de muita atividade física, para “queimar as energias”.

Apesar de não passar de 25 centímetros na altura da cernelha, engana-se quem imagina que um jack russell terrier possa se adaptar com facilidade a ambientes pequenos e à inatividade. Extremamente ágil, ele percorre grandes distâncias em poucos minutos e parece ser incansável. Humanos mais “mansos” precisam pensar duas vezes antes de adotar um cão da raça.

Jack russell terrier, uma verdadeira explosão de energia.

Jack russell terrier, uma verdadeira explosão de energia.

Outra característica importante: um jack russell pode se mostrar muito teimoso e, por isto, não é indicado para pessoas de personalidade dócil: o dono precisa de pulso firme para educar este companheiro. Vencido este primeiro obstáculo, porém, “jack” se mostra extremamente devotado à família toda.

O ideal é criar um jack russell terrier em casas térreas, para que ele possa divertir-se no quintal. Outro ponto fundamental é que os cães da raça não gostam de ficar sozinhos. A família ideal, para eles, é composta de diversas pessoas (e também outros animais de estimação), para que ele possa fazer um “rodízio” de brincadeiras.

O bichon frisé

A raça vem cada vez mais conquistando a simpatia dos brasileiros. Muito confundido com o poodle, o bichon frisé é mais indicado para quem quer um cão para adestrar, já que os poodles se especializaram tanto que ainda não parecem interessados em conquistar novas habilidades.

São cães que se adaptam facilmente a diversos climas, podendo ser adotados por moradores de regiões quentes ou frias. De qualquer forma, os bichon frisé devem ser mantidos em ambientes internos – eles não se prestam a nenhuma atividade de guarda.

Amigo da família inteira, um bichon frisé é ideal para pequenos ambientes.

Amigo da família inteira, um bichon frisé é ideal para pequenos ambientes.

Os ancestrais do bichon frisé são nativos de Tenerife, uma das ilhas Canárias (Espanha). No século XIV, marinheiros italianos trouxeram alguns indivíduos para o continente, onde logo se tornaram os prediletos da nobreza. Algumas décadas depois, invasores franceses “sequestraram” alguns cães. Na França, a raça adquiriu as características atuais.

Alegre, brincalhão e muito festeiro, o bichon frisé logo caiu nas graças de criadores do mundo todo. Ele é amigo da família toda, relaciona-se bem com outros pets e não se incomoda com a presença de estranhos, desde que seja acostumado desde filhote. Apesar de toda a agitação, o bichon frisé late pouco e requer apenas passeios curtos para manter a forma física.

O lhasa apso

É raro que um cão da raça ultrapasse os nove quilos. O lhasa apso é, efetivamente, um legítimo representante dos cães de pequeno porte. as principais características destes cães são: o apego ao dono (eles costumam eleger um membro da família para dedicar maior atenção) e a tolerância ao frio. Os lhasa também são indicados para quem já tem outros cães de estimação.

A raça é nativa do Tibete, onde desempenhou papel importante nas crenças budistas. Acreditava-se que o espírito dos lamas penetrava os cachorrinhos depois da morte e, por isto, os cãezinhos sempre foram muito bem tratados nos mosteiros.

Surgido no Himalaia, o lhasa apso conquistou o mundo com o seu temperamento.

Surgido no Himalaia, o lhasa apso conquistou o mundo com o seu temperamento.

Outra característica: estes cães assumiram funções de guarda, na proteção de aldeias e pagodes. Isto lhes garantiu um pseudônimo: “cão-leão sentinela que late”. Os lhasa apso informavam os monges sobre a presença de visitantes com muitos latidos, características que carregam até hoje.

Apesar de pequenos, os lhasa apso podem dar bastante trabalho: a pelagem longa e fina exige cuidados diários de escovação, para que não se formem nós, que prejudicam o aspecto estético dos cães. Retirar estes nós é ainda mais difícil quando os pelos estão úmidos; portanto, antes dos banhos, é necessário desembaraçar toda a pelagem.

O spitz anão

Também conhecido como lulu da Pomerânia, este é essencialmente um cão de companhia, mas pode atuar como um verdadeiro sistema de alarme, especialmente em residências coabitadas por cães de maior porte. A audição do spitz anão é extremamente apurada e, em uma “matilha doméstica”, ele é sempre o primeiro a identificar sons estranhos.

O spitz anão, natural da Alemanha, pertence a uma das menores raças de cães de pequeno porte.

O spitz anão, natural da Alemanha, pertence a uma das menores raças de cães de pequeno porte.

Mesmo pesando no máximo três quilos, os spitz anões podem revelar comportamento agressivo, especialmente quando são criados sem companhia (humana ou animal). Especialistas acreditam, no entanto, que mais do que o isolamento, a ferocidade da raça está diretamente associada ao tratamento dedicado aos espécimes.

Pequeno, peludo e fofo, um spitz anão tem tudo para seduzir – e tornar-se um tirano doméstico. É preciso definir limites logo que o filhote chega à nova casa, para que o relacionamento familiar seja proveitoso para todos. Como qualquer outro cão, o lulu da Pomerânia precisa de exercícios físicos, mas uma caminhada de dez minutos é mais que suficiente para mantê-lo em forma.

O maltês

Ele tem jeito de bibelô, mas é um cão bastante ativo, com muita energia para gastar. O maltês convive bem com todos os membros da família, sendo ideal para a convivência com crianças. Ele adora brincar e passear, mas também apresenta um forte instinto de proteção (o maltês é apelidado de “cão-leão”): por isto, é preciso tomar alguns cuidados com a chegada de visitantes, prestadores de serviços, etc.

Não se engane: apesar da aparência, o maltês é um cão extremamente ativo.

Não se engane: apesar da aparência, o maltês é um cão extremamente ativo.

É uma das raças mais antigas do mundo: quando os fenícios (um povo do Oriente Médio que estabeleceu entrepostos comerciais em diversos pontos do mar Mediterrâneo) aportaram em Malta, no século IV a.C., já encontraram cães semelhantes. Mesmo assim, o maltês se manteve relativamente isolado, com poucos cruzamentos com outras raças.

Este, sim, é um verdadeiro cão de colo. Apesar de gostar de correr e brincar, um maltês pode passar horas junto aos donos. A maioria dos cães da raça gosta de “dividir a cama” com algum membro da família, mas isto não representa um impeditivo para a adoção: quem prefere menor proximidade só precisa ensinar o maltês, desde pequeno, a respeitar as regras da casa.

O pug

Apesar de mostrar alguma semelhança, o pug não tem nenhum parentesco com os buldogues: enquanto estes são nativos da Europa, o pug possui ancestrais chineses. Os cães da raça são ideais para companhia: além de apegados aos donos, eles se divertem em brincadeiras com cães, gatos, visitantes e até mesmo pessoas estranhas.

Os pugs são bons companheiros. O principal problema talvez seja a baixa tolerância ao calor.

Os pugs são bons companheiros. O principal problema talvez seja a baixa tolerância ao calor.

Apesar de poderem aprender pequenos truques, o ponto forte dos pugs é a devoção aos donos: eles literalmente amam toda a família – e isto pode se estender para os vizinhos, visitas frequentes, etc. Os cães da raça são extremamente sociáveis.

A pelagem curta não exige grandes cuidados, mas as dobras da cara precisam ser higienizadas diariamente. Os pugs têm fôlego curto e, por isto, as brincadeiras e caminhadas não podem ser muito demoradas. Os cães da raça latem pouco, o que os torna especialmente indicados para apartamentos. No entanto, eles conseguem se adaptar a qualquer ambiente.

 



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