É preciso entender os motivos. Saiba o que fazer com cães que destroem tudo.

Não existe uma fórmula mágica, mas é necessário entender que, se os cães estão destruindo tudo, eles estão transmitindo uma mensagem. Os cães não falam, mas se comunicam através da linguagem corporal, dos gestos e atitudes.

O ideal é treinar os cães desde filhotes, para que eles não se tornem destrutivos. Mas, se eles cresceram sem equilíbrio – ou foram adotados já adultos e não sabem o que fazer na casa nova – é possível educá-los e estabelecer uma convivência tranquila. Cães que destroem tudo não são sinais do fim do mundo.

Cães que destroem tudo

Os motivos das destruições

Chega a ser frustrante. Você volta para casa depois de um dia exaustivo, tudo o que quer é um banho e uma poltrona confortável, mas o peludo decidiu atacar almofadas, tapetes, pés de móveis, sapatos, brinquedos, seja lá o que for. Dá vontade de trancar a porta novamente e voltar para a rua.

Todos nós amamos os cachorros, mas quando estas cenas cinematográficas acontecem (quem consegue se esquecer da franquia “Beethoven”, de 1992 a 2014?), a paciência se esgota. A sensação é de desamparo total. Tudo o que queríamos era pular no sofá e maratonar uma série, mas há muito trabalho a ser feito.

Morder e destruir são comportamentos naturais – explorar ambientes, cheirar tudo o que parece novidade, brincar e escavar (mesmo que seja o vaso de flores da mesinha de centro) são condutas normais para os pets.

Eles não entendem o que é decoração de interiores. Para os cães, uma almofada caída sobre um ursinho de pelúcia é um obstáculo a ser superado. Pisotear os canteiros na perseguição a um roedor (ou ao gato do vizinho) ou enterrar ossos debaixo da roseira que estava cheia de botões são atividades urgentes – e a terra estava fofinha nesses locais.

Fazer xixi pelos cantos da sala, mesmo que isso signifique a perda total da cortina nova, é uma forma eficiente de demarcar o território. Os cães não assimilaram o nosso conceito de propriedade e não sabem quando um estranho valentão vai chegar e tentar se apossar da comida, do brinquedo, do canto predileto do sofá.

Veja também: Xixi no lugar certo – Como ensinar o cachorro

O problema é que esses comportamentos não são normais para nós: são indesejados e devem ser reprimidos. Felizmente, cães gostam de agradar os tutores. Eles nunca irão entender por que não podem roer um chinelo – afinal, a prática facilita a limpeza bucal – nem por que não podem treinar ataque e defesa com as almofadas – nunca se sabe quando um forasteiro poderá chegar.

Para nos fazer felizes, contudo, eles aprendem a deixar os objetos alheios em paz. Eles aprendem, mas, para isso, precisam ser ensinados. E, caso eles desaprendam, é muito provável que eles estejam entediados, sem nada para fazer o dia todo. Se isso acontecer, é a vez de os tutores tomarem uma atitude e tornar o cotidiano dos pets mais atraente e divertido.

Em tempo: alguns cães podem se tornar destrutivos em função de problemas emocionais. Cães com ansiedade de separação, transtorno compulsivo, depressão, medos e fobias precisam de apoio médico para superar essas condições.

Por que os cães destroem tudo o que vem pela frente? Os principais motivos são:

  • falta de atividades no dia a dia, que leva ao tédio e ao comportamento destrutivo;
  • territorialidade;
  • problemas de saúde;
  • “autorização” dos tutores: quem acha graça quando o cachorro investe contra um trapo velho, um brinquedo quebrado ou mesmo o tronco de uma árvore no trajeto do passeio está reforçando o comportamento. Para os peludos, não há diferença entre trapos e roupas, entre objetos novos e aqueles prontos para ir para o lixo. Obviamente, se eles são incentivados a destruir plantas na rua, farão o mesmo no quintal de casa, ou com a samambaia que levou meses para se acostumar no apartamento.

Como resolver o problema?

Os cachorros quase nunca desenvolvem traumas psicológicos. É necessário que uma situação tenha se mantido por muito tempo para que os pets tenham transtornos profundos. É o caso, por exemplo, de um peludo que conviveu durante anos com maus tratos, isolamento, falta de atenção e de cuidados básicos ou solidão.

Como os cães aprendem?

O adestramento deve ter início assim que o cachorro é adotado. Ele precisa saber as regras da casa: por onde pode transitar, se pode ou não subir no sofá (ou na cama), o lugar das necessidades, da comida, da cama (que precisam ser razoavelmente distantes uns dos outros).

O aprendizado não é instantâneo. Um filhote fará xixi várias vezes no “lugar errado” até entender que existe um local reservado para as necessidades fisiológicas – e também até conseguir controlar totalmente os esfíncteres.

Com cães adotados adultos e com aqueles que se mudam de casa, o treinamento é mais fácil e rápido: eles já sabem o que fazer, só precisam descobrir os novos locais para as diversas funções.

O tutor não pode ter preguiça para ensinar o peludo. Adotar é um gesto de amor que envolve assumir integralmente um ser com desejos e necessidades. Ensinar o local do xixi envolve um tempo considerável ao lado do cachorro no quintal ou na área de serviço depois das refeições, até que ele entenda o que deve fazer.

Os comandos básicos (“sim”, “não”, “fica”, “senta”, “junto”, etc.) precisam ser repetidos à exaustão. De acordo com especialistas em comportamento animal, cães que obedecem a um comando depois de dez repetições são considerados muito inteligentes. Mas alguns só aprendem depois de 40 ou 50 repetições.

O método positivo é a melhor maneira de ensinar os peludos. Deve-se repetir os comandos tantas vezes quantas forem necessárias e premiar o cachorro sempre que ele fizer o esperado, com palavras de incentivo, carinho e petiscos.

Gritos e agressões físicas não servem para nada, apenas para amedrontar os peludos. Cachorros tratados com maus tratos apenas desenvolvem sentimentos de raiva ou medo. Eles podem até obedecer, mas ficarão frustrados e desajustados. E não é isso que se pretende na convivência com um pet.

Certo e errado

Os cachorros não sabem o que é certo ou errado. Estes são parâmetros e valores humanos, que ficam além do entendimento canino. Mastigar um ossinho é certo, mas mastigar um chinelo é errado? É difícil processar esta informação.

Com a convivência, porém, os cachorros assimilam um pouco dos nossos valores. Para facilitar o aprendizado e impedir que eles se tornem destrutivos, é muito importante:

• que os tutores associem as condutas desejadas a situações positivas. Na fase de aprendizado, os cães devem ser premiados pelo comportamento certo. Deixar o chinelo estrategicamente posicionado no tapete, dizer um “não” firme toda vez que o peludo tentar se aproximar e oferecer um biscoito quando ele se afastar voluntariamente é uma atitude positiva e merece recompensa;

• que os cães entendam as causas e consequências. Os peludos são extremamente inteligentes, capazes de raciocinar. Não avançar sobre um estranho (um entregador, por exemplo) é uma atitude em que o pet refletiu sobre as consequências. É como se ele pensasse: “o meu tutor conhece o estranho de moto e não quer que eu o ataque”. Ele terá o mesmo raciocínio ao ver um objeto e não destruí-lo: “o meu tutor não quer que eu morda esta almofada irresistível e ficará feliz por eu não fazer isso”;

• sempre traga novidades. O mundo do cachorro é a casa, com algumas explorações ao longo do dia. Mesmo quem sai para passear de manhã, à tarde e à noite passa muito tempo isolado. Por isso, sair da rotina é uma boa forma de manter os pets equilibrados. Traga um brinquedo novo, um petisco diferente, mude o trajeto do passeio. Um cotidiano variado previne os comportamentos destrutivos;

• ensine novos truques. Mesmo os cães idosos podem aprender coisas novas, mesmo que eles não saibam disso. O que eles gostam mesmo é de interagir com os tutores. O tempo consumido no aprendizado é um tempo desfrutado a dois. Além disso, qualquer assimilação nova cria novas conexões entre as células do sistema nervoso, estimula a inteligência e até mesmo previne demências.

Entendendo o cachorro

Algumas proibições, no entanto, nunca farão sentido para o cachorro. Se ele tem brinquedos de pelúcia, não conseguirá entender por que não pode brincar com o ursinho que fica sobre a cama do tutor.

É preciso ter mente de cachorro para entender o cachorro. Objetos pequenos e brilhantes sobre uma mesa ou estante fatalmente atrairão a atenção do peludo, que fará tudo o que puder para alcançá-los, inclusive colocando-se em risco.

Se existem objetos de decoração atraentes e chamativos que não devem ser usados como brinquedos, simplesmente tire-os do alcance do cachorro. Por outro lado, ele se submeterá à decisão do tutor de não deixá-lo roer o tapete (mas será preciso repetir o “não” muitas vezes) se tiver outras opções, como ossinhos sintéticos, por exemplo.

Se a mudança do layout da sala de estar ou do quarto de dormir for muito difícil, o melhor a fazer é não permitir que o cachorro circule pelo ambiente. Limite o espaço do cão à cozinha, à área de serviço ou ao quintal.

De qualquer forma, é preciso que os tutores entendam: adotar um cachorro significa trazer um novo ser para casa. O pet se transforma em mais um morador e deve ter alguns direitos respeitados. Garantir o bem-estar dos peludos é a melhor maneira de evitar que eles se tornem destrutivos.

Passear é preciso

Os cachorros precisam passear diariamente. Nas caminhadas, eles condicionam os músculos, fortalecem sistemas orgânicos e se socializam ao cruzar e interagir com desconhecidos. Com o tempo, alguns deles também perdem o medo de automóveis, buzinas, estrondos, correrias, etc.

Mesmo os cachorros que moram em casas espaçosas, com quintal e jardim amplos, precisam dos passeios diários. Um quintal amplo para nós é um espaço apertado para os peludos, que, na natureza, ocupavam um território de caça algumas dezenas de vezes maior.

Aproveite para explorar novas regiões com o seu cachorro. Ele irá gostar de conhecer as imediações de uma feira livre, um novo parque em que é possível soltá-lo da corrente em segurança, novos desafios como ladeiras íngremes, cercas para saltar, etc.

Faça isso no final de semana e o cachorro aguardará ansiosamente o “passeio especial”. Ele não sabe contar os dias e horas, mas entende, por exemplo, que sábado equivale ao dia em que todos estão em casa: o dia tão esperado da caminhada mais longa.

O tédio

Se a família humana passa boa parte do dia fora de casa e o cachorro fica sozinho, é necessário providenciar atividades para que ele não fique à toa enquanto os tutores estão trabalhando e estudando.

Os brinquedos são boas companhias. Cada tutor conhece as preferências do seu cachorro e sabe qual objeto é capaz de prender a atenção do pet. O ideal é possuir um bom sortimento. Não é necessário gastar muito e vários brinquedos podem ser improvisados com garrafas pet, caixas de papelão, embalagens vazias, etc. Basta ter criatividade.

Separe os brinquedos em lotes de quatro ou cinco peças e ofereça uma combinação diferente a cada semana. Assim, os objetos sempre terão ar de novidade e serão explorados por mais tempo. Prender os brinquedos com fitas pra que os peludos tenham de desatá-los faz o mesmo efeito.

Se for possível, é importante deixar um espaço para que os cães possam observar a rua. O movimento de pessoas e de outros cachorros distrai os pets, ao mesmo tempo em que torna natural o tráfego de pedestres e carros. O peludo não sentirá medo de estranhos, nem os encarará como ameaças que devem ser controladas.

Ao sair de casa, os tutores podem deixar uma peça de roupa sobre um local preferido do cachorro (uma poltrona ou mesmo um canto do tapete). O pet sentirá o cheiro dos tutores – que ele associa a coisas positivas, como brincadeiras, carinho e alimento – e isso ajuda a aliviar um pouco a saudade.

Existem brinquedos inteligentes específicos para cães, em que eles precisam encontrar uma forma de abrir um recipiente para conquistar a recompensa – um biscoito, por exemplo. Atividades desse tipo podem ser gratuitas, improvisadas com uma garrafa pet ou uma caixa amarrada e um punhado de ração – mas não se esqueça de descontar a quantidade no total diário de alimentos, para que o cachorro não ganhe uns quilos desnecessários.

Quem tiver condições pode programar a TV ou o computador para ser ligado em algum momento do dia. Será um intervalo diferente no meio da tarde. Bastam alguns minutos – os pets não passam muito tempo envolvidos com uma única atividade.

Os cachorros não acompanham desenhos e filmes. Eles se interessam pelos sons e pela sequência de imagens. Com relação à música, no entanto, eles têm preferências. Alguns gostam de música tranquila, outros são fãs de heavy metal.

Observe a conduta do seu cachorro quando estiver ouvindo música e identifique os ritmos que o acalmam, para reproduzi-los em algum momento do dia. Vale o mesmo para sons “apavorantes”, como o ruído de um trovão ou o estrondo de fogos de artifício.

Coloque sempre um som baixo e vá aumentando o volume. Isso fará o peludo perder o medo (pelo menos um pouco) e ele não reagirá a ruídos muito altos com comportamentos considerados inadequados. Alguns cães se tornam destrutivos em função do medo que sentem.


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