Vacinas: quantas e quais os cachorros precisam tomar?

Descubra tudo sobre as vacinas que os cachorros precisam tomar para se manter saudáveis.

Manter os cachorros protegidos e saudáveis é essencial para a boa convivência. Muitos tutores, no entanto, têm dúvidas sobre quantas e quais vacinas os peludos precisam tomar. Por isso, apresentamos a seguir uma tabela da vacinação e um rápido resumo das doenças que os imunizantes evitam.

As vacinas são um método de imunização bastante seguro – tanto para os cachorros, quanto para os humanos e os outros animais de estimação. Elas são formuladas a partir de vírus e bactérias mortos ou atenuados.

A carga viral ou bacteriana não é suficiente para causar doenças, mas é suficiente para obrigar o organismo dos cãezinhos a uma reação: o sistema imunológico, que está se desenvolvendo, identifica os “invasores” e cria defesas para neutralizá-los.

Os motivos os cachorros tomarem vacinas

Nos primeiros dias depois do nascimento, os filhotes permanecem naturalmente protegidos pelos anticorpos produzidos pelo organismo materno e transmitidos no aleitamento – desde, é claro, que a cachorra tenha sido imunizada antes do acasalamento.

No entanto, conforme eles vão se desenvolvendo e passam a receber outros alimentos, a transferência de células de defesa gradualmente diminui e os pequenos ficam expostos a micro-organismos nocivos presentes no ambiente.

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Cada tipo de vacina tem um período de ação efetiva – por isso, é fundamental ficar atento ao calendário. Os imunizantes causam alguns efeitos colaterais, mas estes são raros e provocam apenas transtornos e incômodos momentâneos, que desaparecem em poucos dias.

Os efeitos mais comuns são febre (inclusive local), inchaço local e apatia (cansaço). Eles ocorrem justamente porque o organismo está identificando os vírus e bactérias, preparando-se para combatê-los.

Os cuidados

No Brasil, não existe um calendário oficial de vacinação para os cachorros. Alguns municípios organizam campanhas de vacinas, especialmente contra a raiva (hidrofobia), mas não há exigência legal para que os tutores façam a imunização.

A vacinação de cães e gatos não é obrigatória no país: não existe nenhuma legislação sobre o assunto. Os tutores responsáveis, no entanto, precisam zelar pela saúde, integridade e bem-estar dos pets e, como diz o ditado, “é melhor prevenir do que remediar”.

Mesmo porque, para algumas doenças que são facilmente preveníveis com as vacinas, não existe remédio: elas podem ser fatais (no caso da raiva, por exemplo, ela sempre leva à morte do animal).

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Se não há exigência legal, existe sempre a responsabilidade. Os tutores querem ver os cachorros alegres, felizes, saudáveis e ajustados. Para isso, os veterinários recomendam uma série de medidas:

  • alimentação compatível com a raça, idade, sexo, condições gerais e nível de atividade física;
  • passeios, brincadeiras e caminhadas diárias, tanto para fortalecer a estrutura física, quanto para socializar os cães;
  • boas condições de acolhimento (segurança, cama confortável, brinquedos, etc.);
  • adestramento (todos os cães precisam aprender pelo menos os comandos básicos);
  • vacinação em dia.

As vacinas para cachorros

O protocolo de imunização geralmente recomendado tem início quando os filhotes atingem seis semanas de vida, com a aplicação da vacina múltipla canina (V8, V10 e V12). Os cães precisam receber outras três ou quatro doses de reforço (de acordo com o porte), em intervalos de quatro semanas.

A vacina antirrábica quase sempre é aplicada em dose única, quando o cachorro completa quatro meses. As exceções são definidas pelo veterinário, de acordo com o estado geral dos peludos e as condições do ambiente em que vivem.

A raiva

A vacina antirrábica é específica para a prevenção da raiva ou hidrofobia, uma doença que pode ser transmitida a humanos através de animais domésticos e silvestres infectados. Trata-se de uma doença letal em praticamente todos os casos.

O vírus responsável pela doença está presente na boca e nas vias respiratórias dos animais infectados, espalha-se eventualmente pela pelagem e pode ser transmitido através de mordidas, arranhões e até lambidas.

A doença se manifesta inicialmente no sistema nervoso periférico, evoluindo para encefalites e outras infecções no cérebro e cerebelo. Nos cães infectados, o período de incubação varia de dois a cinco dias e a morte ocorre em até dez dias depois da manifestação dos sintomas. A partir da infecção, o animal já pode transmitir a raiva.

Em 2020 (últimos dados oficiais disponíveis), foram registrados 20 casos de raiva – a maioria em animais urbanos (apenas seis registros entre animais silvestres). A raiva vem se tornando cada vez mais rara no país: em 1999, foram contabilizados 1.200 casos.

A prevenção é a única forma de conter a raiva em ambientes urbanos. A erradicação da doença é difícil, porque animais silvestres também sofrem com a raiva e novos surtos podem surgir, inclusive em função de mutações do vírus.

A vacina contra a raiva existe desde o século 18 – no Brasil, ela chegou em 1804. Os primeiros estudos sobre imunização tiveram início na Inglaterra, quando o médico Edward Jenner inoculou vírus inativados da varíola em portadores da doença, que passaram a exibir sinais mais leves. Pouco depois, a população saudável começou a receber a vacina.

A raiva foi a segunda doença viral estudada com sucesso pelos virologistas. O cientista francês Louis Pasteur isolou o vírus da doença, tornou esses germes inviáveis e injetou partes do vírus em cães de rua de Paris. O resultado comprovou as teorias sobre a imunização.

A vacinação múltipla

As vacinas são divididas em grupos. As consideradas essenciais são as que protegem contra a raiva, cinomose, parvovirose e hepatite viral canina. Todas estas doenças podem ser fatais aos cachorros. Os sobreviventes normalmente têm de conviver com sequelas graves durante o restante do período de vida.

As vacinas não essenciais são as que protegem de doenças predominantes em determinadas épocas, regiões e condições ambientais e sanitárias. É o caso da imunização contra leishmaniose, leptospirose e tosse dos canis (traqueobronquite infecciosa canina).

Algumas vacinas podem também não ser recomendadas pelos veterinários, seja porque não oferecem risco à vida, seja porque possuem tratamento eficaz e simples. Nesta categoria, enquadram-se os imunizantes contra giárdia, dermatofitose e coronavirose (ao contrário da Covid-19, a coronavirose que afeta os cães não tem caráter letal).

As vacinas múltiplas – V8, V10 e V12 – previnem as seguintes doenças:

cinomose –  causa febre, secreções nasais e oculares, indisposição, falta de apetite, letargia, depressão, vômito, diarreia, leucopenia (destruição dos glóbulos brancos), dificuldades respiratórias, hiperceratose (engrossamento) do focinho e dos coxins plantares, mioclonia (espaços repentinos nos músculos) e, por fim, comprometimentos neurológicos irreversíveis;

parvovirose – provoca distúrbios gastrointestinais contínuos: vômitos, diarreias (inclusive com sangue) e a consequente desidratação. Os animais afetados sofrem desnutrição extrema. É particularmente perigosa para filhotes, idosos e imunodeprimidos;

hepatite infecciosa – o vírus se instala principalmente nos rins e no fígado e destrói gradualmente os tecidos. A doença é comum em todos os canídeos e causa tensão abdominal, edema na córnea, icterícia, vômitos e encefalopatia hepática. A doença é fatal para a imensa maioria dos infectados. Os sobreviventes podem desenvolver insuficiência renal ou hepática;

leptospirose – transmitida por bactérias presentes na urina dos ratos e alguns outros animais silvestres, como gambás e guaxinins. Os micro-organismos são capazes de atravessar a pele de cachorros, gatos e humanos, espalhando-se pela corrente sanguínea. Os sintomas são inespecíficos: prostração, febre, perda de apetite, vômito e icterícia. Há também casos de animais assintomáticos. A doença é curável na maioria dos casos, mas pode causar sérios danos em filhotes e idosos (inclusive a morte);

coronavirose – também é chamada de gastroenterite infecciosa. Os coronavírus que afetam os cachorros podem infectar as vias respiratórias, causando febre, espirros, tosse, secreção nasal, irritações e infecções secundárias (amidalite, bronquite, etc.). a forma gastrointestinal da doença causa diarreias, vômitos, flatulência (nesses casos, os sintomas são parecidos com os da parvovirose). É curável na maioria dos casos;

parainfluenza – afeta o sistema respiratório, com sintomas semelhantes aos de uma gripe, com tosse, espirros, corrimento nasal, dores de ouvido, de garganta e pelo corpo e febre. A doença pode evoluir para um quadro mais severo (como uma pneumonia). A parainfluenza está associada a parte dos casos de tosse dos canis.

A diferença das vacinas múltiplas está na proteção contra a leptospirose. A V8 previne dois tipos, a V10, outros dois tipos e a V12, três formas da doença. Cabe ao veterinário indicar a melhor opção, de acordo com as ocorrências locais.

Os cães podem ainda tomar algumas vacinas não essenciais, que protegem contra:

tosse dos canis – afeta as vias respiratórias, muito similar à gripe. Pode evoluir para quadros mais complexos. A transmissão ocorre geralmente em ambientes com muita circulação de cães. Portanto, se o cachorro apenas sai uma vez por dia para passear, a vacina é desnecessária;

giárdia – evita a proliferação da Giardia lamblia, um protozoário microscópico que parasita o intestino delgado dos mamíferos. Em excesso, os micro-organismos causam diarreias (a giardíase é caracterizada pela diarreia crônica).  Este mal, no entanto, também é combatida com a vermifugação, outro procedimento que deve ser realizado anualmente.

Mais informações sobre as vacinas para cachorros

Tanto a vacina múltipla quanto a antirrábica precisam ser renovadas anualmente. Em viagens interurbanas, as empresas de ônibus e aéreas exigem os comprovantes das vacinas para permitir o transporte de cães. Em algumas cidades, vale a mesma regra para o embarque em trens e ônibus.

Além do veto ao transporte aéreo e rodoviário, a maioria das creches e hotéis para cães brasileiros não permite a frequência de animais. O mais importante, certamente, é a prevenção das doenças, mesmo para os cachorros que só saem de casa para passear com os tutores.

Não existem diferenças entre vacinas nacionais e importadas. A eficácia dos imunizantes é garantida por diversos órgãos federais. O tutor deve se certificar de que o produto tenha sido aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

No caso de adoções de animais adultos, obviamente sem histórico conhecido de saúde, o veterinário geralmente indica duas doses da vacina múltipla e uma dose da antirrábica. No ano seguinte, a caderneta de vacinação deve ser atualizada.

Em qualquer caso, é o veterinário quem deve decidir sobre a imunização. A expressão “vacina ética” refere-se exatamente ao fato de que só um profissional especializado pode escolher os melhores imunizantes.

Uma vacina pode não ser tão eficiente, por exemplo, quando aplicada em um animal idoso ou portador de doença crônica, em relação aos resultados observados em um cachorro adulto saudável. A vacinação deve acontecer sempre depois da avaliação médica, que apenas o veterinário pode fazer.

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