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Cachorro não aguenta a saudade, foge de lar substituto e anda 40 km para reencontrar seus humanos

Ele estava em tratamento com amigos, mas não aguentou a saudade e fugiu de volta para casa. Andou por 40 km durante 9 dias.

Jou é um cachorro sem raça definida – um simpático vira-lata caramelo – que estava em tratamento de saúde em um lar substituto. Mas o peludo não aguentou as saudades de casa e percorreu 40 quilômetros até reencontrar a tutora.

Ele escapou da casa em que estava em tratamento e caminhou durante nove dias pela Rodovia BR 356 pelo norte do Rio de Janeiro, desde Campos dos Goytacazes até São João da Barra, onde mora com a tutora Leda Lisandro.

A aventura de Jou

Como é fácil de compreender, Jou é um cachorro extremamente leal à família. Ele foi levado de Atafona (um distrito de São João da Barra onde o rio Paraíba do Sul desemboca no oceano Atlântico) para Campos, em função de um problema no saco escrotal.

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O animal havia sido deixado em um local seguro – a casa de amigos de Leda –, para seguir o tratamento, receber os medicamentos e recuperar a saúde. Em uma madrugada fria do início de junho, no entanto, as câmeras de segurança da rua em que estava hospedado registraram a fuga de Jou.

Mas a saudade falou mais alto. Em poucos dias depois de ficar longe da tutora, ele conseguiu retirar o colar elisabetano (equipamento de proteção para cães e gatos, para que os pets não lambam feridas, retirem pontos e curativos, etc.). Em seguida, Jou pulou o muro da casa e ganhou a rua.

Na manhã do dia seguinte, os responsáveis pelo tratamento perceberam que Jou havia escapado. Teve início, então, um angustiante período de buscas. Afinal, além de estar doente, Jou não conhecia nada em Campos.

Foram feitas buscas a pé e de carro pelos arredores, sem sucesso. As saídas para procurar o cachorro eram constantes e os responsáveis postaram fotos nas redes sociais. Eles chegaram a cogitar de colar cartazes nos postes da cidade.

Foi então que Eduarda Ribeiro, uma amiga da família, voltando de São João da Barra para Campos, avistou Jou na estrada, próxima ao bairro Degredo. Ela tentou abordá-lo, mas o cachorro parecia agitado e ansioso.

Eduarda alertou prontamente o ex-marido de Leda, que também estava preocupado e ativamente envolvido nas buscas de Jou. Leda conta que as notícias da aparição do cachorro representaram uma renovação das esperanças: ele estava vivo e aparentemente bem, ainda que continuasse perdido.

O mais impressionante é que o cachorro conseguiu se orientar espacialmente para voltar à casa em São João da Barra. É um trecho reto na rodovia, mas ele não tinha como saber em que direção seguir, nem a quem pedir ajuda.

De volta para casa

A tutora intuiu que Jou estava tentando voltar para casa, na praia de Atafona. Ela havia se deslocado para Campos, na esperança de encontrar o cachorro na cidade – e não há dezenas de quilômetros de distância. Mas talvez o peludo estivesse apenas tentando voltar para casa.

Finalmente, em 12.07, nove dias depois da fuga, o filho de Leda acordou a mãe com uma chamada de vídeo. O jovem disse: “Mãe, Jou voltou para sua casa. Ele está embaixo do banco”. A tutora correu de volta para Atafona, para encontrar o fujão.

Nas redes sociais, Leda escreveu: “Meu Deus, é inacreditável. Ele fugiu de Campos no dia 3 de junho e chegou em nossa casa no dia 12. São 40 quilômetros de distância. O cheiro da maresia, o vento Nordeste e a saudade de casa o guiaram”.

A tutora continuou o desabafo, totalmente aliviada com a notícia do reencontro: “Jornada linda, altamente simbólica para mim. Poesia em vida. Esta história precisa ser contada e eu quero contá-la”. Rapidamente, Leda correu para reencontrar o melhor amigo, depois de tirar um peso enorme das costas.

Em uma última postagem sobre o assunto, a tutora escreveu: “Meu amor canino, Jou Boca Preta Lisandro, comedor de sandálias havaianas, bravo, pulador de muros, vira-lata legítimo! Voltou sozinho para casa, percorreu 40 quilômetros de uma estrada perigosa. Você é uma lenda, a sua vida me faz feliz”.

Para encerrar a história, Leda agradeceu a São Francisco de Assis, o santo católico padroeiro dos animais, a quem ela credita o fato de ter conduzido Jou são e salvo de volta para casa.

Com ou sem a proteção do santo, o certo é que Jou é um cachorro muito esperto. Ele demonstrou inteligência ao encontrar o caminho de volta para casa, mas principalmente demonstrou o amor que sente pela tutora, de quem nunca mais pretende se afastar.

Amaury Almeida Costa
Amaury de Almeida Costa ([email protected]) é redator publicitário há mais de 30 anos. Escreve para diversos blogs desde 2008. Presente nas redes sociais desde a época do Orkut, foi editor da revista Animanews, sucesso editorial do final dos anos 1990, que trazia informações sobre pets – além de cães, gatos e aves, trazia informações sobre répteis, anfíbios, peixes e invertebrados de estimação.
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