Cada família tem características próprias – e o cachorro certo pode aumentar a alegria de casa.

Adotar um pet traz uma série de compromissos, mas também muitas alegrias. Contudo, é preciso escolher o cachorro certo para você e sua família, de acordo com as características esperadas do novo morador.

Alguns cachorros são mais ativos, outros preferem as sonecas no sofá. Alguns são independentes, outros são verdadeiros chicletinhos. A escolha é importante para que os sedentários não adotem um cão atleta, por exemplo.

Cada raça canina possui um temperamento diferente, de acordo com o objetivo dos criadores. Os mestiços tendem a herdar os comportamentos dominantes dos pais: assim, um filhote de mãe ativa e pai tranquilo quase certamente será ativo.

Você pode optar pela adoção de um animal SRD (sem raça definida), os populares vira-latas. Os filhotes demonstram as suas tendências ainda quanto estão na fase da amamentação, com a mãe e os irmãos. Alguns são naturalmente mais ágeis e bagunceiros.

Encontrando o cachorro certo para você e sua familia

O espaço

Não é apenas o porte que determina o lugar ideal para um cachorro viver. Dálmatas e pitbulls se adaptam bem a espaços menores, mas não se pode dizer o mesmo dos dogues alemães, perdigueiros, etc.

Como regra geral, os boiadeiros, pastores e cães de caça exigem mais espaço para explorar e brincar. Os cães desenvolvidos para companhia são mais indicados para apartamentos e casas sem quintal.

Os pequenos – malteses, chihuahuas, lhasa apsos, shih tzus, pinscher miniatura, etc. – podem morar em qualquer lugar, uma vez que até mesmo um sofá pode ser suficiente para os exercícios físicos.

Cachorros como o beagle e o cocker spaniel, pelo seu histórico aventureiro – os ancestrais já participaram de muitas caçadas quando viviam nas Ilhas Britânicas –, exigem mais espaço, apesar do porte médio.

Na hora da escolha, é preciso esquecer os estereótipos. A dócil, meiga e frágil Lili, de “A Dama e o Vagabundo” (Walt Disney, EUA, 1955) não se parece nem um pouco os cocker spaniels, que são cães curiosos e arteiros – “caçar” roupas no varal é uma das atividades preferidas. Afinal, eles foram desenvolvidos para caçar aves (cocks) em pleno voo.

As atividades

Todo cachorro precisa de atividade física diária. Os exercícios são fundamentais para desenvolver o corpo, manter o organismo em equilíbrio, estimular as habilidades cognitivas e socializar os pets com outras pessoas e cães.

Quem não gosta de se exercitar não deve pensar em adotar um cachorro. Os pets precisam de passeios diários, brincadeiras, correrias, saltos, esconde-esconde, agitação. Se não há disponibilidade para participar destas aventuras, talvez seja melhor pensar na hipótese de adotar um gato (que também precisa de interação, mas menos do que um cachorro).

Os pastores e boiadeiros estão acostumados a percorrer longas diárias, assim como outros cães de trabalho, como o São Bernardo (desenvolvido para resgate na neve alpina), o retriever do Labrador (para pescar e recuperar aves abatidas em lagoas e mesmo no litoral) e os cães nórdicos, como o samoieda, utilizados antigamente para puxar trenós.

De qualquer maneira, existem cães bem mais dispostos às atividades físicas, que podem inclusive ser treinados para competições de velocidade, agility, flyball, canicross, dog hiking, etc. É o caso do pitbull, husky siberiano, do borzói, do whippet e da maioria das raças de médio e grande porte.

O poodle, tido como “cachorro de madame”, é um nadador nato. A raça foi desenvolvida para resgatar aves abatidas e mesmo a tosa clássica reflete este passado trabalhador: para garantir o aquecimento sem atrapalhar os movimentos na água, os criadores passaram a deixar o pelo mais longo na cabeça, tórax e articulações.

O mesmo ocorre com o yorkshire terrier. Ele foi desenvolvido no século 19, para caçar roedores que se ocultavam no imenso labirinto das galerias das minas de carvão que sustentaram as primeiras fábricas da Revolução Industrial inglesa. Definitivamente, este pequeno não é um cachorrinho de colo.

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Outros cães são mais tranquilos e preferem uma soneca no sofá, mas devem ser estimulados a fazer exercícios diariamente, mas com menor intensidade. É o caso do simpático pug e de todos os cães de cara achatada (braquicefálicos), como os buldogues (inglês e francês), lhasa apsos, shih tzus, pequineses e mesmo do imponente boxer.

Com a preferência pela cara amassada (que surgiu simultaneamente na Ásia e na Europa), as raças braquicefálicas apresentam vias aéreas curtas (narinas e laringe) e esta condição anatômica compromete parcialmente a capacidade respiratória. Eles não devem ser submetidos a exercícios puxados, porque podem inclusive desenvolver doenças cardiovasculares.

Os filhotes e adultos saudáveis são naturalmente mais ativos e agitados. Com a idade, todos os pets tendem a preferir o sossego de casa, a cama ou um lugar privilegiado ao lado da poltrona preferida do tutor. Mesmo assim, a atividade diária não deve ser negligenciada.

O tempo disponível

Os cachorros são animais gregários. Eles descendem dos lobos, que, nas alcateias, se organizam em uma hierarquia complexa e sofisticada. Este é um dos motivos por que os nossos pets passaram a caçar em conjunto com os humanos.

Por este motivo, eles precisam de companhia. Além dos passeios e brincadeiras, os cachorros têm necessidade de interação com a família humana (e com outros cachorros, gatos, etc.). o equilíbrio emocional dos pets depende disso.

Sem a presença do tutor, pelo menos por algumas horas do dia, os pets podem se tornar entediados, destrutivos, agressivos e até mesmo desenvolver doenças físicas (psicossomáticas). Antes de adotar, é necessário conferir a agenda e reservar tempo e espaço para o novo membro da família.

Isto não significa que tutores de cachorros precisem renunciar ao trabalho, nem ao menos à vida social – apesar de algumas happy hours e baladas acabarem ficando comprometidas em função de algumas emergências. Os pets conseguem passar o dia sozinhos, se houver atividades para eles na ausência dos tutores.

Algumas raças são mais independentes e se dão bem quando ficam sozinhas, apesar de todos os pets precisarem de atenção e agrados. Schnauzers, akitas, shih tzus, lhasa apsos e basset hounds são exemplos de cães que não se incomodam (muito) com a solidão.

Já os cães das raças maltês, dálmata, poodle, beagle, husky siberiano, bichon frise, Boston terrier, terrier brasileiro (fox paulistinha), lulu da Pomerânia e outros são mais dependentes dos tutores e precisam muito mais da presença humana.

Alguns foram desenvolvidos como cães de companhia, enquanto outros foram criados para atividades coletivas. O husky siberiano puxava trenós com seis ou oito parceiros, enquanto o beagle foi adaptado para a caça em grandes grupos.

Quem fica muito tempo fora de casa pode considerar a possibilidade de adotar um segundo cachorro – desta forma, um faz companhia para o outro. Isto pode atenuar o problema, mas os nossos peludos sempre precisam do tutor ao lado, ao menos por algumas horas do dia.

A presença de crianças

Criança e cachorro é tudo de bom. Eles são bons parceiros, inventam brincadeiras, fazem companhia um para o outro e colaboram para o desenvolvimento físico e emocional. Crianças que convivem com cães desde pequenas inclusive apresentam maior resistência e melhores respostas imunológicas.

Por motivos óbvios, no entanto, é aconselhado manter certa distância entre crianças pequenas e cachorros molossoides, como o São Bernardo, o dogue alemão e o bloodhound. Apesar de protetores e defensores, os grandões podem causar acidentes apenas em função do porte avantajado.

Não é preciso doar o animal quando chega um bebê em casa. Basta isolar os ambientes e, nos momentos de contato, manter sempre um adulto responsável para supervisionar a interação de crianças e pets.

Os cães treinados para defesa do patrimônio, independente da raça e do porte, devem ser mantidos longe das crianças. Em geral, eles obedecem a apenas um humano e não gostam de muito movimento na propriedade. Boiadeiros e pastores podem entender que as crianças são bezerrinhos ou cabritos tentando se desvencilhar da manada e tentar “convencê-las” a não se afastar.

Quem convive com um akita costuma descrever os cães da raça como adoráveis rabugentos. Desenvolvidos para controlar rebanhos, estes cachorros não gostam de movimentações estranhas, nem de muita agitação no seu “local de trabalho”.

O filme “Sempre ao seu Lado” (EUA, 2009) apresenta a história do akita Hachiko e de sua fidelidade ao tutor já morto, protagonizado por Richard Gere. Efetivamente, os akitas são extremamente leais e fiéis, mas preferem conviver com adultos.

Os dálmatas fazem parte do imaginário das crianças, especialmente depois que elas assistem a “101 Dálmatas” – o filme ou o desenho animado – e ficam apaixonadas pelos cães pintados. No entanto, os animais da raça são hiperativos e podem acabar machucando os pequenos nas brincadeiras, apesar de raramente fazerem isso de propósito.

Encontrando o cachorro certo para você e sua familia

Dobermans e rottweilers, apesar da má fama, costumam se dar bem com crianças. Eles tendem a vê-las como seres a serem protegidos, mas não necessariamente respeitados. Os problemas também podem surgir quando eles se tornam superprotetores e tentam agredir estranhos, como visitas que vêm visitar o novo bebê da família.

Os chihuahuas e pequineses não são conhecidos exatamente pelo seu bom humor. Extremamente apegados aos tutores, eles são ciumentos e possessivos. A presença de uma criança pode significar, para eles, uma ameaça. Outra dificuldade é que eles tendem a encarar os pequenos como brinquedos. Além disso, eles detestam abraços e outros apertos.

O orçamento

Ter um cão implica um aumento considerável nas despesas domésticas. Os peludos precisam de ração, petiscos, brinquedos, acessórios, produtos de higiene, visitas ao veterinário, medicamentos, vermífugos, vacinas… A lista parece interminável.

Os filhotes – e muitos adultos também – podem exibir comportamento destrutivo, atacando almofadas, roupas no varal, pés de mesa, calçados, etc. São outros itens que precisam ser substituídos e custam dinheiro.

Desta forma, antes de adotar um cachorro, consulte o seu bolso. É necessário incluir no orçamento não apenas as despesas cotidianas, mas eventuais custos extras, como as que surgem em doenças, hospedagens nos casos de viagens da família, etc.

Obviamente, os cães de grande porte dão mais despesas. Eles comem mais e muitos precisam de adestramento profissional. Mesmo os pequenos acabam consumindo parte da renda da família com as suas necessidades e desejos.

Tutores diferentes

Cada cachorro apresenta uma personalidade diferente. Portanto, não é possível determinar exatamente qual será o temperamento, mesmo quando se conhecem os pais do pet. Mesmo assim, algumas raças caninas apresentam características específicas, de acordo com as atividades para as quais foram desenvolvidas.

• Quem mora em apartamento deve optar pelas raças de pequeno porte, como chihuahua, pinscher miniatura, shih tzu, lhasa apso, maltês, yorkshire, etc. O buldogue inglês, apesar de ser maior, também se dá bem em espaços pequenos.

• Os tutores com agendas lotadas, que estão sempre fora de casa e têm pouco tempo para partilhar com pets ficam encantados com um malamute do Alasca, akita, borzói ou shar-pei. Um dachshund também é uma boa opção para quem quer um animal de pequeno porte.

• Os alérgicos devem procurar cachorros de pelo curto ou que não trocam os pelos sazonalmente, espalhando fios pela casa inteira. Bichon frise, poodle, retriever do Labrador, dálmata e schnauzers de todos os tamanhos (o miniatura mede 30 cm de altura e o gigante, 70 cm) também são boas escolhas.

• Quem tem crianças em casa pode adotar sem susto um poodle, beagle, boxer, que são excelentes companheiros para as mais arteiras. Os pequenos tranquilos adoram a companhia de um dachshund ou um basset hound. Alguns grandões são excelentes protetores, como o dogue alemão e o golden retriever.

• Tutores com problemas respiratórios ou de locomoção não precisam ficar sem cachorro. Os cães de focinho achatado também têm fôlego curto e preferem caminhadas curtas e exercícios leves. A escolha pode recair entre o pequeno pug ou o boxer, passando pelos buldogues

• Para os tutores que curtem a vida ao ar livre, estão sempre em atividade e querem um parceiro com “carga total”, o pet ideal pode ser um retriever do Labrador, husky siberiano, doberman, rottweiler, pitbull, setter irlandês, weimaraner, pastor alemão ou belga e dálmata.

Os vira-latas

Ao pensar em adotar o cachorro certo, é preciso considerar também a hipótese de escolher um mestiço, um pet sem raça definida (SRD), popularmente conhecido como vira-lata. Afinal, estes animais apresentam todas as boas características dos melhores amigos do homem. Eles são, a um só tempo:

  • brincalhões e tranquilos;
  • defensores e companheiros;
  • ideais para casas com pessoas de todas as idades e condições;
  • amorosos e independentes.

Ao desenvolver as raças, a humanidade procurou destacar algumas qualidades dos cachorros: bravura, agressividade, territorialidade, força, resistência, etc., de acordo com as necessidades de cada grupo.

Os vira-latas apresentam, em maior ou menor grau, todas estas características, que podem ser potencializadas em cada família, de acordo com as preferências pessoais. Além disso, eles tendem a ser mais resistentes fisicamente: vivem mais tempo e desenvolvem menos doenças crônicas.

Muitos cães SRD estão em abrigos e centros de zoonoses à espera de uma família humana que os acolha e proteja. Talvez, o cachorro certo para você seja aquele simpático vira-lata, disponível em qualquer tamanho, cor e pelagem. Você ganha um companheiro para todas as horas e ainda pratica uma boa ação.

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