Babesiose – o que é, sintomas e tratamento

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Conhecida como doença do carrapato, a babesiose atinge qualquer cachorro. Conheça os sintomas e tratamento.

A babesiose é uma infecção transmitida através das picadas de carrapatos, que pode atingir cachorros de qualquer idade e porte. Apesar de haver um tratamento relativamente simples, a popular doença do carrapato inspira cuidados, porque pode inclusive levar o animal infectado à morte.

A doença também é conhecida como piroplasmose, mas, atualmente, este termo é mais empregado para indicar as enfermidades transmitidas por carrapatos a equídeos e bovídeos (cavalos e vacas).

Babesiose

Os carrapatos

A babesiose canina é provocada pelo protozoário Babesia canis. Trata-se de um hematozoário, isto é, ele se reproduz e se alimenta na corrente sanguínea dos cães, especialmente nas hemácias, os glóbulos vermelhos responsáveis por transportar oxigênio para todas as células.

Apesar de todos os carrapatos serem potencialmente perigosos, pois todos sugam sangue dos seus hospedeiros (aves e mamíferos), os protozoários do gênero Babesia infestam particularmente uma espécie: o Rhipicephalus sanguineus, que tem preferência por cães, mas pode sugar o sangue humano e de alguns animais silvestres.

No Brasil, o R. sanguineus é conhecido como carrapato-vermelho-do-cão. Ele transmite também a erliquiose. Uma fêmea deste carrapato põe de dois mil a três mil ovos por dia, depositados na corrente sanguínea do hospedeiro.

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É assim que, em maioria, os protozoários são transmitidos. Mas o carrapato-vermelho precisa ainda de dois outros hospedeiros, para atingir as fases seguintes do seu desenvolvimento: ninfa e adulto.

A infecção pode ocorrer em qualquer etapa da vida. Os ovos são chocados no interior dos glóbulos vermelhos, que os protozoários rompem ao nascer. Os adultos permanecem livres na corrente sanguínea dos hospedeiros.

Os carrapatos, também chamados de carraças, são pequenos aracnídeos da subclasse dos ácaros. Todas as espécies – já foram classificadas mais de 800 – são hematófagos e ectoparasitas. Registros fósseis indicam que eles existem há mais de 90 milhões de anos.

Os carrapatos-vermelhos são intermediários entre os protozoários e os cachorros. Mas, mesmo que os ácaros não estejam infectados, eles prejudicam a saúde dos pets, provocando desde irritações leves na pele até anemia por ação espoliadora (no caso de infestações severas).

Em tese, o B. canis também pode colonizar humanos e gatos. O carrapato-vermelho, no entanto, prefere ambientes escuros e úmidos, mais explorados pelos cachorros. Para ocorrer a infecção, é preciso que o ácaro permaneça por um período prolongado fixado à pele do hospedeiro.

É difícil imaginar um humano deixando um carrapato sugar sangue por horas seguidas sem retirá-lo. Os gatos, que passam boa parte do dia inspecionando a pelagem também eliminam – ou pelo menos afastam – os carrapatos, pulgas, etc.

Os sintomas da babesiose canina

A babesiose é caracterizada pela destruição dos glóbulos vermelhos. Larvas e ninfas do R. sanguineus se instalam nas artérias dos cachorros e alimentam-se das hemácias, que contêm substâncias fundamentais para o desenvolvimento e as metamorfoses.

Com a queda das hemácias em circulação, o cachorro afetado passa a sofrer de anemia hemolítica, que ocorre quando os glóbulos vermelhos são destruídos antes de completarem o ciclo normal de vida, que é de 120 dias. E medula óssea não consegue repor as células sanguíneas.

A anemia não é uma doença, é um sinal de doença – no caso, a infecção causada pelo B. canis. O prolongamento desta condição compromete a saúde e a qualidade de vida. Nas cadelas grávidas, por contribuir para abortos espontâneos. A babesiose canina não tratada leva à morte.

Os sintomas da babesiose são facilmente notados. É possível notar sinais claros no comportamento e na aparência dos cães, que passam a apresentar gradualmente:

  • perda de apetite e a consequente perda de peso;
  • palidez (a pele rosada se torna esbranquiçada e os vasos sanguíneos ficam mais visíveis);
  • icterícia (pele e olhos amarelados);
  • urina escura;
  • mucosas amareladas (gengivas, garganta e narinas, especialmente nos cães braquicefálicos, como pugs e buldogues), que se tornam esbranquiçadas sem tratamento;
  • sangramentos e problemas de coagulação;
  • cansaço e falta de energia. A apatia pode gerar depressão.

O diagnóstico da babesiose

Os sinais clínicos da babesiose são:

  • perturbações na coagulação do sangue;
  • insuficiência renal;
  • comprometimentos neurológicos.

O quadro clínico dos animais afetados pela babesiose pode ser dividido em três tipos, de acordo com a gravidade da doença. A enfermidade pode se apresentar nas formas hiperaguda, aguda, crônica e subclínica.

forma hiperaguda – é mais comum entre os filhotes, especialmente os recém-nascidos, que ainda não têm o sistema imunológico completamente formado. Os cães apresentam hipotermia, hipóxia (baixa concentração de oxigênio no sangue) e lesões nos vasos sanguíneos. A babesiose hiperaguda pode ocorrer em caso de infestações severas por carrapatos. São poucos os cães que sobrevivem a esta forma, que pode matar em apenas três dias;

forma aguda – é o tipo mais comum, caracterizado pela anemia hemolítica. Os sintomas físicos são claros e os cães apresentam febre. Os animais apresentam febre e podem ter o baço aumentado (esplenomegalia). Os exames laboratoriais revelam uma queda muito acentuada no número de hemácias;

forma crônica – ocorre com animais infectados pelo B. canis há muito tempo, que não receberam nenhum tipo de tratamento eficiente. É relativamente raro, mas pode ocorrer. Os sintomas são nítidos e intensos, agravados por um quadro de desnutrição e depressão. Alguns cães chegam a ter sangramentos pelo nariz;

forma subclínica – normalmente ocorre no início da infecção, com sinais pouco nítidos, e estende-se por seis a dez semanas, de acordo com a idade, porte e condições gerais de saúde. A maioria dos cães diagnosticados com esta forma descobrem a doença em check-ups de rotina, uma vez que não há sinais claros da babesiose.

O diagnóstico definitivo é obtido através da identificação do B. canis em amostras de sangue. Na consulta, o veterinário já consegue perceber os sinais clínicos e os primeiros exames laboratoriais de sangue e urina quase sempre revelam queda acentuada de plaquetas e hemácias, mas é preciso localizar o protozoário para positivar o diagnóstico.

O tratamento da babesiose

Como já foi dito, o tratamento da babesiose canina é simples, constituído por duas etapas: a eliminação dos carrapatos e a correção das desordens provocadas pelo protozoário no organismo.

Carrapaticidas de boa qualidade podem ser encontrados em pet shops e devem ser aplicados tanto no pelo do animal, quanto nos ambientes em que ele circula, mas nunca medique o seu pet sem a orientação do veterinário, pois só ele tem condições de identificar positivamente o parasita.

Os sintomas gerais da babesiose a mesmo a própria anemia podem ser devidos a uma série de doenças. A automedicação pode mascarar sinais e prejudicar ainda mais o organismo dos pets. É importante que o diagnóstico seja confirmado com a máxima brevidade.

Para combater os efeitos da babesiose no organismo canino, o veterinário quase sempre receita piroplasmicidas, medicamentos que dão combate ao micro-organismo invasor. A dosagem e o tempo do tratamento dependem das especificidades de cada caso.

Durante o período de aplicação dos piroplasmicidas, podem surgir efeitos colaterais leves, tais como tremores, diarreias e vômitos. Em geral, os efeitos secundários não representam nenhum perigo para os cães.

Nunca tente tratamentos caseiros nem troque a alimentação do pet sem antes conversar com o veterinário. Uma ração enriquecida com ferro certamente ajuda a fortalecer o sistema circulatório, mas, se houver um parasita circulando, os efeitos de suplementos serão praticamente nulos.

O medicamento mais empregado no tratamento é o dipropionato de imidocarb, ministrado em duas doses, com intervalos de 15 dias. A dosagem varia de acordo com as condições individuais dos cães infectados.

Alguns veterinários consideram muito o risco de reinfecção nos cães tratados com o dipropionato. Estudos realizados pela Universidade de São Paulo revelaram que o sistema imunológico canino, nesses casos, não desenvolve uma resposta satisfatória.

Por isso, muitas clínicas veterinárias recomendam o uso de antibióticos como a tetraciclina, capazes de controlar a infecção e baixar a febre, sem eliminar totalmente o protozoário. Os micro-organismos remanescentes são suficientes para que o sistema imune os identifique e combata, tanto na infecção atual, quanto em exposições futuras a carrapatos.

Pode ser igualmente necessário tratar doenças secundárias, como a insuficiência renal e a esplenomegalia. O baço é um órgão do sistema linfático, responsável por filtrar o sangue e manter a saúde de plaquetas, glóbulos vermelhos e brancos, além de eliminar as células lesionadas.

Em casos severos de babesiose, caracterizados por anemias hemolíticas profundas, pode ser necessária uma transfusão de sangue (por isso, é necessário que cães saudáveis sejam doadores). O procedimento é simples e os bancos de sangue realizam uma série de exames no sangue coletado para eliminar eventuais riscos.

Alguns animais portadores de babesiose crônica, negligenciados por longos períodos, podem sofrer uma falência renal: os rins deixam de realizar as funções de filtragem do sangue e excreção dos dejetos presentes.

Nestes casos, pode ser necessário adotar a hemodiálise, um procedimento caro, que muitas vezes exige sedação (e não são todos os cães que podem receber anestesia geral). Além disso, dependendo das condições de saúde, a hemodiálise pode ser meramente paliativa.

Como prevenção a babesiose

Mesmo com um tratamento eficaz na imensa maioria dos casos, o ideal é prevenir a babesiose em cães. A atenção dos tutores deve se concentrar especialmente nos transmissores: os carrapatos-vermelhos, uma praga canina.

Os carrapatos não desenvolvem os protozoários em seu organismo: eles se infectam ao sugar o sangue de um animal contaminado e transmitem o B. canis na picada seguinte. A característica básica dos parasitas hematófagos é invadir os hospedeiros definitivos, condição necessária desde o chocar dos ovos até a fase adulta.

Além de prejudicarem a qualidade de vida dos pets, os carrapatos transmitem várias doenças. Para combatê-los, existem diversos produtos orais, pour-on, injetáveis e tópicos. O veterinário pode orientar no medicamento mais adequado e na forma de administração.

Providencie igualmente a limpeza dos ambientes onde os cães circulam. Quintais muito grandes podem ser difíceis de higienizar, demandando o trabalho profissional. Ao contrário da maioria, o carrapato-vermelho possui geotropismo negativo.

Isto significa que, ao cair dos pelos do hospedeiro, ele procura lugares altos – o carrapato não gosta de ficar no chão, mas permanece próximo à “fonte de alimento”. Para eliminá-lo, é necessário limpar muros, paredes, troncos de árvores, etc.

Dê banhos com sabonetes e xampus antiparasitas, aplique carrapaticidas quando for passear no campo com os pets, utilize regularmente os produtos tópicos, use coleiras com repelentes e leve sempre os cachorros para visitarem o veterinário: eles podem não gostar muito, mas é a melhor maneira de manter ou recuperar a saúde.