Educar cachorros não é difícil, mas muitos tutores cometem erros na hora de cuidar deles.

Trazer um cachorro para casa muda tudo. A rotina familiar nunca mais será a mesma com um peludo dando “palpites” na decoração, na rotina, na agenda dos tutores. Pets são excelentes companheiros, mas é preciso educar para que não se tornem inconvenientes. Mesmo assim, a maioria dos tutores cometem alguns erros bobos na hora de cuidar.

Cachorros se tornam membros da família. Para muitos tutores, são como filhos de quatro patas e, desta forma, merecem a melhor educação possível. No entanto, alguns erros humanos podem colocar a perder todo o aprendizado e atrapalhar o desenvolvimento físico e emocional dos pets.

Na observação do relacionamento entre os cães e os seus tutores, identificamos alguns erros comuns que dão muito trabalho para ser corrigidos; portanto, o melhor a fazer é evitá-los. O adestramento, no entanto, não é uma ciência exata: cada animal reage aos comandos de acordo com o seu temperamento. Veja algumas dicas que preparamos para você:

Erros na hora de cuidar dos cachorros

01 – Atrasar o início do adestramento

Filhotes são fofos, não importa o tamanho. As artes que eles aprontam são motivos de risadas e de muita ternura. Eles “ganham” facilmente os tutores com a curiosidade, a falta de coordenação e a dependência. Aliás, os cães se tornam dependentes dos tutores pela vida inteira.

Mas, por conta dessa fragilidade e insegurança, muitos tutores acabam tolerando certos comportamentos por tempo muito prolongado. Alguns veterinários, inclusive, orientam os humanos a deixar para começar o adestramento depois que os pets completarem seis meses.

Este é um dos erros mais comuns na hora de cuidar dos cachorros. Os peludos passam a “primeira infância” fazendo tudo o que lhes dá na telha. Convenhamos: tentar impor disciplina depois que hábitos inadequados estão mais ou menos consolidados é uma tarefa muito mais difícil.

Certamente, os filhotes deixarão escapar um xixi no meio da sala, roerão um chinelo desprotegido, roubarão guloseimas sempre que elas estiverem à mão (ou ao focinho). Tudo isso faz parte do aprendizado: é o método da tentativa e erro.

Mas, adiar o adestramento só faz consolidar condutas e atitudes inadequadas. Uma situação corriqueira é permitir que o filhote transite pela casa toda, suba no sofá e na cama, “porque ele é pequeno”. Mas, se for uma raça de grande porte (ou um mestiço grandão), o cachorro entenderá que pode continuar a fazer tudo o que fazia quando tinha três ou quatro meses de vida.

O adestramento precisa ter início logo que o cachorro chega à casa. Regras domésticas variam de lar para lar e não há nada errado em deixar o pet dormir no sofá ou mesmo na cama dos tutores, desde que estas condutas não atrapalhem o dia a dia da família.

Adiar o adestramento apenas facilita a fixação de comportamentos errados: fazer as necessidades em qualquer lugar, roer móveis, rosnar para estranhos, comer toda a refeição de uma vez, como se o mundo fosse acabar em poucos minutos. Modificar hábitos arraigados é muito mais difícil do que ensinar o que se espera do pet desde os primeiros dias da convivência.

Use sempre o adestramento inteligente, com o método positivo, de recompensas e prêmios sempre que o cachorro fizer o esperado. Ele deve receber petiscos, carinhos e palavras de incentivo. Com o tempo, os petiscos podem ser cancelados.

Felizmente para nós, cães são animais inteligentes e, acima de tudo, querem agradar a família humana, que eles consideram como os “líderes da matilha”.

02 – Esfregar o focinho no xixi

Centenas ou milhares de tutores tentam ensinar o lugar certo para fazer as necessidades esfregando o focinho do filhote na poça de urina deixada no tapete ou no corredor. Isso equivale a uma pequena tortura, se é que se pode mensurar o tamanho das torturas.

Em primeiro lugar, os tutores precisam se colocar no lugar dos cachorros: para eles, não existe “lugar certo” para as necessidades. Eles não sabem que a casa permanecerá em pé com décadas, nem identificam um provável agressor que possa localizá-los pelo cheiro da urina e faz fezes.

Certamente, eles aprendem rápido a fazer xixi e cocô no quintal ou na área de serviço, mas é preciso paciência. Dez ou quinze minutos depois da refeição, o tutor deve levar o cachorro ao local das necessidades, esperar, elogiar o filhote e premiar o comportamento. Ele associará o lugar ao carinho e passará a procurá-lo sempre que estiver apertado.

Veja também: Xixi no lugar certo: Como ensinar o cachorro

Tudo isso é um processo. Filhotes ainda não têm controle total dos esfíncteres e, vez por outra, acabarão fazendo xixi no meio da sala. Eles devem ser repreendidos (sem gritos: a audição canina é muito mais apurada do que a nossa) e levados para o quintal ou a área de serviço.

O lugar deve estar limpo e coberto com jornal (ou com tapete higiênico). Cubra metade do piso com o material, espere o pet fazer as necessidades, ofereça incentivos e gradualmente reduza a área. Eles aprenderão rapidamente.

Com duas semanas, os cachorros estarão condicionados. Quem adota um pet já adulto, o aprendizado é ainda mais fácil: ele já sabe que humanos não gostam que se faça xixi e cocô em qualquer lugar. Mesmo assim, ele ainda precisa descobrir qual é o lugar do “banheiro”.

O “esfregaço” do focinho é uma técnica dos adestramentos tradicionais, que impunham o comportamento desejado através da força. Ela pode funcionar com alguns pets, mas apenas porque eles ficam aterrorizados com a ideia da violência, não porque querem agradar os humanos da família.

Lembre-se: os cachorros associarão o “banheiro” aos odores que ficarão impregnados. Por mais que o local seja higienizado, os pets conseguem identificar o cheiro característico. O lugar indicado pelos tutores deve ficar longe da cama e das tigelas de água e ração, porque ninguém aprende a fazer xixi na cozinha ou no quarto.

03 – Adiar os primeiros passeios

Os veterinários são unânimes em recomendar que os cães só saiam de casa para os primeiros passeios 15 dias depois de tomarem os reforços das primeiras vacinas. Também é importante que eles estejam vermifugados, porque fatalmente irão cheirar o cocô deixado por colegas que passaram pelo local anteriormente (e não têm tutores responsáveis para recolher os dejetos das vias públicas).

Certamente, não se deve expor os pets a doenças infectocontagiosas. A imunização é importante e precisa estar em dia. A vacinação só é completa, no entanto, por volta dos quatro meses de vida, com a aplicação da vacina antirrábica.

O que fazer, então, com os filhotes presos em casa? Os tutores podem deixar que eles observem a janela do muro ou de uma janela, para que eles se acostumem com o movimento. Com os animais pequenos, é possível dar uma voltinha – até a esquina, por exemplo – com o pet no colo.

Do contrário, os primeiros passeios se tornarão uma aventura apavorante: dezenas de estranhos indo de um lado para o outro, sem nenhuma lógica aparente, quase todos muito maiores do que o pet.

Quem tem carro também pode passear com o cachorro, sem que ele entre em contato com outros pets no trajeto. É importante seguir as regras de trânsito e acomodar o pet de forma que ele possa observar o movimento sem se expor a riscos desnecessários – como ficar com a cabeça para fora da janela, por exemplo.

04 – Deixar o cachorro puxar a guia

O cachorrinho chegou, as vacinas e vermífugos estão em dia, os comandos básicos estão mais ou menos assimilados. Chega a hora dos primeiros passeios, que são fundamentais para a educação e bem-estar.

O passeio é um momento de diversão, de estreitamento dos laços entre o cachorro e o tutor, de socialização com as pessoas e outros animais estranhos que andam pelas ruas. Também é imprescindível para o desenvolvimento físico e a manutenção da boa forma.

Alguns peludos, no entanto, são naturalmente dominantes. Em uma ninhada, sempre nascem um ou dois filhotes que querem ser os “reis do pedaço”. Este temperamento tende a ser reproduzido com a família humana.

Um dos sinais da dominância é o cachorro que quer decidir para onde ir durante os passeios. Ele puxa a guia, corre quando quer, arrasta o tutor, coloca-se em risco e pode provocar acidentes com outras pessoas.

Em “101 Dálmatas”, um clássico dos estúdios Disney (1961), o casal Anita e Roger se reúne – e vive feliz para sempre – graças às artimanhas dos cães Prenda e Pongo. A cena pode ser engraçada no cinema, mas é preocupante na vida real.

Cães aprendem por associação: se eles puxarem a guia e conseguirem ir para onde querem – um canteiro, um poste, um carro estacionado, etc. –, eles naturalmente tenderão a repetir o comportamento sempre que quiserem ou precisarem de alguma coisa.

Os pets precisam aprender os comandos básicos em casa. “Para”, “fica”, “junto”, etc., devem ser ensinados logo que eles são adotados. As palavras não importam: cães não falam português, mas entendem o significado das ordens.

Durante os passeios, eles precisam aprender a caminhar com a guia frouxa, balançando entre a presilha da coleira e a mão do tutor. Todas as vezes em que eles puxarem a guia, o tutor deve parar a marcha e permanecer parado até que a guia esteja novamente frouxa.

Eles rapidamente entenderão que não adianta tentar puxar, porque o resultado esperado não surgirá. Outra estratégia fácil é andar em zigue-zague (se as calçadas da cidade permitirem o movimento). Os pets passarão a prestar mais atenção aos movimentos dos tutores e ao trajeto percorrido.

Tudo isso deve ser feito sem machucar o cachorro. As coleiras mais indicadas são as peitorais, presas nos braços e tórax do animal. Coleiras do tipo enforcador devem ser usadas apenas durante treinamentos específicos, por adestradores profissionais.

05 – Estimular o medo

Os cachorros apresentam alguns medos atávicos, herdados dos seus ancestrais. É o caso, por exemplo, do medo de barulhos muito altos ou prolongados, que despertam os alarmes naturais da espécie.

O trovão, por exemplo, é o prenúncio de uma chuva forte, com descargas elétricas que podem provocar incêndios. Na natureza, as tempestades causam deslizamentos mais ou menos graves: é preciso estar atento para garantir a própria sobrevivência.

Os pets não entendem o funcionamento de para-raios, nem sabem que a caverna em que nos abrigamos – a nossa casa – é segura contra ventos, relâmpagos e enxurradas. Nós construímos casas e cidades: eles apenas usufruem, sem saber exatamente o nível de segurança e estabilidade.

Muitos tutores, no entanto, se divertem com o medo dos pets, que se escondem da chuvarada, mesmo estando totalmente seguros no ambiente, inclusive na casinha instalada no quintal, com todas as medidas necessárias.

O medo, no entanto, além de ser desagradável, provoca reações orgânicas que prejudicam a saúde. O cortisol e a adrenalina, hormônios cuja produção aumenta em situações de emergência, altera a circulação sanguínea e os batimentos cardíacos.

Às vezes, os tutores só querem proteger os pets. Quando a chuva aperta, eles correm para pegar o cachorro no colo, em um movimento instintivo natural. Alguns tutores também têm medo de chuva, mesmo que ele seja injustificado.

Estas atitudes apenas aumentam o receio natural e podem gerar fobias. O medo do trovão se estende para o barulho de fogos de artifício ou de descargas de escapamentos automotivos. Qualquer ruído estranho se torna fonte de ansiedade.

O medo é natural e precisa ser respeitado, mas nunca ampliado. Algumas raças caninas desenvolveram a capacidade de natação, mas a espécie não é aquática. Os tutores podem ampliar o medo do banho – inclusive transformando a higiene em castigo.

Alguns tutores transmitem o próprio medo. Além das trovoadas, muitos humanos têm medo de médicos e sentem-se desconfortáveis nas consultas com o veterinário – o que só faz o pet passar a ter pavor da presença de qualquer pessoa com jaleco branco (ou alguma coisa equivalente).

Mesmo sem querer, estes tutores geram um mal-estar totalmente desnecessário, que nem por isso deixa de ser prejudicial à saúde emocional, física e ao equilíbrio dos cachorros. É importante agir naturalmente frente às ameaças – sejam elas reais ou aparentes.

Os tutores são os líderes do grupo e, como tal, devem transmitir segurança e tranquilidade. Na chuva ou no consultório do veterinário, devem agir com naturalidade, como se nada estivesse fora do normal (e não está). O banho é uma medida de higiene e deve ser realizado com brincadeiras, para que os pets se acostumem. Alguns passam a vida inteira apenas tolerando o chuveiro (ou a mangueira), mas é preciso que eles encarem a atividade como fazendo parte da rotina.

Trovões e fogos de artifício podem ser antecipados. Se é dia de final do campeonato ou se o céu está escurecendo, armando um temporal, é importante envolver o pet em brincadeiras e situações agradáveis.

Caso seja necessário, grave os sons (é possível baixar arquivos de tempestades e comemorações ruidosas na internet) e reproduza em momentos calmos e prazerosos, aumentando o volume até que ele seja incorporado ao cotidiano dos pets.

06 – Tratar o cachorro como um bebê

Muitos tutores, especialmente quando adotam cães de pequeno porte – como lhasa apso, yorkshire terrier, shih tzu, chihuahua, lulu da Pomerânia, etc. – confundem as coisas e passam a tratar os pets como se fossem humanos.

O problema é que cachorros não são humanos. Eles são cachorros e devem ser tratados desta forma. Um gato não gostaria de ser tratado como um hamster, nem um furão como se fosse uma calopsita. Espécies diferentes requerem tratamentos diferentes.

Não há nada errado em mimar os pets. Eles adoram carinho, colo, todas as frescuras que os tutores puderem e quiserem prodigalizar. O errado é encará-los como bebês humanos, que têm outras necessidades e desejos.

Todos os cães são naturalmente protetores, independente do porte que exibam. Foram os cruzamentos seletivos praticados por décadas e séculos que os tornaram pequenos – nem sempre para que parecessem frágeis e delicados.

O yorkie, por exemplo, adquiriu o porte e a pelagem longa, fina e sedosa para que pudesse internar-se nas galerias das minas de carvão de Yorkshire (Inglaterra), na caça de roedores. Os gatos, que executaram esta tarefa nos silos de grãos, não se dispuseram a perseguir ratos e marmotas nas minas escuras e frias.

O chihuahua, a menor das raças caninas, não sabe o tamanho que tem. Ele é valente e está sempre pronto a defender a família – mesmo que a defesa se resuma em alguns arranhões e ferimentos leves causados pelos dentinhos.

O lulu da Pomerânia, talvez o maior exemplo de fofura canina, é um excelente guardião. Quem tem mais de um cachorro em casa sabe que o pequeno spitz (outro nome da raça) é o primeiro a alertar sobre ruídos estranhos ou movimentos fora da rotina.

Todos eles mantêm a inteligência canina instintiva: são defensores, gregários e profundamente leais aos tutores. São cachorros, os melhores amigos dos humanos.

Isto não significa que o cachorro não possa ser enfeitado com roupas, laços de fita e ornamentos diversos.

Desde que os acessórios não atrapalhem os movimentos, eles podem ser bem-vindos. Mas os tutores precisam ficar atentos e não cair no erro de pensarem que os pets são bebês. Eles precisam correr, saltar, morder, brincar como qualquer outro – mesmo que o salto seja de apenas um palmo do chão.

07 – Fazer companhia em excesso

Especialmente entre os tutores que adotam o primeiro cachorro na vida, é natural procurar incorporar o pet ao máximo possível de atividades. A companhia em excesso, no entanto, pode ser extremamente prejudicial.

Os cães precisam aprender que eles passarão alguns momentos do dia sozinhos. Afinal, os tutores precisam trabalhar, estudar, fazer compras, se divertir com outras companhias. É importante estar ciente de que não se trata de um abandono.

Evidentemente, ninguém deve adotar um cachorro se a agenda lotada impede que haja um período adequado de convivência: os peludos precisam passear, brincar, ficar ao lado dos tutores para se sentirem amados, protegidos e necessários.

Os cães não podem ficar sozinhos por períodos prolongados, sem nada para fazer. A solidão e o ócio podem desenvolver condutas inadequadas: os pets começam a destruir objetos, a latir e uivar – atrapalhando os vizinhos e prejudicando a boa convivência – e chegam a desenvolver doenças emocionais e físicas.

Mas, os filhotes devem se acostumar com a ausência dos tutores. O ambiente precisa ser preparado com brinquedos, alimentos e qualquer coisa que distraia a atenção dos pets: uma roupa do tutor, uma TV ou rádio ligado por alguns instantes, objetos novos para serem explorados, etc.

Para evitar (ou atenuar) os latidos, caso você esteja em um cômodo e o cachorro começar a fazer barulho “exigindo” a sua presença, só vá até ele depois que ele parar de latir. Mais uma vez, os cachorros aprendem por imitação: se eles forem atendidos sempre que latirem (ou chorarem), eles repetirão a atitude. Se o comportamento não der resultados, eles simplesmente tentarão outras estratégias mais saudáveis.

08 – Alimentar errado

Muitos tutores desconfiam das rações industrializadas e decidem “complementar” a alimentação dos pets. Não há nada de errado em oferecer comida caseira para os peludos: é uma tarefa adicional, que requer tempo e paciência.

Se você decidir fazer comida caseira, lembre-se de que cães são animais carnívoros: por isso, a alimentação deve ser composta por 80% de carne, suplementados por cereais ou leguminosas (arroz, lentilha, etc.) e algum outro vegetal. Tudo cozido sem sal, com um mínimo de óleo.

As rações, no entanto, não precisam de suplementos. Desde que se escolha um produto de qualidade, indicado para a faixa etária e porte do peludo, oferecido na quantidade indicada pelo fabricante ou pelo veterinário, não é necessário acrescentar caldos e molhos.

Mas os cachorros, apesar de terem relativamente poucas papilas gustativas, podem se acostumar com raçoes regadas com caldo de carne, por exemplo, e recusar qualquer outro alimento. Quanto mais tempo eles receberem as refeições “enriquecidas”, mais difícil será acostumá-los com a ração pura.

Seja como for, nunca use caldos e molhos prontos. Os produtos industrializados, na maioria, apresentam um teor excessivo de sal e condimentos, que destruirão o sistema excretor dos pets (rins, ureteres e bexiga) em poucos anos.

O ideal é acostumá-los desde filhotes a comerem a ração mais indicada, com alguns petiscos oferecidos como recompensa. Estes produtos suprem todas as necessidades nutricionais, são práticos e facilitam o dia a dia. Eventualmente, o veterinário poderá sugerir um acréscimo ou substituição, mas, fora desta orientação, não é necessário “melhorar” a comida dos pets. E pode ser prejudicial.

09 – Dar comida humana

Os cachorros, ao longo da convivência com os humanos, se especializaram em fazer caras e bocas para demonstrar as necessidades e desejos. Eles arregalam ou apertam os olhos, mostram os dentes em um sorriso, movimentam as orelhas (uma habilidade que poucos humanos possuem).

Com todas essas micagens, fica difícil resistir aos apelos insistentes quando a família está reunida para a refeição e o “coitadinho do cachorro” não tem nada para comer. Mas, os tutores precisam negar qualquer alimento fora de hora.

A solução mais simples é ignorar os olhares súplices. Se for necessário, o pet deve ser retirado do ambiente em que a refeição está sendo feita, mas o ideal é que ele se acostume a ficar ao lado, sem pedir nada. Se ele fizer isso, pode até receber um petisco (apropriado para cães) esporadicamente.

Cachorros bem alimentados, com ração de qualidade, com todos os nutrientes necessários para o bom desenvolvimento e manutenção da saúde, na medida indicada para o porte e a idade, não precisam de lanchinhos.

Eles podem receber alguns petiscos – especialmente como prêmio durante a fase inicial do aprendizado – e ser contemplados com algumas surpresas pouco calóricas, duas ou três vezes por semana. O excesso de guloseimas leva ao ganho de peso, com sérias consequências para a saúde.

Além disso, a comida humana não é indicada para os cachorros. A dieta canina não prevê o acréscimo de condimentos, sal e óleos vegetais. Tudo isso prejudica a qualidade de vida e, no médio prazo, pode significar problemas sérios.

10 – Dar bronca

Cada tutor tem as próprias características para ensinar os cachorros. Alguns são mais carinhosos, outros mais ríspidos no adestramento, e nada disso está errado. Ninguém precisa “trocar de personalidade” ao adotar um cão.

Mas apenas dar bronca não acrescenta nada ao aprendizado. “Sai daí”, “para com isso” e outras expressões cotidianas são totalmente desprovidas de sentido para os cachorros. Eles apenas intuem que os tutores estão chateados ou bravos, mas não conseguem descobrir os motivos.

A bronca deve estar sempre associada a um comando. “Aqui não é lugar para fazer xixi” precisa sempre estar acompanhada da disposição para levar o cachorro até o lugar certo, mostrar e esperar que a natureza cumpra o seu papel.

Tenha sempre alguma recompensa à mão. Se o cachorro começa a roer o tapete ou a almofada, simplesmente figa “não” em tom firme (é um dos comandos básicos mais fáceis de ser ensinado). Caso ele não repita o comportamento nos instantes seguintes, premie-o com um biscoito ou outra coisa qualquer.

A recompensa não precisa ser necessariamente um alimento. A maneira mais fácil de garantir um bom adestramento é o prêmio em biscoitos, mas eles devoram a “conquista” em segundos, sem bem mesmo saboreá-la.

Os bons hábitos devem ser premiados com palavras de incentivo, gestos de carinho e muita aprovação por parte dos tutores. No final, a recompensa será a própria presença amistosa dos tutores. E os cachorros ficarão felizes por ter contribuído com a paz doméstica.

Vamos repetir: os cachorros aprendem por associação. De nada adianta dar bronca, se a conduta desejada não for demonstrada – e se o pet não perceber uma vantagem em atender ao comando.

Outro erro comum é oscilar nos comandos. Em um dia, o cachorro pode refestelar-se na cama dos tutores; no outro, não podem nem pisar no tapete da sala. O aprendizado não é possível nestas condições.

Pode parecer impossível que isso ocorra, mas quase todos nós damos bronca quando o cachorro entra na sala com as patas sujas, ou pisoteia o chão recém-encerado ou lavado. É preciso ter em mente que ele não entende essas preocupações humanas. Se ele não deve entrar com as patas sujas, limpe-as antes de franquear o acesso.

Com o tempo, o cachorro poderá surpreendê-lo, esperando na porta para entrar até que você passe o pano úmido: é um mistério para ele, mas os cachorros fazem de tudo para nos agradar: até mesmo limpar as patas.

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