Empresa cria pijamas coloridos para pitbulls para ajudar a combater a má fama da raça

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A ideia da manufatura é criar pijamas coloridos e atraentes para reduzir a má fama dos pitbulls. 

A Pittie Clothing Co. é uma empresa de Illinois (EUA) especializada em roupas e acessórios para pitbulls. O site da manufatura apresenta a coleção de peças para “raças de valentões” – específicas para os bullies e assemelhados, como o american staffordshire terrier, o popular amstaff. 

A empresa pretende que os tutores de pitbulls vistam os cães com roupas atraentes e coloridas, para permitir que o lado doce e divertido dos animais seja visto por todos. Com isso, espera reduzir o estigma de “bad boys” que pesa sobre a raça. 

Além dos pijamas, que estão se tornando uma febre entre os americanos, a Pittie Clothing também fabrica macacões, camisetas, coleiras, colares e bandanas com estampas de arco-íris, cupcakes, rosquinhas, para revelar o lado fofo dos pitbulls. Os tutores também podem escolher peças para as duplas: tutor e cachorro podem se vestir com modelos parecidos. 

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Além de conquistar milhares de tutores de pitbulls e raças assemelhadas com os pijamas e outras peças, a Pittie Clothing colabora com a atuação de ONGs de defesas de animais, centros de resgate e abrigos americanos. Parte do faturamento é destinado à manutenção de grupos de bem-estar animal. 

A história 

Erin Crowley vive em Chicago, Illinois, uma das maiores cidades dos EUA, com quase três milhões de habitantes. Desde criança, Erin é obcecada por pitbulls e, atualmente, ela vive com Dougie, um cão da raça resgatado em um abrigo. 

Dougie não é o primeiro pitbull de Erin. Antes dele, a tutora dividiu a casa com Duncan, que morreu rapidamente depois de ter sido diagnosticado com um tipo de câncer raro e muito agressivo. Erin queria prestar uma homenagem ao amigo falecido. 

Também com estes dois cães, ela descobriu o preconceito que envolve a raça: os pitties seriam agressivos, traiçoeiros, desobedientes, incansáveis, destruidores. A tutora percebeu que alguns vizinhos até mesmo se recusavam a usar o elevador na companhia do cachorro. 

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Erin também percebeu que as opções de roupas para pitbulls disponíveis no mercado também contribuíam para a má fama dos cães: cores escuras, estampas com caveiras, armas, explosivos e até sangue. Ela entendeu que Duncan (e Dougie, depois dele) não merecia se vestir como um carniceiro sanguinário. 

Em tempo: Illinois, na região centro-leste do país, apresenta invernos congelantes. Entre dezembro e março, as temperaturas máximas não ultrapassam os 6°C, as médias são de 4°C negativos e, em apenas duas horas, as quedas podem atingir 12°C. Todos os moradores do Estado precisam de roupas muito, muito quentes. 

Erin queria encontrar roupas que combinassem com o espírito amigável e brincalhão do companheiro. Dougie é ágil como qualquer pitbull. Mas também é um pouco estabanado, com um ar de “pateta”, assim como Duncan. Definitivamente, roupas de guerra não combinam com ele. 

Nas pesquisas de roupas para pets, Erin não encontrou nada. A jovem decidiu, então, confeccionar as próprias peças, que valorizassem a beleza e também revelassem a graça e a camaradagem de Dougie. Pitbulls são cães quadrados, com tórax volumoso e cabeça grande e as roupas que cabiam em Dougie não eram fofas, nem engraçadas, nem angelicais. 

O pitbull foi inspiração e modelo e Erin usou os dotes de costureira para modelar e produzir as primeiras peças de roupas. Assim, nascia a Pittie Clothing. O objetivo inicial não era dar início a uma nova empreitada, mas a tutora mudou rapidamente de ideia. 

As fotos de Dougie vestido com as criações de Erin encantaram não apenas os amigos e outros tutores de pitbulls. Milhares de internautas curtiram e comentaram as imagens. Erin passou a aceitar encomendas e deu início a um novo negócio. 

Nas redes sociais, as opiniões não são unânimes: muitos comentários afirmam que as roupas não conseguirão modificar os preconceitos contra a raça. Outros internautas dizem simplesmente que as peças não combinam com os pitbulls, que devem ser mostrados como ágeis e viris, não como “animais fofinhos”. 

Mas muita gente se interessou pela iniciativa de Erin. Na visão desta empreendedora, pitbulls são coloridos, divertidos e bonitos. As roupas devem refletir essas características do comportamento. A tutora garante que as roupas mudaram a forma como pessoas estranhas passaram a olhar para Dougie. 

Erin afirmou para a reportagem da revista People: “Agora, eles perguntam: posso acariciar o cachorro? Isso me permite começar a falar sobre os cachorros do tipo pittie. Isso é muito bom, as pessoas passam a ver com outros olhos”. 

Há dois anos, Erin deixou definitivamente o emprego como instrutora e passou a dedicar-se em período integral à manufatura de roupas para pitbulls & cia. A iniciativa pode não eliminar o preconceito totalmente, mas faz alguma diferença – e a parte dos lucros destinada aos abrigos e centros de resgate certamente é muito bem aproveitada. 

Vale lembrar que, apesar de persistentes e teimosos, os pitbulls não são necessariamente hostis e agressivos. O comportamento canino depende principalmente do meio em que eles vivem e dos estímulos que recebem.