Sem-teto doa casaco para cachorro de rua e os dois conseguem abrigo

Este sem-teto foi visto agasalhando um cachorro com seu casaco. A história tem um final feliz.

Um empresário de São Paulo trafegava pelas ruas da região sul da cidade quando observou uma cena curiosa e comovente. Em um dia frio e úmido, Gabriel Pego viu um sem-teto agasalhando o cachorro com o próprio casaco, a única peça que tinha para se proteger.

O homem estava aparentemente machucado, mas não se incomodou em tentar proporcionar um pouco de conforto ao cachorro com a única roupa de frio que tinha ali à disposição. Os dois sem-teto sobreviviam com esmolas e com a venda de material reciclável.

A imagem

Gabriel estava parado em um sinal de trânsito quando observou o gesto do sem-teto. Ele decidiu parar para conversar e descobriu tratar-se de um homem chamado Sebastião, de 57 anos, que há seis vive nas ruas de Santo Amaro, um bairro tradicional da capital paulista.

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Apesar da violência e dos riscos a que está constantemente exposto, Sebastião não perdeu a capacidade de ajudar o próximo. Ele caminha pelas ruas ao lado de Negão, mais um personagem do abandono a que é relegada parte da população da metrópole.

O empresário tirou uma foto da dupla com o celular e publicou a imagem nas suas redes sociais, contando um pouco da história de Sebastião e Negão. No Instagram, Gabriel escreveu:

“Aquela imagem encheu meus olhos de lágrimas. Era uma mistura de sentimentos: tristeza e alegria. Tristeza por estarem ali, sem ter ninguém para olhar para baixo e perguntar se está tudo bem. Já a alegria surgiu por conta do companheirismo, de quem se dispôs a passar frio em troca do bem-estar do companheiro.”

Mudando de vida

Gabriel estava decidido a mudar a vida de Sebastião: alguém capaz de tanto desprendimento para confortar um amigo merece melhores oportunidades na vida. Ele entrou em contato com o grupo Razões para Acreditar e contou a parte da história que descobriu sobre o sem-teto.

Razões para Acreditar é um portal de boas notícias. O grupo, criado em 2012, é especializado em histórias inspiradoras. O projeto de marketing social tem realizado diversas campanhas de promoção e bem-estar social.

Alguns membros do grupo resolveram procurar Sebastião e conhecer um pouco mais sobre a história do sem-teto. Eles descobriram que o homem tinha sido casado por mais de 25 anos, mas, com a separação, enfrentou um quadro de depressão, que se agravou com o alcoolismo.

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Sebastião trabalhava como camelô. Ele não frequentou escola regular e mal sabe ler e escrever. A ex-mulher vive com o filho do casal na capital paulista, mas o jovem é portador de transtornos mentais e os tratamentos consomem os poucos recursos da antiga família.

O sem-teto vive de esmolas, do pouco dinheiro obtido com o recolhimento de material reciclável e com a ajuda de uma irmã, que também trabalha como camelô. Os recursos financeiros são insuficientes para uma vida digna.

Sebastião conheceu Negão em suas andanças por Santo Amaro. Certa noite, o sem-teto viu o cachorro revirando o lixo em busca de alguma coisa para comer e, desde então, a dupla nunca mais se separou. Negão é a referência de afeto familiar para o morador de rua.

De acordo com o sem-teto, não foi ele quem adotou Negão: foi o cachorro que o adotou. Nos últimos anos, tudo que Sebastião consegue é dividido com o amigo – da comida às roupas, como ficou demonstrado na foto clicada pelo empresário.

O grupo Razões para Acreditar publicou informações sobre Sebastião e Negão e organizou uma vaquinha eletrônica para obter alguns recursos. Em apenas um mês, os internautas doaram o suficiente para que a dupla pudesse se instalar em uma casinha na periferia da cidade.

Os ativistas sociais também conseguiram encaminhar Sebastião ao CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), um serviço municipal que acolhe e trata pessoas, sem recursos financeiros, portadoras de transtornos psíquicos.

O antigo sem-teto foi cadastrado e, com o tratamento, poderá superar o alcoolismo. As perspectivas são as melhores possíveis: Sebastião e Negão estão abrigados em um endereço fixo e, com a terapia, o homem poderá se reinserir no mercado de trabalho, conquistando qualidade de vida.

Sebastião e Negão formam um exemplo de que é possível garantir dignidade a todos os cidadãos, independentemente dos eventuais distúrbios e transtornos de que sejam portadores. Muitas vezes, basta apenas um olhar. O grande problema, talvez, é que os moradores de rua, na maior parte do tempo, são invisíveis.

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