Quanto tempo dura o cio da cadela?

O tempo varia, mas em média dura 21 dias. Saiba o que é e como funciona o cio das cadelas.

O ciclo reprodutivo dos cães dura em média seis meses. Por isso, as cadelas entram no cio – o período em que estão receptivas ao acasalamento – duas vezes por ano. Elas permanecem aptas para a reprodução durante três semanas a cada ciclo.

Este ciclo, no entanto, varia de indivíduo para indivíduo. Algumas fêmeas podem entrar no cio até três vezes a cada ano (isto acontece principalmente entre as cadelas de menor porte), com períodos receptivos mais curtos.

Quanto tempo dura o cio da cadela?

O cio das cadelas

Em linhas gerais, o cio ou estro das cadelas corresponde ao ciclo menstrual das mulheres, mas, enquanto este dura 28 dias – da liberação de um oócito (o óvulo ainda imaturo) até a concepção (ou eliminação do óvulo e do endométrio, com a menstruação), nas cadelas ele é muito mais longo.

O primeiro cio ocorre entre os seis e os 18 meses de idade. As cadelas sem raça definida tendem a se tornar sexualmente maduras mais cedo, enquanto as fêmeas de raças de grande porte levam mais tempo para atingir a maturidade.

Por isso, os tutores que não esterilizam as cadelas até os seis meses de idade podem deparar-se com o cio e, se a peluda tiver acesso à rua, certamente acasalará e ficará grávida, gerando uma ninhada precoce e quase sempre indesejada, por causa da negligência dos humanos.

Apesar de o cio indicar que a cadela está pronta para acasalar, isto não significa necessariamente que ela esteja física e emocionalmente pronta para enfrentar a gravidez, o parto e o período de lactação.

Mesmo em caso de cadelas destinadas à reprodução, os veterinários são unânimes em recomendar que elas sejam mantidas isoladas nos primeiros cios, até que a maturidade física esteja completa. Uma gravidez precoce pode acarretar riscos para a vida e a saúde da mãe e dos filhotes.

Como regra geral, o cio dura três semanas e se repete com periodicidade semestral. Algumas cadelas podem apresentar três ciclos menstruais (de quatro meses cada) por ano. A duração do cio também pode ser mais curta ou longa, mas cios de mais de quatro semanas são raros. Quando isto acontece, é preciso avaliar a saúde da peluda.

Os sinais do cio nas cachorras

As fêmeas no cio emitem alguns sinais. O mais visível é o sangramento através da vulva – é preciso observar que a ovulação das cadelas é múltipla e, por isso, quando um óvulo está sendo descartado, outros continuam viáveis e podem ser fecundados.

O sangue é eliminado por gotejamento e, desta forma, a cadela deixa marcas de sangue nas roupas e em todos os locais a que tenha acesso, como camas e sofás. O uso de fraldas para impedir a “sujeira” pode atenuar o problema, mas elas devem ser trocadas com regularidade, para evitar doenças e desconforto.

Além do sangramento, os mamilos também podem se apresentar inchados e sensíveis, uma vez que os hormônios sexuais já começam a estimular a produção de leite.

Quanto tempo dura o cio da cadela?

No período em que a fêmea está receptiva ao acasalamento, a vulva se mostra inchada e a cadela pode portar a cauda elevada, acima da linha superior do dorso, mesmo que esta não seja uma característica anatômica do animal.

Além dos sintomas físicos, o cio também causa mudanças no comportamento das cadelas. Muitas fêmeas podem se mostrar mais carentes, exigindo mais atenção dos tutores neste período (e também nos dias imediatamente anteriores).

Um sinal claro de que a cadela está no cio, contudo, não está no comportamento dela, mas dos machos não castrados da vizinhança. Eles são atraídos pelos feromônios e pela urina e podem ficar rondando a casa. Os que não têm acesso às ruas tentam escapar e reagem de forma individual – choramingando ou mostrando-se violentos.

As fases do cio na cadela

O cio canino é dividido em quatro fases, que não são facilmente identificáveis por leigos. Elas são determinadas por alterações na produção dos hormônios sexuais, que preparam as cadelas para o cruzamento e, posteriormente, para a gravidez.

Proestro – nesta fase, que dura de três a cinco dias, a cadela ainda não está pronta para o acasalamento, mas os tutores já conseguem identificar o sangramento pela vulva e, em alguns casos, o inchaço dos mamilos. O sangue eliminado é resultante da perda de parte do endométrio.

O endométrio é a camada interna de revestimento do útero, situada abaixo da serosa. Este tecido se torna mais espesso e macio, para alojar os embriões, e volta ao estado normal quando não ocorre fecundação.

Durante o proestro, as cadelas podem se mostrar mais ansiosas ou agressivas; dependendo do temperamento, elas também podem ficar manhosas ou medrosas. Neste período, elas não mostram receptividade aos machos, mas eles já começam a se sentir atraídos, o que pode resultar em brigas, tanto entre os pretendentes, quanto com a própria cadela.

Estro – neste período, a cadela está fértil e os sangramentos cessam: os óvulos liberados estão maduros, à espera da fecundação, e o endométrio permanece estabilizado. O estro pode durar de três a 16 dias.

As mudanças no comportamento das cadelas se tornam mais notáveis. A maioria se mostra mais amorosa com os tutores, procurando a presença deles com mais frequência. Por outro lado, caso o ciclo traga desconforto, os animais podem ficar mais agressivos.

As fêmeas saudáveis quase sempre se mostram ativas e bem dispostas durante o estro. No caso de cadelas com atividade física intensa, aumenta sensivelmente o rendimento dos treinamentos e brincadeiras.

Durante o estro, as cadelas tendem a expor a vulva com mais visibilidade. Além disso, elas liberam feromônios, substâncias químicas que indicam a receptividade. Os machos adultos conseguem sentir os feromônios no ar com extrema facilidade e os que vivem soltos podem caminhar alguns quilômetros em busca das parceiras.

Diestro – a duração desta fase depende de ter havido ou não a fertilização dos óvulos. Ela pode durar de dois a três meses. Os tutores precisam redobrar a atenção, porque a cadela pode estar grávida, precisando de ajuda.

Algumas cadelas, mesmo na presença de machos, podem recusar o acasalamento – isto é relativamente entre as fêmeas dominantes, territorialistas e idosas (a partir dos seis ou sete anos de vida). Nesta fase, a gravidez psicológica também é relativamente frequente.

Nesses casos, os tutores podem notar um aumento sensível do apetite das cadelas, acompanhado da instabilidade emocional: elas podem, por exemplo, recusar as brincadeiras prediletas para, logo em seguida, se mostrarem brincalhonas e sociáveis.

Anestro – considerando um ciclo de seis meses, o anestro pode se estender por até cem dias. Este é o período de inatividade sexual. Sem a influência dos hormônios, as cadelas passam a exibir o comportamento considerado normal, de acordo com as características individuais.

O anestro também pode ocorrer a partir de um aborto espontâneo ou do parto, caso a cadela tenha engravidado durante do estro. Neste caso, os tutores notarão grandes diferenças no comportamento, ditadas pela lactação e os cuidados com os filhotes, que podem se estender por até três meses (ou até mais, caso os cãezinhos não sejam separados).

Caso não tenha havido acasalamento (ou a cadela não tenha engravidado; isto é raro, mas pode ocorrer), o anestro não é marcado por sinais evidentes. Ele é um período de descanso para o organismo nas fêmeas, que se prolonga até o início da ovulação seguinte.

Os resultados

Os tutores que não castram os seus cães podem ter de lidar, de tempos em tempos, com o cio (e os seus inconvenientes), o acasalamento, a gravidez, o parto e a lactação. Por isso, se você não esterilizou a sua cadela e ela tem acesso à rua – ou os machos têm acesso ao quintal – parabéns: em cerca de dois meses, você se tornará um avô orgulhoso.

O cio também provoca fugas, acidentes, extravios e brigas. Apenas alguns cães, que serão utilizados para reprodução (e até melhoramento da raça) devem permanecer intactos: todos os demais precisam ser esterilizados.

As cirurgias são pouco invasivas e apresentam baixo risco para os animais. Sempre é possível uma infecção, mas os perigos são muito maiores para os animais sexualmente ativos.

Além dos problemas imediatos (brigas, fugas e até mesmo o aborrecimento de ter de lidar, duas vezes por ano, com machos e fêmeas irritados, agitados e insatisfeitos), os animais não castrados apresentam probabilidade muito maior de contrair uma série de doenças.

Os machos podem desenvolver tumores malignos no pênis, testículos e próstata. As fêmeas, nos ovários, útero e vulva. A gravidez psicológica também impõe problemas físicos e emocionais para as cadelas, que podem até mesmo ser fatais.

A castração pode ser feita até os seis meses de idade, com excelentes prognósticos para os animais, que, ao contrário do que se imagina, não se sentem frustrados ou carentes por não serem sexualmente ativos.

Muitos tutores se veem obrigados a procurar novos lares para os filhotes indesejados, que chegam a nascer duas vezes por ano, gerando despesas e muito trabalho. É comum, nas redes sociais, deparar-se com anúncios do tipo: “Doam-se filhotes para pessoas responsáveis”.

Mas um meme, que também circula com regularidade na internet, responde a esses anúncios: “Como uma pessoa irresponsável, que não castrou os pets e permitiu uma gestação indesejada, pode exigir algum tipo de responsabilidade?”.

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