Lambeijos e abanar de rabo nos acompanham há muito tempo. Conheça as raças de cachorro mais antigas.

Um levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas sobre o Genoma Humano (EUA), em 2004, coordenado por Heidi G. Parker, identificou 14 raças de cachorro com o menor número de diferenças genéticas em relação aos lobos – as mais próximas ao ancestral comum e, portanto, as mais antigas.

O objetivo inicial do estudo era traçar a estrutura genética dos cachorros de raça pura. Para realizar a pesquisa, a equipe revisou marcadores de DNA obtidos de 85 raças de cães diferentes. O resultado revelou algumas surpresas.

As raças de cachorro mais antigas

Tradicionalmente, consideravam-se, como as raças de cachorros mais antigas, o podengo de Ibiza, o elkhound (norueguês cinza) e principalmente o cão do faraó, raça do Oriente Médio que se espalhou pelo Mediterrâneo com as viagens mercantis dos fenícios, a partir de 1200 AEC.

No entanto, estas três raças são reproduções modernas, recriadas a partir de cruzamentos para alcançar a semelhança com imagens de cachorros gravadas em pinturas rupestres e em documentos antigos.

O estudo demonstrou que os cães atuais descendem de lobos asiáticos e só eventualmente contaram com cruzamentos também de lobos europeus e, mais tarde, americanos. Os cachorros, de acordo com a pesquisa, foram domesticados inicialmente na Ásia (no Extremo Oriente), de onde se espalharam pelo mundo.

A pesquisa, denominada “Genetic structure of the purebred domestic dog” (estrutura geral do cachorro doméstico de raça pura), também identificou semelhanças profundas (mais de 99% do genoma) entre alguns pares de raças:

  • husky siberiano e malamute do Alasca;
  • collie e pastor de Shetland;
  • greyhound e whippet;
  • boiadeiro de Berna e grande boiadeiro suíço;
  • bull mastiff e mastiff.

Isto atesta a capacidade dos cachorros de se dispersar por várias regiões do mundo (ancestrais de huskies e malamutes se deslocaram das estepes russas até o Alasca) e de adaptar o porte às condições ambientais: um ancestral do collie teve as dimensões reduzidas ao passar a habitar as ilhas de Shetland (litoral da Escócia), que ocupam pouco mais de 1.600 km2.

Os dados do estudo sobre o genoma se relacionam a alguns registros arqueológicos bastante antigos. As raças de cachorro mais antigas, que ainda sobrevivem nos dias de hoje, são as seguintes:

01 – Basenji

Cães muito semelhantes aos atuais foram desenhados em pinturas rupestres encontradas na atual Líbia, no norte da África. Os registros mais antigos da raça datam de 6000 AEC;

Raças de cachorro mais antigas

02 – Husky siberiano

Um filhote datado de 4.000 anos atrás foi encontrado no gelo eterno da Sibéria, aparentemente enterrado juntamente com o seu tutor. Os ancestrais do husky provavelmente migraram para o norte da Ásia com o fim da Era Glacial;

Raças de cachorro mais antigas

03 – Akita

As referências mais antigas são sobre um ancestral direto, o matagi, que acompanhou os humanos do atual Japão desde 3.000 ou 4.000 anos antes da Era Comum. Os akitas são conhecidos pela lealdade e devoção à família;

Raças de cachorro mais antigas

04 – Samoieda

Ossadas de cães parecidos, datadas de 3.000 anos, foram encontradas recentemente. Os samoiedas provavelmente acompanharam hordas de migrantes que se deslocaram da Ásia para a América, exatamente como os huskies. São cães de caça e de guarda, mas também se revelam bons guardiães de crianças;

Raças de cachorro mais antigas

05 – Terrier tibetano

Há registros fósseis datados de três mil anos. São os primeiros cães de pequeno porte a acompanhar os humanos, provavelmente adaptados para a caça miúda. Erma considerados sagrados em algumas aldeias do Tibete e ganharam popularidade quando foram introduzidos na China central e setentrional. É um dos ancestrais do lhasa apso;

Raças de cachorro mais antigas

06 – Malamute do Alasca

Ele começou a puxar trenós na neve entre 3.000 e 2.000 anos atrás para os mahlemuts, tribo nômade no extremo norte do continente. São animais bastante fortes e resistentes, que migraram das estepes russas para a América;

Raças de cachorro mais antigas

07 – Saluki

A raça foi descrita em papiros egípcios datados de 800 AEC. Os ancestrais dos cães modernos foram criados por tribos nômades para a caça, em função da velocidade, força e resistência;

Raças de cachorro mais antigas

08 – Afghan hound

A raça provavelmente descende do saluki, tendo migrado das planícies persas para as montanhas afegãs. Os registros mais antigos datam de 600 anos atrás. Trata-se de um galgo e é um caçador persistente e solitário;

Raças de cachorro mais antigas

09 – Chow-chow

Um baixo-relevo produzido na época da dinastia Han (206 AEC – 220 EC), descoberto recentemente no norte da China, retrata um cão de raça bastante parecido com os atuais cães de língua azul;

Raças de cachorro mais antigas

10 – Shar-pei

Mais um chinês na lista. Esculturas em argila, datadas de 206 AEC, retratam esta raça antiga. O shar-pei iniciou a carreira na caça aos javalis e depois se especializou como cão boiadeiro.

Raças de cachorro mais antigas

Os primitivos

A Federação Cinológica Internacional (FCI) organiza as raças de cachorros em grupos, de acordo com as aptidões para o trabalho e as características anatômicas. O Grupo 5 da FCI engloba os “cães spitz e do tipo primitivo” – os que, pelo menos na aparência, mais se assemelham aos lobos.

Além das mais antigas, o Grupo 5 engloba as seguintes raças, algumas populares no Brasil: akita americano, barrocal do Algarve, buhund norueguês, cão de Canaã, cão da Groenlândia, finlandês da Lapônia, pastor islandês, pelado peruano, esquimó canadense, pelado mexicano, podengo das Canárias, sueco de caça ao cervo, cão de Taiwan, cirneco do Etna, vulpino italiano, jindo, Hokkaido, kai, keeshond, laika, lundehund, podengo de Ibiza, podengo português, shiba, spitz (alemão, finlandês, japonês e dos visigodos) e ridgeback da Tailândia.

Curiosidades

Os cães mais antigos são, curiosamente, também animais que gostam de ficar isolados por longos períodos – eles não se importam de ficar sozinhos, algo que deve ser considerado no momento da adoção. São também silenciosos e com pouca habilidade para as tarefas em grupo.

Todos eles são caçadores – mantiveram os instintos predatórios herdados dos lobos. Alguns se adaptaram como cães de companhia, mas não se dão bem como cães de vigilância e segurança, provavelmente em função de um forte espírito independente.

A persistência ou teimosia é outro traço característico das raças de cães mais antigas. Provavelmente, os pets atuais aprenderam a tolerar as ordens dos humanos com mais facilidade. Os cães mais velhos aceitam diretrizes gerais – como farejar a caça ou controlar o rebanho – mas, nos detalhes, preferem decidir sozinhos o que fazer da vida.

As raças de cachorros identificadas pelo sequenciamento do DNA como sendo as mais antigas são muito resistentes e quase todas eliminaram as doenças congênitas. Isto indica que, com cruzamentos seletivos bem planejados, todos os cães de raça pura tendem a superar os problemas hereditários de saúde nas próximas gerações – mesmo que isso demore alguns séculos.


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