Apesar de não ser necessário ter pedigree para que os cães se tornem “os melhores amigos dos homens”, muitas pessoas se apaixonam por determinadas raças. Um simpático vira-lata pode ser inclusive mais robusto, já que a sua carga genética é mais variada – e, portanto, os animais podem se tornar mais resistentes a determinadas doenças.

A escolha do pet da família, no entanto, passa por critérios subjetivos. Para quem quer ter um cão “puro-sangue”, é importante saber que as federações cinológicas dividem as raças de cães em grupos e estabelecem padrões rígidos para a concessão do registro oficial, necessário, por exemplo, para participar de competições oficiais e obter ninhadas certificadas.

Existem outras associações, mas, no Brasil, a representante oficial da Federação Cinológica Internacional (FCI) é a Confederação Brasil Brasileira de Cinofilia (CKBC). Fundada em 1911, a FCI, congregam 84 membros, responsáveis pela expedição de pedigrees e pela formação dos juízes das competições. Cada país pode ter apenas um representante na federação.

Os grupos

A FCI divide as raças de cães em dez grupos, de acordo com as qualidades e aptidões dos animais. A maioria destes animais não exerce as atividades para as quais foram desenvolvidos, mas mantêm características muito semelhantes às dos primeiros tataravós.

Cães pastores

O grupo 1 das raças de cães engloba todas as raças desenvolvidas originalmente para pastorear animais, tais como carneiros, touros e bodes. A origem é bastante antiga, praticamente concomitante ao início da pecuária entre os humanos, antes da invenção da escrita.

Um cão pastor alemão capa preta, um dos mais conhecidos cães de pastoreio no Brasil.
Um cão pastor alemão capa preta, um dos mais conhecidos cães de pastoreio no Brasil.

Diversas raças de cães pastores mantêm características semelhantes às dos seus ancestrais, os lobos. É o caso, por exemplo, do pastor alemão e do fila brasileiro. A exceção é o cão boiadeiro suíço: animais de grande porte, além de conduzir o gado, eles também foram utilizados para puxar carroças leiteiras faz fazendas para os centros urbanos.

Outros exemplos de raças de pastores: kuvasz, komondor, collie, pastor de shetland, border collie, lobo eslovaco, old english sheepdog (traduzindo: “o velho cão pastor inglês”), pastor australiano, pastor belga, pastor bergamasco, etc.

Cães de guarda e utilidade

O grupo 2 da FCI é subdividido em duas seções. Reúne um grande número de raças de cães, todas elas caracterizadas pelo territorialismo – por isto mesmo, estes animais sempre foram utilizados para guarda de residências, estabelecimentos comerciais e quartéis militares.

Um cão são bernardo, até hoje especializado em salvamentos nas montanhas suíças.
Um cão são bernardo, até hoje especializado em salvamentos nas montanhas suíças.

Na primeira, estão incluídos os pinschers e schnauzers (lembrando que o dobermann também é classificado por pinscher, e não apenas o “miniatura”.), cujos portes menores foram desenvolvidos apenas com o avanço das aldeias. Conhecidos como cães de terreno, inicialmente estes animais protegiam casas, celeiros e estábulos contra invasões de pragas e ameaças, como ratazanas.

A segunda seção engloba os cães molossoides, que já eram conhecidos pelos gregos e romanos da Antiguidade, inclusive participando de batalhas. Como o nome indica, trata-se de animais grandes (alguns são imensos). Algumas raças bastante conhecidas: buldogue inglês, boiadeiro suíço, boxer, rottweiler, os mastins e o mais conhecido cão de resgate: o são bernardo.

Os terriers

Terrier é uma palavra derivada de “terra”. Os cães do grupo 3 se especializaram em perseguir presas em elemento seco, especialmente em todas e galerias de minas de carvão. Provavelmente, eles surgiram nas Ilhas Britânicas.

Um yorkshire terrier, adotado nos dias de hoje basicamente com cão de companhia.
Um yorkshire terrier, adotado nos dias de hoje basicamente com cão de companhia.

Por serem pequenos e resistentes (isto, no século XVIII, significa alto rendimento no combate a roedores e “baixo custo de manutenção”), os primeiros terriers foram criados por pessoas de baixa renda. Os animais atuais – terrier escocês, fox terrier, terrier brasileiro (também conhecido como fox paulistinha) e o yorkshire, por exemplo, são muito diferentes de seus antepassados, bastante acostumados ao trabalho nas fazendas ou nas minas de carvão, onde os terriers foram introduzidos durante a Revolução Industrial para acabar com os ratos que infestavam as galerias.

Teckels

Também conhecidos com dachsunds – e no Brasil, como bassê Cofap –, os cães deste grupo são resultados de tratamentos entre diversas raças europeias (especialmente alemãs). Apesar disto, muitos pesquisadores entendem ter encontrado a origem no Egito antigo, onde há representações de cães com patas curtas datados de mais de quatro mil anos.

 A variedade de teckel mais comum (de pelo curto). Existem animais de pelo duro e de pelo longo.
A variedade de teckel mais comum (de pelo curto). Existem animais de pelo duro e de pelo longo.

Os dachsunds também foram utilizados para a caça, mas, ao contrário dos terriers, a especialidade da raça é a perseguição em campo aberto (a palavra que designa a raça significa “cão de texugo”, em alemão). Os salsichas já foram muito úteis na captura de coelhos, lebres e, claro, texugos.

Estes animais se especializaram na construção de tocas para defesa e organização do território, mas os dachsunds sempre os encontravam. Os cães da raça são muito valentes: em matilhas, foram empregados na caça de veados e até de javalis.

Tipos primitivos

Também chamados de cães nórdicos, os animais do grupo 5 apresentam muitas semelhanças, além da origem geográfica. Estes cães são dotados com densa pelagem dupla, orelhas triangulares e cauda pontuda, em geral levada sobre o dorso.

O husky siberiano, um pouco teimoso, mas muito fiel.
O husky siberiano, um pouco teimoso, mas muito fiel.

Fazem parte do grupo: spitz, akita, husky siberiano e malamute do Alasca. Independentemente do porte, são animais dedicados à tração (inclusive em matilhas, para percorrer as estepes da Sibéria e do norte do Canadá), pela facilidade com que se movimentam na neve. Muitos indivíduos também se prestam ao pastoreio.

Os farejadores

Todos os cães são dotados com excelente faro, mas os hounds (sabujos) são os campeões neste aspecto. Este fato, aliado à excelente resistência e boa capacidade de perseguição, tornaram os animais destas raças companheiros inseparáveis dos caçadores. São animais essencialmente gregários.

 O bassê hound, cujas marcas registradas são as grandes orelhas e os olhos de “pidão”.
O bassê hound, cujas marcas registradas são as grandes orelhas e os olhos de “pidão”.

Fazem parte do grupo: bloodhound, atualmente também empregado para o desenvolvimento de atividades policiais, o beagle – o cão da cruel caça à raposa, proibida inclusive na Grã-Bretanha – e o bassê. As duas últimas raças são adotadas especialmente para companhia, já que todos os hounds são gregários e, desta forma, indicados para conviver em família.

Os apontadores

Estas raças começaram a surgir depois do advento das armas de fogo. Os cães apontadores desenvolveram a capacidade de indicar a presença de presas terrestres, arborícolas e voadoras. Estes animais vasculham atentamente a área de caça até identificar o alvo.

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Legenda: Filhotes de weimaraner. Em países tropicais, é preciso proteger as ninhadas das temperaturas altas.

Neste momento, os cães ficam imóveis, com os músculos tensionados, indicando com a ponta do focinho a direção da movimentação do animal a ser caçado. Entre as raças, estão o pointer, setter, braco alemão, spaniel (inglês e francês) e weimaraner, também conhecido como “fantasma cinza”, por permanecer quase invisível em um campo nevado, entre árvores desfolhadas pelo frio.

Os mergulhadores

Estes animais também se especializaram na caça, mas os cães foram além: eles mergulham em rios e lagos para recuperar (retrieve, em inglês) aves abatidas pelos tiros. Entre as raças, figuram: cão d’água português, retriever do labrador, retriever da terra nova, Springer spaniel e poodle.

Um poodle preto pronto para se apresentar em uma competição cinológica.
Um poodle preto pronto para se apresentar em uma competição cinológica.

Uma curiosidade sobre o poodle (basicamente, um cão de companhia): a tosa clássica foi desenvolvida para que o animal se mantivesse aquecido em áreas vitais (cabeça, cauda, tórax e articulações). As fitas usadas para enfeitar estes cães originalmente tinham a função de permitir que o dono identificasse o seu mascote, mesmo mergulhado na água.

Fazendo companhia

Muitas raças aqui apresentadas perderam as suas funções originais e atualmente são empregadas para fazer companhia a crianças, idosos e famílias. Hoje em dia, ninguém cogita de utilizar um cocker spaniel para caçar aves ou um yorkshire para exterminar ratos.

Os cães do grupo 9 conquistaram as almofadas – e, em muitos casos, também as camas dos donos. As variedades “toy” e “miniatura” dos poodles, pinschers e schnauzers pertencem a este grupo. Outras raças: cães pelados, pequinês, chihuahua, bichon frisé, maltês, lhasa apso, shih itzu e outras de pequeno e médio porte.

Alta velocidade

Os lebréis (também conhecidos como galgos) são excelentes velocistas. A caça à lebre (animal também muito rápido, de onde se derivou a designação) fez sucesso na Europa no século XIX, sendo posteriormente substituída pela corridas (apenas) de cães, atividade hoje em decadência.

Um sempre atento whippet. Os animais da raça são tranquilos, mas demandam muito exercício.
Um sempre atento whippet. Os animais da raça são tranquilos, mas demandam muito exercício.

Não se sabe ainda se todos os lebréis possuem uma origem comum, mas eles apresentam características semelhantes: longos e afilados focinhos, peito estreito, abdômen esgalgado, membros longos, musculatura forte e excelente audição. Estão no grupo, entre outras raças: whippet, saluki, afghan hound, grey hound e borzói.


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