Os cães também podem ser beneficiados por uma alimentação natural. Confira os detalhes.

Em primeiro lugar, é necessário informar que a alimentação natural para cães é indicada apenas para animais saudáveis. Os pets que tenham restrições alimentares, sofram de alergias, desarranjos gastrointestinais ou tenham deficiências de nutrientes precisam ser avaliados antes de qualquer alteração na rotina alimentar.

De qualquer forma, os donos de cães que queiram proporcionar uma nutrição mais adequada devem introduzir a nova alimentação natural de forma gradual, intercalada com a ração à qual o pet já está acostumado. Qualquer alteração na conduta (sonolência, vômito, fezes amolecidas, etc.) demanda atenção veterinária.

Apesar de parecer novidade, a alimentação natural canina já é cultivada e pesquisada há mais de 60 anos, com a criação da Fromm Family Foods, em 1949, no Wisconsin (EUA). Atualmente, as refeições estão disponíveis no Brasil há cerca de dez anos, em duas linhas: Classic e Gold. De acordo com as preferências dos cães, os donos podem optar por rações secas ou úmidas.

Os sabores

A alimentação natural para cães não é uma dieta vegetariana, ao contrário do que o nome pode sugerir. A proteína animal está presente nas tigelas caninas. As fontes principais são peixes de carne branca, salmão, frango e pato. As rações são enriquecidas com grãos integrais de cevada, aveia e arroz. Trigo, milho e soja ficam fora da dieta, além das carnes de boi e porco.

Os carboidratos também são dispensados da alimentação natural para cachorros, já que estes nutrientes só são indicados para cadelas prenhas ou nutrizes, de acordo com orientações médicas (em geral, são oferecidos suplementos). Cães saudáveis não absorvem carboidratos, quem entram e saem do mesmo jeito, apenas aumento o volume e o mau cheiro das fezes.

É importante salientar, contudo, que a alimentação natural, mesmo podendo ser feita em casa, precisa respeitar as necessidades nutricionais e os itens “proibidos” para a tigela canina. Os seres humanos abusam do sódio (sal), presente inclusive em refrigerantes light. No prato dos cães, especialmente os de pequeno porte, isto pode significar problemas renais e urinários no médio prazo.

Outros condimentos também são tóxicos para os pets. É o caso do alho e da cebola, que podem provocar enfermidades no estômago e intestinos. Alguns sites oferecem vídeos com instruções para o preparo, com ingredientes que se aproximam da dieta dos cães e gatos em estado selvagem. Não existe uma metodologia única, mas algumas são comprovadamente benéficas.

O BARF

Trata-se de um método desenvolvido por veterinários australianos, no final da década de 1980. É uma dieta crua, com a adição de ossos. A sigla é uma abreviatura de Biologically Appropriate Raw Food (alimentos crus biologicamente apropriados).

A alimentação natural crua apresenta diversos benefícios para os pets: redução de problemas na pele e na pelagem, branqueamento dos dentes e combate ao tártaro, redução das otites crônicas, dos gases da digestão e da quantidade de fezes, supressão do cheiro de “cachorro molhado” e fortalecimento do sistema imunológico.

Para a dieta BARF, é preciso fazer um cálculo ligeiro. O cachorro precisa ser pesado: 3% deste total são a quantidade de comida para as refeições. No prato, 60% do espaço devem ser reservados para as carnes e derivados (ovos e miúdos de galinha e frango são ideais, podendo ser alternados com vísceras de peixes). O restante consiste na introdução de legumes, que podem variar no dia a dia.

É um mito imaginar que cães não comem legumes. Na natureza, os parentes mais próximos dos cachorros – os lobos – procuram aves, ovos, raízes, folhas e frutas. Os cães não são animais exclusivamente carnívoros (ao contrário dos gatos, por exemplo).

Acostumados desde filhotes, eles indicarão as suas preferências. Não é necessário fazer compras exclusivas para os pets. Um cão de 30 quilos requer 900 gramas de alimentação natural: 540 de carnes e 360 de legumes, que podem ser pedaços dos legumes preparados para o almoço (para eles, sem sal).

Todos os ingredientes, com exceção das carnes com ossos (como pescoços de frango) podem ser processados. Na natureza, a dieta dos canídeos (e outras famílias de mamíferos) é pobre em vegetais, mas eles os absorvem de forma indireta, ao devorar a caça.

Variações

Alguns criadores preferem retirar os ossos da dieta crua, já que alguns animais podem apresentar problemas de digestão. Neste caso, basta trocar pescoços e asinhas de aves por carnes de segunda, vísceras, peles, etc. Todos os ingredientes deste preparo podem ir juntos para o processador ou liquidificador (até que obtenha uma papa consistente, semelhante à ração industrial úmida).

Alguns cães aceitam melhor a alimentação natural cozida, que também é indicada para regiões de clima mais ameno. O “trabalho” de preparar é mínimo: basta deixar a papa mais líquida e levá-la ao fogo até que engrosse. A preparação leva apenas alguns minutos.

Não se recomenda o congelamento, mas que não seja perdida parte dos nutrientes (os ingredientes in natura podem ser guardados no freezer).

A adoção da alimentação natural para cães, apesar de trazer inúmeras vantagens, deve ser informada ao veterinário, que pode eventualmente receitar alguns suplementos.

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