Cachorro abandonado carrega a tigela aonde quer que vá

Este cachorro de rua foi flagrado por uma produtora de TV. Ele sempre carrega a tigela de comida.

Um cachorro foi flagrado perambulando pelas ruas de Detroit, uma cidade no Estado de Michigan (norte dos EUA), às margens do lago St. Clair, na divisa com o Canadá. Apesar de ser uma das cidades mais ricas do país, Detroit também produz desigualdades.

Seria apenas mais um cachorro vadio e faminto, tentando sobreviver por mais um dia no inverno gelado de Detroit, se não fosse por uma característica: ele nunca deixava de lado a tigela de ração, na esperança de ganhar “o pão nosso de cada dia”.

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O cachorro e a tigela

É muito provável que, antes de se tornar um cachorro de rua, este peludo tenha tido uma família, com a qual aprendeu a pedir alimento. Ao avistar os tutores, tudo que ele precisava fazer era erguer a tigela.

Os bons tempos, no entanto, chegaram ao fim. Não se sabe por que motivo, o cachorro foi abandonado. Ele não deixou o hábito e continua carregando a tigela aonde quer que vá, imaginando sempre que algum humano bondoso possa enchê-la de ração – ou mesmo de restos de comida.

A gravação

O cachorro de rua foi filmado por uma equipe da World Animal Awareness Society (WA2S, sigla em inglês para sociedade mundial para conscientização animal). Trata-se de uma entidade que produz vídeos sobre resgate, abrigo e adoção de animais.

A WA2S especializou-se em filmar animais abandonados que sirvam como exemplos da necessidade de garantir a sua subsistência. Os vídeos são transmitidos em diversos programas nas redes sociais e na TV por assinatura nos EUA.

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Em mais um dia de filmagem, um repórter cinematográfico encontrou este cachorro, que demonstra claramente a dependência dos peludos em relação aos humanos. Ele caminhava pela rua com a tigela na boca.

A imagem é realmente comovente. A equipe seguiu o peludo e pôde registrar a dura vida dos cachorros de rua. Ele perambula por Detroit sem rumo certo, tentando encontrar quem possa satisfazer uma necessidade básica: matar a fome.

O pessoal da WA2S estava há dias tentando registrar os hábitos de uma matilha acampada em um subúrbio da cidade. O objetivo era mostrar a rotina dos animais, com a busca por água, comida e abrigo, as tentativas de estabelecer uma hierarquia, as brigas pelo lixo – e também por parceiros sexuais.

A imagem do cachorro carregando a tigela, no entanto, enterneceu a todos. Os cães são capazes de aprender diversos truques, mas quase sempre precisam da interação humana para repetir os gestos. Este peludo, no entanto, continuava, dia após dia, arrastando a tigela.

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O cachorro provavelmente identificou os humanos que estavam seguindo a matilha e lembrou-se de uma estratégia que sempre surtia efeito quando ele ainda tinha uma família: mostrar a tigela vazia para os humanos à sua volta.

Apesar de não estar preparada para a circunstância, a equipe da WA2S mobilizou-se para arranjar comida, não apenas para o cachorro que estava pedindo, mas para todos os seus companheiros. Um dos membros relatou, no documentário:

“Descobrimos este cão e seus amigos ocupando algumas casas abandonadas em Detroit, enquanto trabalhávamos em uma parceria com o American Strays Project. Ele caminhou à frente de cinco casas diferentes, mostrando a tigela vazia, à espera de algum alimento.”

Os cães da matilha, no entanto, ainda não foram resgatados. A WAS2 apenas os alimentou por um dia e comunicou a localização dos animais aos centros de resgate da região, esperando que eles sejam abrigados, tratados e encaminhados para adoção.

Peludos nas ruas

Estima-se que, nos EUA, haja 70 milhões de animais abandonados vivendo nas ruas, por sua própria conta e risco (no Brasil, são 30 milhões, dois terços dos quais são cachorros). Por isso, é muito comum avistar animais vadios.

Eles são inclusive um risco à saúde pública, mas, mais do que isso, são criaturas sofrendo em silêncio. O fato de haver mais cachorros do que gatos nas ruas não significa que os cães sejam mais azarados: apenas que os felinos são menos resistentes aos perigos e morrem com mais facilidade.

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Esta é uma situação deplorável, principalmente quando consideramos que cães e gatos foram domesticados para facilitar a nossa vida. Etimologicamente, “domesticar”, que deriva do latim “Domus”, significa “trazer para casa”.

Ao contrário de grande parte dos humanos, os animais não têm meios próprios de subsistência. Eles não sabem ganhar direito, nem ter acesso aos recursos materiais que garantem um mínimo de conforto e dignidade.

Sem a ação humana, para os cães e gatos, é muito difícil sobreviver. Eles encontram alimentos no lixo, mas quase sempre inadequados à sua nutrição. E, uma vez abandonados, não há ninguém para garantir a saúde e bem-estar. Isto sem falar do equilíbrio emocional e o desenvolvimento cognitivo.

Não existem animais de rua, apenas cães e gatos que foram jogados fora, como se fossem objetos inúteis, e não seres vivos com vontades e necessidades.

Todos podem fazer alguma coisa para reduzir o problema: adotar, doar alimentos e agasalhos para os canis, alimentar peludos nas ruas e praças ou divulgar esta condição, para que mais e mais pessoas se tornem conscientes. Ninguém – humanos, caninos ou felinos – merece viver na rua, solitário e isolado.

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