Apesar de a maioria não precisar mais demonstrar as habilidades, os cães pastores mantêm os instintos.

Os cães acompanham a humanidade há milhares de anos. Na verdade, seria mais correto dizer que humanos e caninos estabeleceram uma parceria útil para ambos, que permanece até hoje. Inicialmente, porém, o contato se restringia às atividades de caça e proteção.

Com o tempo, porém, os homens passaram a criar o seu próprio alimento, uma atividade bem menos arriscada. Progressivamente, surgiu o pastoreio e, em seguida, a pecuária. Nossos melhores amigos acompanharam o movimento e se tornaram cães pastores.

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Atualmente, a maioria dos animais está aposentada do ofício: não é mais necessário que os cães guardem rebanhos ou conduzam manadas por caminhos perigosos e não demarcados. Mesmo assim, pastores (alemães, belgas, húngaros, etc.), sheepdogs (literalmente, cães de ovelhas), mastins, collies, staffordshires e representantes de muitas raças mantêm os instintos de agregar os bandos e protegê-los da ação de predadores.

“Apenas companhia”

Os donos de cães pastores progressivamente transformaram os seus companheiros em animais de companhia. Efetivamente, quem convive com um border collie ou um afghan hound dificilmente está preocupado com as habilidades inatas destes pets.

No entanto, os instintos continuam presentes. Confira alguns exemplos:

  • quando um cão pastor avança ferozmente contra um intruso, ele está simplesmente mantendo a integridade da “manada”. E não importa que o invasor seja um carteiro, prestador de serviços ou visitante: para o cachorro, ele é visto como uma ameaça;
  • “os cães ladram e a caravana passa”. Quando cães pastores latem agressivamente para os carros que passam à frente da cada, eles podem estar afastando um perigo ou tentando trazer a “ovelha desgarrada” de volta ao rebanho.

Muitas raças foram extintas, quando os seus indivíduos se viram sem função. O Homo sapiens é um ser basicamente utilitarista e, desta forma, considerou mais simples, em diversas ocasiões, abandonar os “fiéis escudeiros” à própria sorte, expondo-os a predadores, por exemplo.

Outros cães, mesmo perdendo o trabalho, tiveram mais sorte e transformaram-se em animais de companhia. Seja como for, eles permanecem aptos para o resgate, proteção do patrimônio, ataque e transporte. Um chihuahua e um bloodhound estão igualmente equipados pela natureza para desenvolver as funções que trouxeram o cachorro para a companhia da humanidade.

A aproximação

Os cães são descendentes dos lobos. Alguns zoólogos afirmam tratar-se da mesma espécie, diferenciados apenas pelo ambiente: alguns se mantiveram na mata, enquanto outros foram progressivamente admitidos nos grupos humanos.

Inicialmente, eles somente partilhavam a fogueira, para garantir calor e alimento. Paulatinamente, passaram a defender cavernas, acampamentos de tendas, aldeias e cidades. À medida que os homens aumentavam o patrimônio, os cães também se especializavam em diversas atividades.

O simpático chow-chow é um exemplo de sofisticação. Guarda e proteção são inerentes a todos os indivíduos caninos, mas os animais da raça, em algum momento da história, passaram a ser considerados guardiães dos templos budistas na China e nos países aos pés do Himalaia. Até hoje, é possível encontrar ilustrações de chow-chows nas paredes dos pagodes.

Além de carinhosos, devotados, amorosos – em resumo: verdadeiros membros da família –, os cães são também valorosos instrumentos de trabalho. Quem já teve a casa protegida contra uma invasão de criminosos sabe disto.

Os cães pastores fazem parte do grupo dos animais que se destacaram nesta atividade. Atualmente, eles se apresentam em diversos portes e pelagens. Isto, no entanto, é apenas mais uma evidência de que eles se desenvolveram em diversas partes do mundo, para cuidar de diferentes tipos de criação – e também para manter afastados os predadores de cada um deles.

Raças específicas

Todos os cães são capazes de desincumbir-se com êxito de muitas atividades – e todos os cães pastores, assim classificados pelas federações cinológicas internacionais, desenvolveram habilidades marcantes. Eles estão “sempre alertas”, possuem faro apurado, apresentam alto senso de hierarquia e são extremamente organizados.

Um cão inglês

O border collie, considerado o cão mais inteligente do mundo (uma pesquisa de 2011 revelou que os indivíduos da raça conseguem aprender mais de 1.000 comandos e palavras), é descrito também como o melhor animal de pastoreio.

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border collie

A raça é originária das ilhas britânicas e foi utilizada, com muito sucesso, para guardar cabras e ovelhas (o padrão foi estabelecido no século XIX, mas os ancestrais são descritos ao menos desde o século XV). O afastamento dos predadores e as melhores técnicas de confinamento do gado permitiram que os animais da raça fossem empregados em outras tarefas.

Para manter um border collie, no entanto, a família humana precisa de muito fôlego. Os cachorros da raça são ágeis e rápidos, demandando muito estímulo físico e mental. São animais dóceis, curiosos e amigos da família inteira.

Um “velho pastor inglês”

Quem observa um old english sheepdog (literalmente, velho pastor de ovelhas inglês), com o seu ar bonachão, quase medroso, não imagina que os primeiros indivíduos da raça lutaram com bravura contra predadores, nas terras altas da Grã-Bretanha.

old english sheepdog
old english sheepdog

Como cães pastores, os sheepdogs enfrentavam até mesmo ursos. Atualmente, o corte de caudas e orelhas está proibido na maioria dos países, mas o padrão original da raça permitia o corte do rabo (ele também era conhecido como bobtail) – um dos pontos fracos, já que os ursos conseguiam neutralizá-los, segurando-os por este apêndice.

O sheepdog é basicamente um dorminhoco. Ele adora a companhia de crianças, a quem se apega com devoção. Quem pretende adotar um cão da raça deve estar preparado para dedicar longas horas com os cuidados com a pelagem farta e grossa, mas terá um companheiro para todos os momentos.

Do outro lado do mundo

Apesar de não ser muito conhecido no Brasil, o australian cattle dog (ou simplesmente cão boiadeiro) sempre figura no Top Ten dos cães pastores. A raça é relativamente recente, tendo se fixado apenas quando a presença inglesa se tornou mais forte na Austrália, a partir do século XIX.

australian cattle dog
australian cattle dog

Os primeiros colonizadores britânicos logo perceberam que as características geológicas e climáticas da ilha-continente eram totalmente diferentes, não apenas das verificadas na Grã-Bretanha, mas também em colônias espalhadas por todo o mundo.
Desta forma, surgiu o australian cattle dog, “herdeiro” de diversas raças locais. É possível que os cães da raça sejam resultantes do cruzamento de dingos e collies de pelo curto. Os indivíduos atuais se destacam pela inteligência e senso gregário. Eles gostam de exercícios e brincadeiras, prestam-se com facilidade ao adestramento e podem ser utilizados como cães de guarda.

Pastor pela própria natureza

Sem desfazer dos demais cães pastores, o pastor alemão é talvez o boiadeiro mais admirado no mundo inteiro. Além de pastorear cabras, ovelhas e gado de grande porte, os animais da raça também ficaram conhecidos pela bravura e lealdade. Até hoje, os pastores alemães são empregados em atividades policiais e militares.

Também conhecidos como lobo da Alsácia, os cães pastores alemães fazem parte de uma das raças mais numerosas e estudadas atualmente. No Brasil, a maioria dos indivíduos é empregada em atividades de companhia, ataque, guarda e vigilância.

Estes cães foram largamente utilizados em manobras militares durante a Primeira Guerra Mundial. A raça quase foi extinta, por ser identificada com os derrotados no conflito bélico. Lealdade, integridade, facilidade de interação com humanos e outros animais, além de muitas outras qualidades, foram determinantes para colocar os pastores alemães entre os animais de estimação mais admirados.


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