Cachorro tremendo: o que pode ser?

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Nem sempre é por causa do frio. Confira o que pode estar acontecendo com seu cachorro quando ele está tremendo.

Um cachorro pode ficar tremendo por vários motivos. Antes de acender o alerta vermelho, no entanto, é importante dizer que alguns cães manipuladores costumam tremer para chamar a atenção. Eles podem ser friorentos e, em algum momento, descobrem que atraem os tutores com as tremedeiras.

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Eles podem fazer isso inclusive durante a noite, quando acordam descobertos. Mas, não é frescura. Todos os cães são, em alguma medida, manipuladores: eles sempre encontram meios para conquistar um carinho, um petisco, uma brincadeira. Esta é uma das razões por que nós os amamos.

Cães de porte pequeno costumam tremer quando são levados ao colo (os mais assustados tremem até mesmo quando são observados). Esta é uma reação clara de medo: eles temem pela integridade física. Um chihuahua de dois quilos sabe que tem um corpo frágil. O tremor funciona também como um aviso: “tenha cuidado comigo”.

Tremedeiras são uma estratégica orgânica comum: quando o ambiente está frio, especialmente quando a temperatura cai rapidamente, nós e outros mamíferos trememos para acelerar o metabolismo, naturalmente mais lento – no modo “economizar energia”; quando trememos, aumentamos por alguns instantes a temperatura corporal. O problema começa quando as tremedeiras são frequentes e se estendem por períodos mais longos.

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Os motivos da tremedeira nos cães

A primeira coisa a observar é se não existe algum agente provocando os tremores. Portanto, se o seu cachorro está tremendo, mas está saudável, com as vacinas em dia e não levou uma bronca, é muito provável que ele só queira chamar a atenção.

A ansiedade também pode gerar tremores. Cães que passam muitas horas sozinhos podem desenvolver medo do contato humano – e a aproximação pode se transformar em uma situação fóbica. Animais que sofreram acidentes ou convalesceram de doenças prolongadas também podem se tornar ansiosos, gerando uma sensação indefinível de que as dores podem voltar a qualquer momento.

Eles literalmente tremem com isso, mas, felizmente, são poucas as situações estressantes que geram sequelas emocionais nos cães. Um cachorro em recuperação rapidamente retomará as atividades cotidianas e esquecerá os momentos penosos por que passou.

Mas a situação pode ser mais grave. Confira os sinais que o pet está emitindo:

tremendo com o corpo inteiro – caso o tremor seja generalizado e a causa não seja frio ou medo, verifique se ele está sentindo alguma dor ou desconforto, confira a possibilidade de o pet ter ingerido alguma coisa estragada, ou medicamento, material de limpeza, higiene, etc. Algumas pessoas maldosas também podem envenenar os cães com as mais diversas desculpas: eles latem demais, remexem o cesto de lixo, fazem bagunça, são uma ameaça para a vizinhança, e assim por diante;

com a boca tremendo – este quadro é mais visível durante as refeições e quase sempre é devido à alimentação inadequada ou a uma intoxicação. Os cachorros são naturalmente curiosos e não resistem a uma lata de lixo aberta, ou a um produto qualquer derramado no chão. Caso ele apresente vômitos e diarreia, trata-se de uma emergência médica;

com a cabeça tremendo – o cachorro pode ter sofrido algum trauma, uma queda ou um choque com a parede ou muro. Caso ele esteja acostumado a perambular pela rua, pode ter sido vítima de atropelamento, maus tratos, etc. Pancadas na cabeça podem desencadear inclusive acidentes vasculares cerebrais. O pet também pode estar com meningite ou encefalite;

tremendo nas pernas traseiras – caso o incidente não tenha sido causado por um trauma – ou até mesmo pelo hábito de lamber e morder as patas excessivamente –, o pet pode estar exibindo fraqueza, provocada por alimentação insuficiente ou inadequada.

Outros motivos para cachorro tremendo

Também são causas dos tremores:

hipoglicemia (queda dos níveis de açúcar no sangue). Caso seja um episódio isolado, a hipoglicemia pode ser controlada com a oferta de algum carboidrato que não seja doce, em porções pequenas (uma casquinha de pão é suficiente para um animal de porte médio). Em cães saudáveis, a hipoglicemia pode ser causada por ficar muitas horas sem comer;

doenças osteomusculares ou neurológicas (lesões, estenose espinal, hérnia de disco, osteoporose, etc.). Os sintomas podem ser mais sensíveis na presença de inflamações.

Os cachorros que sobreviveram da cinomose – uma grave infecção viral, mas que pode ser prevenida com a vacinação – podem sofrer tremores como sequela da enfermidade. Neste caso, os tutores precisam ficar atentos, porque provavelmente o pet também terá problemas de locomoção, falhas na digestão, etc.

Um quadro mais raro é a síndrome da cauda equina (SCE), uma séria condição neurológica em que ocorre perda aguda das raízes nervosas do canal medular. Doenças inflamatórias e fraturas podem desencadear a SCE. Apenas o veterinário pode diagnosticar o problema.

A desidratação, mesmo leve, também pode desencadear tremores. O organismo canino é composto em mais de 60% de líquidos e todos os sistemas orgânicos se baseiam na condução através de meios aquosos – da alimentação à excreção.

Quando o cachorro está desidratado, o organismo começa a “economizar” energia, reduzindo a oferta nos braços e pernas para concentrá-la no tronco e na cabeça. Este é o motivo por que, sem beber água regularmente, um cachorro pode aparecer tremendo.

Alguns pets não gostam de beber água, mas é preciso condicioná-los e, em situações extremas, pode ser necessário inclusive agarrá-los à força e ingerir líquidos na garganta com uma seringa sem agulha. É importante lembrar que a água deve permanecer disponível durante o dia inteiro, sempre limpa e fresca. No verão, a água deve ser trocada várias vezes e não é recomendado que ela seja deixada diretamente sob o Sol.

Como agir se o seu cachorro estiver tremendo

Se o seu cachorro está tremendo por frio ou medo, ele precisa ser agasalhado e acalmado. Muitos tutores negligenciam o medo dos cães, não percebendo a gravidade da situação, que pode ser desencadeada por ruídos (rojões, fogos de artifício, trovoadas, etc.) e até pela presença de estranhos. O cão precisa ser condicionado a enfrentar a situação.

O frio intenso pode causar hipotermia, com danos mais ou menos sérios. O sangue passa a circular mais lentamente, reduzindo a oferta de oxigênio e glicose para as células, especialmente das extremidades. Em alguns casos, é necessário amputar partes das patas, orelhas, etc.

É importante lembrar que a temperatura corporal dos cachorros é superior à nossa: fica entre 38,5ºC e 40ºC (é recomendado medir a temperatura do cão saudável, para que sirva de parâmetro em situações de emergência e urgência). Por isso, eles começam a sentir frio quando a temperatura ambiente está em torno dos 21ºC.

Se a tremedeira não for motivada pelo frio nem pelo medo (os dois motivos mais comuns), é importante pedir a orientação de um veterinário. Caso seja um tremor leve, a queixa pode ser levada na consulta seguinte, mas se a situação for mais grave, surgir de forma rápida ou perdurar por mais de alguns minutos, é preciso correr para a clínica veterinária.

O veterinário observará as condições gerais do pet e poderá solicitar exames laboratoriais antes de firmar um diagnóstico. É importante que, qualquer que seja a causa do transtorno, o tratamento indicado seja levado a sério e o animal doente seja observado em casa por todo o período de convalescença.

Epilepsia canina

A doença tem várias causas, atinge níveis diferentes e provoca uma infinidade de sintomas, mas o mais comum é o tremor generalizado. Basicamente, a epilepsia é uma ação anormal das descargas eletroquímicas que ocorrem no encéfalo e provoca convulsões, espasmos e desmaios.

A epilepsia primária tem causas genéticas – o filhote já nasce portador da condição, que costuma se manifestar logo no início da vida adulta, por volta dos 18 meses de idade. É uma condição mais rara, restrita a animais de raça pura, especialmente os resultantes de cruzamentos entre irmãos, pais e filhos, etc.

A epilepsia secundária (ou adquirida) pode resultar de uma queda ou outro acidente qualquer em que haja choque do crânio. Ela pode ocorrer em qualquer idade e não há diferenças de maior incidência definida por sexo ou raça.

Em qualquer caso, a doença pode se manifestar sob a forma de leves tremores, que desaparecem rapidamente, até, em condições extremas, desmaios, convulsões e perda de líquidos pela boca. A epilepsia não é contagiosa, muito menos não é uma zoonose (não é transmissível para humanos, que também podem ter a doença, mas em função de outras causas).

O tratamento é definido de acordo com a severidade das manifestações e da distância entre os episódios. Cães com sintomas leves, que passam meses sem manifestar a epilepsia, só precisam ser observados pelos tutores. As condições mais graves podem exigir medicamentos pelo restante da vida e limitação controlada dos movimentos (por exemplo, os tutores precisam impedir que o cão saia para o quintal ou até que pule no sofá).

Seguindo o tratamento, no entanto, cães epiléticos podem ter uma vida normal, com eventuais episódios de tremores. Os cachorros diagnosticados com epilepsia primária não devem ser usados para a reprodução, para não transmitir a doença para os filhotes.

A síndrome do cão branco

Também chamada de cerebelite idiopática, síndrome do tremor generalizado ou síndrome de shaker, esta doença não tem as causas definidas (é um transtorno idiopático – isto é, não se conhecem os motivos genéticos ou metabólicos) e, portanto, não existem formas de prevenção.

A síndrome foi descrita pela primeira vez nos anos 1960 e afeta principalmente os animais de pelagem clara. É possível que ela esteja associada a alguma dificuldade de o organismo sintetizar a vitamina D e alguns outros nutrientes, como cálcio e fosfato.

O transtorno, relativamente comum, afeta igualmente cães de ambos os sexos e de qualquer faixa etária, apesar de ser mais frequente em filhotes e idosos – especialmente os que perdem sensivelmente a coloração dos pelos.

Esta síndrome provoca um único sintoma: o tremor difuso e generalizado em todo o corpo, mas este não é um sintoma exclusivo, o que dificulta o diagnóstico. O veterinário precisa analisar, além do histórico médico e da avaliação clínica, as condições da urina e do sangue, especialmente da absorção dos sais minerais. O diagnóstico é diferencial, depois de eliminadas causas com hipotermia, ansiedade e convulsões.

O tratamento é feito com base em corticosteroides anti-inflamatórios, embora estes medicamentos em uso contínuo prejudiquem severamente o sistema imunológico. De acordo com as condições gerais do cachorro afetado, pode ser necessária a internação hospitalar.

Nos casos menos graves, os animais acometidos de uma manifestação aguda da síndrome conseguem se recuperar em menos de dez dias, mas precisam ser acompanhados pelo resto da vida, para garantir a qualidade de vida. De qualquer maneira, são poucos os casos em que os tremores cessam completamente.

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