Cachorra não para de abanar o rabo em agradecimento aos resgatadores

Esta cachorra foi resgatada nas ruínas de uma construção e mostrou gratidão abanando o rabo. É emocionante!

Os cachorros não falam, mas possuem outros meios de comunicação. É o caso desta cachorra, que foi encontrada nas ruínas de uma antiga garagem, fraca demais para esboçar qualquer reação. Mesmo assim, a peluda percebeu que estava em boas mãos e não parou de abanar o rabo durante a operação, mostrando gratidão aos voluntários.

A ação aconteceu em Craiova, uma cidade universitária na Romênia. A região está passando por transformações urbanísticas e muitas construções antigas estão sendo derrubadas, para dar lugar às inovações.

As muitas ruinas ainda visíveis na cidade acabaram se tornando refúgio de animais abandonados. Arnia foi encontrada nos escombros de uma antiga garagem na região central, faminta e desnutrida, praticamente sem forças para erguer o próprio corpo.

cachorra-nao-para-de-abanar-o-rabo-em-agradecimento-aos-resgatadores

O resgate

Uma equipe da Howl of a Dog encontrou alguns animais ocupando provisoriamente as ruínas de uma construção demolida, mas ainda não reedificada. Os cães transformaram o local em uma espécie de gueto.

Entre os animais, estava Arnia, uma cadela preta sem raça definida. Ao contrário dos outros cães, ela não esboçou nenhuma reação quando a equipe chegou ao local: enquanto alguns, mais amistosos, se aproximavam em busca de comida, os mais ariscos se escondiam.

cachorra-nao-para-de-abanar-o-rabo-em-agradecimento-aos-resgatadores

Arnia, no entanto, continuou deitada sobre os escombros. O motivo ficou claro em poucos minutos: ela não conseguia se levantar, nem mesmo arrastar o corpo. Arnia estava fraca demais para uma reação enérgica.

Naquela manhã fria de inverno, os voluntários perceberam que Arnia não estava sozinha: havia outros cães nas mesmas condições, com as mesmas características físicas da cachorra preta. Talvez fossem filhotes já crescidos, talvez irmãos da mesma ninhada.

cachorra-nao-para-de-abanar-o-rabo-em-agradecimento-aos-resgatadores

O local escolhido pelos cachorros era especialmente perigoso. O grupo estava deitado sobre uma pilha de azulejos quebrados. O material, por refletir a luz do Sol, era mais quente do que os tijolos e restos de canos e fios que se acumulavam na área demolida.

Mas, apesar de quentes, os azulejos também estavam cheios de arestas pontiagudas, que poderiam facilmente ferir os cachorros – especialmente naquelas condições: eles estavam muito magros, com a pele ressecada e diversas falhas na pelagem.

O socorro

Os cachorros deste pequeno grupo não mostraram nenhum tipo de reação agressiva, mas Arnia surpreendeu por não parar de abanar o rabo. Talvez ela tenha percebido que os voluntários estavam ali para ajudar e o tempo de privação estava finalmente chegando ao fim.

Todos os cachorros foram recolhidos e levados imediatamente para o hospital. Os veterinários que atenderam Arnia descobriram que a cachorra pesava apenas 13 kg – a metade do esperado para um cão do porte dela.

cachorra-nao-para-de-abanar-o-rabo-em-agradecimento-aos-resgatadores

A cachorra também estava desidratada, anêmica, sofrendo de espasmos musculares involuntários. Exames de laboratório identificaram infecção por Giardia lamblia, um protozoário que se aloja no intestino delgado. A doença causa vômitos e diarreia, além de distensão e dores abdominais.

Estava explicado o motivo de tanta magreza: os protozoários estavam absorvendo parte dos nutrientes e provocando o desperdício: no pouco alimento que Arnia conseguia encontrar, a maior parte era eliminada antes que o organismo pudesse absorver proteínas e gorduras de maneira adequada.

cachorra-nao-para-de-abanar-o-rabo-em-agradecimento-aos-resgatadores

Arnia não tinha nenhum problema de saúde mais grave. Precisava se curar da giardíase e de muito alimento para recuperar o peso. Além disso, ela precisava de carinho. Nos primeiros dias no abrigo, ela se mostrou assustada, apenas abanando o rabo de longe quando os cuidadores se aproximavam.

Quando a cachorra finalmente entendeu que estava a salvo – e que os amigos de rua também tinham sido acolhidos – ela gradualmente passou a demonstrar a personalidade real. Arnia é uma cadela amorosa, brincalhona e muito carente.

Em algumas semanas, Arnia recuperou o peso e passou a mostrar toda a vivacidade. Os veterinários da Howl of a Dog estimam que ela tenha entre dois e três anos. A cachorra foi vacinada e esterilizada. Ela e os amigos estão prontos para encontrar novos lares e começar uma vida feliz.

A instituição

Howl of a Dog (“uivo de um cachorro”, em tradução literal), é uma entidade sem fins lucrativos fundada por estudantes e recém-formados que vivem em Craiova. Eles trabalham com resgate, abrigo e adoção de animais desamparados, inclusive encaminhando alguns cães e gatos para outros países.

cachorra-nao-para-de-abanar-o-rabo-em-agradecimento-aos-resgatadores

O número de animais de rua na Romênia é significativo. Na capital, Bucareste, estima-se que haja 65 mil cachorros abandonados – um para cada 30 humanos que residem na cidade. Uma nova legislação sancionada em 2016 prevê o abate dos animais vagabundos, mas a “política de saúde pública” divide as opiniões dos romenos.

Com 4,1 milhões de cachorros e gatos vivendo nas ruas, a Romênia ocupa o décimo lugar no ranking dos países com maior número de animais sem teto. Proporcionalmente à população humana, o país salta para a primeira colocação, com um animal na rua para cada cidadão romeno.

O número de cães e gatos nas ruas tem aumentado nas últimas décadas. Um dos motivos é a rápida industrialização do país, que forçou boa parte dos cidadãos a se mudar: a casa tradicional romena era térrea, com quintal e jardim. Atualmente, a maioria vive em apartamentos – e a maioria das antigas construções ainda não deu lugar a novos empreendimentos.

Postagens Relacionadas