Problemas renais em cães – Sintomas e tratamento

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É comum que o sistema excretor dos cães e gatos apresente alguns problemas com o avanço da idade.

Problemas renais em cães são relativamente comuns a partir dos seis anos, muito frequentes em cães com dez anos ou mais e também pode comprometer a saúde de animais geneticamente predispostos); identificar estes transtornos pode impedir que se instalem doenças crônicas nos rins e na bexiga. 

O processo quase sempre é natural: os rins dos cães idosos não filtram o sangue com a mesma eficiência observada nos animais adultos saudáveis. Nem sempre esta condição implica comprometimentos à saúde, mas é preciso estar atento. 

Os rins são órgãos fundamentais. São eles que eliminam toxinas e substâncias residuais no fluxo sanguíneo: eles atuam como filtros do sangue. As doenças renais comprometem as funções destes órgãos, podendo inclusive evoluir para a morte. 

Problemas renais nos caes

As formas de prevenção dos problemas reais em cães são simples: manter sempre água fresca e limpa à disposição e optar por rações com pouco sódio. Brincadeiras com bisnagas e mangueiras ajudam a incentivar os animais pouco dispostos a se hidratar por conta própria. 

Atenção à saúde 

Muitos tutores só pensam em tomar providências quando surgem alterações na coloração e no cheiro da urina, mas, quando estes sintomas aparecem, os cães já podem estar sofrendo de uma doença crônica. 

O ideal é levá-los, a partir do momento em que atingem a maturidade sexual (entre um e dois anos de vida), uma vez por ano ao veterinário. Três em cada quatro casos de insuficiência renal só se manifestam de forma sensível quando a doença já prejudica severamente o organismo dos cães. 

Em muitos casos, o exame clínico e alguns testes de laboratório são suficientes para identificar certas deficiências renais. A hipertensão arterial, por exemplo, afeta o coração e os rins dos pets e é facilmente detectada. Exames de urina, detectando altos níveis de ureia, creatinina, amônia e ácido úrico, indicam distúrbios no funcionamento dos rins. 

Muitos processos infecciosos podem lesar ou comprometer os rins. Com a identificação precoce dos agentes etiológicos – bactérias ou fungos -, é possível corrigir o problema com o uso de antibióticos. A negligência em relação a essas infecções compromete a saúde e o bem-estar dos cachorros, inclusive reduzindo a expectativa de vida dos pets. 

Primeiros sintomas dos problemas renais

Mesmo quando os cães desenvolvem problemas renais crônicos, é possível garantir a qualidade de vida com alguns procedimentos simples, como adotar uma ração com baixo teor de proteínas e pobres em fósforo e sal e aumentar a frequência e intensidade dos passeios: o exercício físico acelera o metabolismo e estimula o funcionamento do sistema excretor. 

Desde filhotes, os cães precisam ser incentivados a beber líquidos. Caso os cães desenvolvam insuficiência renal mais grave, para se hidratar, eles precisarão receber soro fisiológico com eletrólitos regularmente (para se manterem hidratados), permanecendo internados na clínica veterinária por algumas horas, às vezes uma vez por semana. 

Os sinais mais comuns dos problemas renais iniciais são: 

  • aumento da frequência da micção; 
  • urina clara, uma vez que é eliminada com maior frequência; 
  • sede excessiva, decorrente da perda de líquidos com a micção constante. 

Alguns sinais indicam que as doenças já estão instaladas e prejudicam o organismo dos pets. Nos filhotes, apesar de raros, os problemas renais comprometem o desenvolvimento. Nos cães adultos, os distúrbios podem provocar: 

  • perda excessiva de pelos; 
  • diminuição do apetite, com a consequente perda de peso; 
  • presença de sangue na urina. 

Com o agravamento do quadro, os cães podem apresentar vômitos e diarreias, resultantes da maior quantidade de líquidos no estômago e intestino: eles bebem muita água, que se mistura às refeições e pode ser regurgitada ou eliminada em fezes sem a consistência característica. 

Os vômitos e diarreias causam outros problemas, uma vez que os pets não conseguem absorver os nutrientes dos alimentos de maneira eficaz. Eles podem ficar desnutridos. Seja como for, estas situações, por si sós, já são suficientes para marcar uma consulta com o veterinário. 

As formas agudas 

São distúrbios renais agudos ou repentinos, não necessariamente causados por sedentarismo, deficiências alimentares ou predisposição genética. As formas agudas geralmente são decorrentes de: 

  • perdas súbitas de sangue (hemorragia interna ou ferimento); 
  • traumas; 
  • uso prolongado de alguns medicamentos, como anti-inflamatórios não esteroides, antibióticos (principalmente as penicilinas), analgésicos como o paracetamol e diuréticos; 
  • obstrução dos ureteres ou da uretra; 
  • estresse cirúrgico; 
  • ingestão de venenos (raticidas, alguns produtos desinfetantes, plantas como o lírio-da-paz, etc.); 
  • desidratação severa. 

As formas crônicas 

A escolha de rações com baixos teores de cálcio e altos teores de fósforo ou sódio pode levar, no médio prazo, ao desenvolvimento e formas crônicas de problemas renais, inclusive a insuficiência.  enquanto as formas agudas são hipercalcêmicas, as crônicas são hipocalcêmicas. 

Consideram-se crônicos os distúrbios cujos sinais se manifestam por três meses ou mais ou quando exames de imagem constatam danos aos rins que comprometem a filtragem do sangue pelos órgãos duplos. 

As doenças renais crônicas estão classificadas em quatro estágios. Animais que vivem em regiões com alta incidência de doenças infecciosas e os que atingem sete ou oito anos estão no grupo de risco de sofrer com estes transtornos. 

Cães das raças lhasa apso e shih tzu são os principais pacientes portadores de DRC. Também precisam ficar atentos os tutores de rottweilers, dobermanns, bull terriers, shar-peis, cocker spaniels, poodles e beagles. As variedades micro e toy são menos suscetíveis. 

A DRC está sempre relacionada à perda de néfrons, que, se não for corrigida, pode tomar caráter progressivo e irreversível. Os néfrons são as unidades funcionais dos rins, responsáveis pela formação da urina. Cada rim canino possui 420 mil néfrons. 

Os tratamentos 

A deficiência renal crônica (DRC), problema renal mais frequente em cães e gatos, e a formação de cristais nos rins e na bexiga, os populares cálculos ou pedras, estão relacionados, na imensa maioria dos casos, a determinantes genéticos. Ao adotar um pet, sempre que possível, procure verificar se os pais do cãozinho apresentam sinais destes distúrbios. 

A dieta alimentar favorece o prognóstico de DRC. A redução do fósforo diminui os sinais clínicos e impede a progressão dos danos aos rins, enquanto as rações com menos proteínas ajudam a equilibrar os níveis normais de acidez e alcalinidade.  

Uma vez diagnosticada, a DRC demanda cuidados simples, desde que esteja no início. É provável que o veterinário recomende uma ração específica. O uso de suplementos de proteínas (de ingestão oral) ajuda a repor a perda provocada pela micção constante. 

As proteínas, no entanto, são fundamentais para o bom funcionamento do organismo dos cães. São elas, por exemplo, que garantem o desenvolvimento e a reparação dos músculos. Por isso, de acordo com a severidade da DRC, os peludos podem precisar receber dietas especialmente formuladas. A restrição proteica, no entanto, só deve ser iniciada em casos avançados, sempre sob supervisão médica. 

É possível que a água pura seja substituída, pelo menos em parte, por líquidos isotônicos ou soro fisiológico, igualmente para repor nutrientes perdidos. Os isotônicos de uso humano são contraindicados para cães e podem inclusive contribuir para a formação e desenvolvimento de cristais no aparelho excretor. 

Uma vez constatada a presença de infecções bacterianas ou fúngicas, elas precisam ser combatidas com medicamentos antibióticos. Nos estágios mais avançados, pode ser necessário o uso de anti-inflamatórios e analgésicos, de acordo com o estado geral dos cães doentes. 

No caso da formação de cálculos de grandes dimensões nos rins ou na bexiga, os pacientes podem precisar de uma intervenção cirúrgica para removê-los. Estes procedimentos são invasivos (não existem tratamentos a laser para pets) e, por isso, são adotados apenas se as condições gerais de saúde dos cães permitirem: anestesias gerais sempre são usadas com cautela em animais de estimação.