Os dentes são os principais indicadores da idade dos cães. Saiba mais.

A dentição canina sofre alterações ao longo do tempo. Nos cães adultos, é possível fazer uma previsão aproximada sobre a idade, enquanto, nos filhotes, o resultado é mais preciso, uma vez que eles trocam os dentes em idade predeterminada. Seja como for, a avaliação dos dentes é um bom ponto de partida para saber a idade de um cachorro.

Este dado é importante especialmente quando o animal, ao ser adotado, já concluiu o seu desenvolvimento físico. Isto ajuda a definir a alimentação adequada, a carga de exercícios físicos diários, etc. Mesmo assim, um cão de qualquer porte, ao chegar a uma nova casa, precisa receber avaliação veterinária, já que pode ser portador de doenças ou deficiências que podem ser curadas ou amenizadas com uma rotina correta.

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O formato da dentição

Com relação à dentição, os cães apresentam diversas qualidades de mordedura: tesoura, torquês, prognatismo superior ou inferior. O número e o tipo dos dentes (são quatro), no entanto, é invariável, independente da raça:

  • incisivos: são os dentes pequenos e finos (os laterais são um pouco maiores), localizados na frente da boca. Os cães adultos possuem 12 incisivos, seis em cada arcada;
  • caninos: ficam atrás dos incisivos, um de cada lado, nas duas arcadas. São dentes grandes e pontiagudos;
  • pré-molares: ficam atrás dos caninos. São quatro em cada lado das arcadas e o quarto pré-molar superior é bem maior que os demais;
  • molares: são os dentes responsáveis por triturar o alimento, pouco usados pelos cães (em relação aos humanos). Ao todo, são dez: dois de cada lado na arcada superior e três na inferior.

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Dentição infantil

Este é o formato da dentição de um cão adulto, completada em torno dos sete meses de vida. Os filhotes, como já foi dito, facilitam a tarefa de determinação da idade, em função de:

  • assim como nós, todos os cachorros nascem banguelas;
  • os dentes de leite começam a despontar na terceira de vida, mas, em muitos casos, são sensíveis apenas ao toque (não são visíveis a olho nu). Com oito semanas, todos os 28 dentes decíduos (de leite) já estão desenvolvidos e nos três meses seguintes, não ocorre nenhuma mudança significativa;
  • em geral, a partir dos cinco meses, como a surgir os dentes permanentes e, em alguns animais, é comum a identificação da dentição dupla, mas os dentes de leite acabam perdendo estabilidade e caindo. Apenas em poucos casos, é necessário recorrer a um dentista veterinário para a extração;
  • aos sete meses, os 42 dentes permanentes já estão implantados.

Desta forma, é possível concluir que:

  • se o cãozinho ainda é banguela, ele tem menos de 18 dias de vida, provavelmente foi abandonado e dificilmente conseguirá resistir sem intervenção de profissionais;
  • se os 28 dentes de leite já são visíveis, o filhote tem entre dois e cinco meses;
  • quando começam a surgir os dentes permanentes, mas alguns decíduos continuam presentes, o animal tem entre cinco e sete meses;
  • com a dentição completa, mesmo que ainda tenha aparência de garotão, o cachorro tem mais de sete meses.

Idade: adultos e idosos

Uma vez completada a dentição permanente, a idade dos cães pode ser determinada pelo desgaste e aparência dos dentes.

O tártaro não aflige apenas animais de rua, mas é um bom indicativo da idade. Uma vez que estamos considerando a necessidade de saber a idade de cães abandonados ou moradores de abrigos, é possível afirmar que:

  • até os 18 meses, os dentes são brancos e limpos. Na maioria dos casos, não são verificadas ausências de dentes;
  • a partir do segundo ano de vida, é possível identificar o desenvolvimento das placas bacterianas nas duas arcadas. Quando o cão está se aproximando dos três anos, é facilmente identificável a presença do tártaro e os dentes estão mais chatos, com redução do “corte” (gradualmente, os incisivos vão ficando menos afiados). Os dentes traseiros (molares e pré-molares) começam a ficar amarelados;
  • a partir dos três anos, o tártaro pode ser responsável pela perda de alguns dentes e o amarelado avança para os incisivos. Um cão de cinco anos revela todos os dentes escurecidos e com desgaste bem mais marcante;
  • cães idosos (a partir dos oito anos) que passaram um longo período “sem teto” apresentam perda significativa de dentes (mais de dez), fraturas e apodrecimento. É importante lembrar que os cães de temperamento mais violento, por se envolverem em mais brigas, também podem apresentar os mesmos sinais.
Este retriever do labrador revela a idade nos pelos brancos que enfeitam a sua cara.
Este retriever do labrador revela a idade nos pelos brancos que enfeitam a sua cara.

Ainda sobre os cães idosos: a partir dos oito anos, é comum o surgimento de doenças oculares, como a catarata. Os cachorros também ficam grisalhos: pelos acinzentados ou brancos aparecem no focinho, mandíbula, entre os olhos e na inserção das orelhas.

Por fim, a produção de colágeno também é reduzida com o avanço da idade (ainda que em menor proporção do que ocorre entre humanos). Desta forma, os cães também começam a perder a elasticidade da pele.

É desnecessário dizer, mas, em geral, os filhotes são mais ágeis e menos obedientes do que os cães adultos. Os cachorros idosos apresentam pouca propensão para brincadeiras e podem se ressentir de exercícios muito intensos (isto, no entanto, também pode indicar a presença de doenças esqueléticas, musculares e articulares).

Problemas de saúde

Os cuidados com os pets têm aumentado nas últimas décadas. Atualmente, poucos cães são relegados aos fundos de quintais, poucos gatos vivem nos telhados, as duas espécies se alimentando de restos de comida e sem nenhum cuidado de saúde.

A conscientização, no entanto, ainda não chegou à saúde bucal. A maioria dos donos não valoriza a higiene dos dentes – e, no caso de cães de rua ou de abrigo, este cuidado é praticamente nulo.

Por isto, estima-se que, ao atingirem três anos de idade, 80% dos cães apresentam sinais de algum problema na boca: amarelamento (ou escurecimento) dos dentes, avanço da placa bacteriana, desenvolvimento/ expansão do tártaro, mau hálito e gengivite.

Estes problemas são mais comuns nos animais de pequeno porte, especialmente os de raças que atingem o amadurecimento mais cedo, como o lhasa apso, shih tzu, chihuahua, maltês e yorkshire, e os que mantêm parte dos dentes expostos permanentemente.

Observações

As idades aqui apresentadas são apenas aproximações, já que tudo depende dos cuidados que o animal recebeu até que foi abandonado. Além disto, outras condições podem determinar o desgaste mais pronunciado dos dentes, como os hábitos alimentares e alguns problemas de saúde. Um veterinário pode realizar um estudo mais aprofundado para saber a idade dos cães.

É importante lembrar que o desgaste dos dentes é normal e ocorre mesmo no caso de donos responsáveis, que realizam a higiene bucal regularmente e não negligenciam as consultas veterinárias. Os cães adoram morder e roer objetos duros e isto não é negativo, uma vez que o hábito ajuda retirar sujidades e a quebrar as placas bacterianas.

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