Carvão ativado: um antídoto para casos de envenenamento

Confira como o carvão ativado pode auxiliar em casos de envenenamento de pets.

Por mais que os donos sejam cuidadosos, cães e gatos continuam sendo muito curiosos. Medicamentos, adubos e pesticidas ou produtos de limpeza, sempre tóxicos, podem provocar danos severos a saúde dos pets. Por isto, manter carvão aditivado na “farmacinha” é uma providência fundamental.

Os produtos de uso doméstico que causam o maior número de intoxicações em animais de estimação – que podem levar ao envenenamento e até à morte – são os seguintes:

• bebidas alcoólicas;

• amônia (presente em fertilizantes, produtos farmacêuticos e como gás refrigerante de câmaras frigoríficas e aparelhos de ar-condicionado);

• água sanitária;

• detergentes;

• lustra-móveis;

• limpadores de forno;

• chocolates.

A caça é uma atividade natural para os nossos pets – eles são naturalmente predadores, por mais que corte o nosso coração quando identificamos um passarinho morto pelo nosso cão ou gato (em algumas situações, eles trazem a presa como um tributo para nós – uma forma especial de reconhecimento aos nossos cuidados). No entanto, em alguns casos, eles podem caçar animais infectados e, ao comê-los, ingerir venenos.

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Mesmo as picadas de animais peçonhentos – ou mesmo de mosquitos – muitos animais de estimação são alérgicos – podem provocar reações contra estas toxinas. Isto sem contar os vizinhos maldosos, incomodados com latidos ou miados, sempre “armados” com chumbinhos – que podem provocar envenenamentos.

O carvão ativado pode atuar como antídoto até a chegada do socorro veterinário. Infelizmente, a legislação brasileira não serve para barrar a prática de maus tratos contra animais: a pena para este crime é de apenas até três meses de detenção, sempre convertida em prestação de serviços comunitários – isto, se o processo for concluído (em geral, ele é encerrado por falta de provas).

O chumbinho

Em tempo: o chumbinho é um produto clandestino utilizado para combater a infestação de ratos. O produto não tem registro na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas é largamente utilizado no país.

O princípio ativo mais utilizado é o carbamato aldicarb (um defensivo agrícola), que provoca vômitos, prejudica tecidos e órgãos abdominais e reduz a capacidade de defesa do organismo em humanos e animais de estimação que os ingiram acidentalmente.

Um aviso para quem quer combater os ratos: o chumbinho não é um rodenticida eficiente. Na hierarquia desta praga de roedores domésticos, os animais mais velhos são sempre os primeiros a se alimentarem. Ao ingerir o chumbinho, os ratos idosos morrem quase imediatamente (quase sempre ao lado do alimento envenenado), mas os mais jovens rejeitam o alimento. A ANVISA recomenda o uso de anticoagulantes, que provoca morte mais lenta.

O antídoto milagroso: O carvão ativado

O carvão ativado é barato, facilmente encontrável e sem contraindicações. O produto apresenta uma eficácia surpreendente contra casos de envenenamento e é conhecido desde a Grécia antiga. Trata-se de um material de carbono bastante poroso, com capacidade para coletar líquidos, gases e impurezas para o interior dos seus poros.

O produto é obtido através da queima controlada (e incompleta) de certas madeiras, com baixo teor de oxigênio, a uma temperatura entre 800°C e 1.000°C. O carvão ativado também é obtido a partir da queima de ossos de boi, cascas de coco e de cortiça – estes produtos apresentam excelente capacidade de filtragem, desodorização e remoção de radioativos e tóxicos.

Não é sem razão que utilizamos o carvão ativado para eliminar odores em geladeiras e também em aquários de água doce e salgada. Todas as impurezas se acumulam nos poros do produto em pó, em tocos ou em drágeas (indicado para o controle do excesso de flatos, e também a forma mais prática para combater envenenamentos).

Cães e gatos podem ingerir o carvão ativado sem nenhum dano para a saúde. O produto absorve as impurezas acumuladas no trato gastrointestinal, que são naturalmente eliminadas com as fezes. Isto, naturalmente, não elimina a necessidade de apoio médico.

O uso do carvão ativado

O carvão ativado é eficaz mesmo quando administrado horas depois do envenenamento. Além de não haver contraindicações, também não há riscos de overdose, uma vez que a substância não é armazenada nos organismos animais.

Em situações de sobrevivência – como é o caso de combate a sinais de envenenamento –, cães e gatos procuram ingerir vegetais. A razão é simples: estes alimentos ampliam a carga de fibras solúveis no sistema digestório, que absorvem parte das toxinas.

No entanto, cães e gatos estão bastante distanciados do seu habitat natural: a savana. Em ambientes urbanos, eles podem tentar aliviar os problemas gástricos ingerindo plantas tóxicas, como samambaias, comigo-ninguém-pode, copo-de-leite, coroa-de-cristo, bico-de-papagaio, entre outras.

Os sintomas mais comuns, em casos de envenenamento, são os seguintes:

  • dificuldade de respirar;
  • salivação excessiva;
  • secreções bucais;
  • vermelhidão na língua e mucosas da boca;
  • enjoos e vômitos;
  • diarreia;
  • inchaços (especialmente notáveis no pescoço e no abdômen).

Tome cuidado:

no caso de carbamatos (o chumbinho é o mais comum), cães e gatos ficam agitados, apresentam contrações abdominais, salivação e podem entrar em coma:

organofosforados (adubos e agrotóxicos que persistem no meio ambiente) provocam fraqueza nos membros posteriores, dificuldade respiratória, tremores musculares, salivação e aumento do volume de urina e fezes;

raticidas anticoagulantes causam letargia, vômitos, tremores musculares, hemorragias internas (visíveis em inchaços e na presença de sangue na urina e fezes) e gengivas pálidas. No médio prazo, estes produtos determinam perda de pelos, feridas cutâneas e anemia;

Em casos mais graves, cães e gatos podem apresentar hemorragias, alterações do ritmo cardíaco, tremores (o animal pode nem conseguir ficar de pé) e até convulsões ou perda dos sentidos. Os proprietários responsáveis não podem perder tempo devem agir rapidamente, para evitar desconfortos, sequelas e até mesmo a morte dos animais de estimação.

Outros sinais não devem passar despercebidos: sem um animal é normalmente assustadiço e passa a não notar fogos de artifício ou freadas violentas de automóveis, alguma coisa está errada. Roncos e outros ruídos também podem indicar casos de envenenamento. Qualquer mudança brusca de comportamento deve ser avaliada pelo responsável pelo pet.

Verifique se há sinais de pelos queimados (que podem ter sido provocados pela ingestão de produtos cáusticos) ou corpos estranhos na garganta, que podem prejudicar a respiração, inclusive provocando a inconsciência – neste caso, eles devem ser retirados imediatamente e, se possível, identificados, para posterior relato (ou apresentação) ao veterinário.

Os cuidados básicos

Ao perceber que o seu cão o gato ingeriu alguma substância tóxica e, por isto, apresenta sintomas de envenenamento, você deve:

• provocar vômito (caso o animal esteja consciente), com um palito ou mesmo com os dedos. Esta providência, no entanto, não é indicada no caso de ingestão de substâncias causticas, porque o refluxo provoca inflamação ainda maior nas vias aéreas;

• dar carvão ativado;

• procurar socorro veterinário imediato.

O uso de leite é contraindicado. Além de não ser indicado para cães e gatos adultos, o leite é eficiente apenas nos casos de envenenamento por substâncias ácidas (se forem básicas, o leite agirá como elemento potencializante, fazendo o veneno agir mais rapidamente), uma vez que o suco gástrico de cães e gatos é mais básico;

Os animais, em casos de envenenamento, sempre têm sede. Desta forma, torna-se fácil ministrar comprimidos de carvão aditivado diluído na água. No entanto, caso o pet resista a beber a água, é sempre possível empurrar um pouco de pó de carvão “goela abaixo”.

De qualquer forma, como diz o ditado, é sempre melhor prevenir do que remediar. Assim, o proprietário responsável deve tomar algumas providências:

• manter medicamentos, inseticidas, defensivos agrícolas, produtos de limpeza e higiene (e produtos químicos em geral) em locais inacessíveis aos cães e gatos;

• utilizar regularmente produtos contra carrapatos e pulgas para os pets, assim como artigos similares para o ambiente (vale lembrar: 90% destas pragas estão no ambiente e apenas 10% nos animais de estimação);

• respeitar a dosagem indicada pelo fabricante para o controle de pragas. “Dobrar a dose” não aumenta a imunidade e pode provocar danos tóxicos;

• tomar cuidado com o lixo: o descarte de produtos potencialmente danosos (inseticidas, medicamentos humanos ou veterinários, adubos e defensivos agrícolas) deve ser controlado, preferencialmente com a coleta seletiva do lixo.

É importante observar que o carvão ativado não é uma panaceia: o produto não pode eliminar (ou aliviar) todos os sintomas de envenenamento. Trata-se de uma medida emergencial, até que uma avaliação clínica possa identificar os sintomas e determinar a melhor terapêutica.

O carvão ativado (preferencialmente em comprimidos) deve ser administrado tão logo se verifiquem os sinais de envenenamento: em 30 minutos, a substância consegue absorver boa parte das toxinas – o suficiente para procurar o socorro médico.

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