Cachorro comendo cocô: o que fazer?

Por

Não é agradável e pode indicar problemas. Veja o que fazer com cachorro comendo cocô.

O nome técnico deste transtorno é coprofagia. Cachorros comem cocô por problemas comportamentais, como o tédio, ou por deficiências nutricionais. É importante pensar que o hábito é nojento para os costumes humanos, mas não pode ser considerado bizarro.

As fezes são ricas em nutrientes. Elas resultam dos rejeitos que os organismos animais não quiseram ou não conseguiram assimilar completamente. As fibras, por exemplo, não são absorvidas pelos primatas e carnívoros: mesmo assim, elas são úteis para aumentar o bolo fecal, regularizar o trânsito intestinal e uniformizar as fezes.

Diversas aves usam fezes para construir ninhos e muitos insetos põem os seus ovos nas fezes para que as larvas, ao nascerem, já tenham um “lanchinho” à mão. Existe até uma espécie de besouro conhecida popularmente como “rola-bosta”.

Não existem pesquisas conclusivas sobre o desenvolvimento do hábito em raças caninas específicas, mas um estudo do casal Lynette e Benjamin Hart, da Universidade da Califórnia (EUA), publicado em 2001 no livro “The Perfect Puppy”, indica que hounds e terrier são mais propensos à coprofagia, enquanto os poodles são os menos afeitos.

Cachorro comendo cocô - O que fazer?

Os motivos para seu cachorro comer cocô

A coprofagia canina é relativamente comum entre os filhotes – e as cadelas costumam ingerir as fezes das crias nas primeiras semanas de vida. Isso faz parte da higiene dos cãezinhos e não são consideradas um distúrbio ou um sintoma de que alguma coisa esteja errada.

O hábito é perdido com o tempo, mas animais adultos podem voltar a comer cocô por se sentirem entediados – é o caso, por exemplo, dos pets que passam muito tempo sozinhos ou não desenvolvem as atividades físicas necessárias.

Entre as questões de saúde que preocupam tutores e veterinários, cães comem cocô pelas seguintes razões:

  • falta de nutrientes na dieta alimentar;
  • doenças gastrointestinais;
  • polifagia (ou hiperfagia), o aumento descontrolado do apetite;
  • transtornos comportamentais.

A polifagia, na verdade, é um sintoma. Os cães podem passar a comer demais por terem poucas atividades físicas, por não socializarem com os membros da família e com estranhos, por não conseguirem aproveitar plenamente os alimentos.

A condição também surge quando desenvolvem distúrbios emocionais, como depressão e ansiedade. Nestes casos, apenas o veterinário pode identificar as causas e propor o tratamento adequado.

A carência de nutrientes quase sempre está relacionada a rações de má qualidade ou a comida caseira preparada sem os alimentos necessários para os cães – 80% de proteína animal, suplementados por grãos, frutas, verduras ou legume.

Algumas doenças mais graves também estão relacionadas à coprofagia canina. É o caso, por exemplo, do diabetes, de problemas na tireoide e da síndrome de Cushing (hiperadrenocorticismo).

Estes males geralmente acometem cachorros a partir dos cinco anos. Por isso, manter uma rotina de visitas regulares ao veterinário é importante para evitar doenças ou para obter um diagnóstico precoce, que facilita o tratamento e garante a qualidade de vida.

Um fato trivial é bastante comum em casas com dois ou mais cachorros: o animal dominante pode facilmente devorar todo o alimento disponível. Os tutores devem estar atentos e, se for o caso, separar os pets durante as refeições.

Vale lembrar que a dominância nem sempre está relacionada ao porte dos cachorros. Em muitos casos, pequenos atrevidos bloqueiam o acesso ao alimento (e às vezes até a água), para demonstrarem que são mais importantes no arranjo hierárquico doméstico.

A digestão

Nos cães, a mucosa gástrica – membrana que reveste internamente o estômago – é mais espessa e resistente, justamente porque o aparelho digestório é mais curto que o nosso e porque os cães mastigam pouco os alimentos.

Mesmo assim, os peludos podem desenvolver gastrites e úlceras estomacais. A gastrite é uma irritação mais ou menos pronunciada da mucosa, enquanto a úlcera é uma lesão na parede do órgão. Nestas condições, os cães podem passar a recusar alimento, porque a digestão se torna incômoda e, em alguns casos, dolorosa.

As necessidades nutricionais, no entanto, permanecem sem alteração. A fome é uma resposta do sistema nervoso central, que induz os seres a procurar alimento. Quando “bate a fome”, os cães podem tentar contornar a situação com o que estiver mais próximo – inclusive as fezes.

Gastrites e úlceras estomacais geralmente se desenvolvem no médio ou longo prazo, em função da má alimentação, especialmente o oferecimento de alimentos humanos – com sal e condimentos – em lugar das rações específicas. Sódio, temperos e óleos vegetais agridem o estômago e provocam as irritações e lesões.

Os cachorros também podem passar a comer cocô porque o organismo não está aproveitando regularmente os nutrientes. Em casos de infestação por vermes intestinais, os peludos não recebem as substâncias necessárias para a conservação e desenvolvimento do corpo. Instintivamente, eles procuram repor os nutrientes perdidos para os parasitas.

Outro motivo comum para a coprofagia canina é o desequilíbrio da flora intestinal. O intestino dos animais é colonizado por milhões de bactérias, que auxiliam a absorção dos nutrientes. Quando este número de micro-organismos cai ou aumenta excessivamente, os cães passam a procurar outras fontes – e o cocô é uma delas.

Eventualmente, os cães podem comer alguma coisa errada – uma planta tóxica, uma embalagem “capturada” em uma lixeira apetitosa, um petisco deixado ao alcance por alguém da casa, etc. Nestas situações, é normal que os pets apresentem quadros de vômitos ou diarreias.

Nos episódios isolados, os desarranjos desaparecem em poucas horas, deixando apenas um pouco de apatia e dor abdominal, incômodos insuficientes para que os pets deixem de explorar as condições gastronômicas do ambiente.

Mas os vômitos e diarreias provocam desidratação e desnutrição mais ou menos severas e, para reparar as carências (mesmo passageiras), a coprofagia canina surge como uma escolha quase natural.

Cachorro comendo cocô: Causas comportamentais

Além de quadros de ansiedade e depressão, outros motivos emocionais podem levar os cães a comerem cocô. Um dos mais comuns – e mais simples de corrigir – é quando o peludo quer apenas chamar a atenção dos tutores.

A nossa reação ao observar a coprofagia quase sempre é negativa, mas, de qualquer maneira, estabelece um “diálogo” entre o tutor e o pet. No caso de animais carentes, a reprovação é uma forma de chamar a atenção. A situação pode ser facilmente revertida apenas com um pouco de carinho e interação.

Outra situação comum é o uso de técnicas de reforço negativo durante o treinamento básico. Muitos tutores utilizam estratégias como esfregar o focinho nas poças de urina ou dar broncas verbais, quase sempre se excedendo na verborragia.

Os cães não entendem português (nem qualquer outros idioma humano) e, por isso, acabam absorvendo a informação errada: eles associam o erro às próprias fezes, não ao local em que foram depositadas. E passam a engoli-las, para eliminar os rastros e pistas do malfeito.

O que fazer se o cachorro comer cocô?

O primeiro passo é identificar as circunstâncias que estão causando o hábito. Causas orgânicas devem ser tratadas o mais rápido possível, mesmo porque manias desenvolvidas por muito tempo são mais difíceis de serem erradicadas.

É mais fácil evitar a coprofagia do que corrigi-la. Por isso, os cães devem aprender os comandos básicos, com técnicas positivas a partir do momento em que são adotados. Os tutores, por seu lado, precisam oferecer um ambiente equilibrado e acolhedor, com alimentação adequada, brincadeiras, passeios e poucas brigas.

Os cachorros, assim como as crianças, não entendem gritos. Eles podem se amedrontar no início, mas depois assimilam o “jeito” da família e deixam de se importar com as brigas estereofônicas. O ideal é falar com firmeza, se possível imitar a conduta esperada e ter paciência – ninguém aprende da noite para o dia.

Os animais que passam por situações de estresse (os gatos também podem sofrer com isso) devem ser acolhidos da melhor maneira possível. A ausência de entes queridos, mudança de casa e até uma reforma prolongada pode alterar o comportamento dos pets. O ideal é deixá-los em um canto confortável, sem isolamento, para evitar o desenvolvimento de condutas inadequadas.

Caso a coprofagia tenha origem em um distúrbio orgânico, apenas o veterinário tem condições de identificar o mal e propor o tratamento, que deve ser seguido à risca pelos tutores. Os problemas emocionais podem ser corrigidos pela própria família, ou, caso, ninguém tenha tempo e paciência, deve-se procurar o auxílio de um adestrador profissional.