Não é raro ver cachorros se divertindo em uma piscina, mas nem todos eles sabem nadar.

Diz o senso comum que todos os cachorros sabem nadar. Isto provavelmente é derivado do fato de que os cães, quando colocados sobre uma massa de água, instintivamente começam a movimentar as patas, dando impressão de que estão doidos por um mergulho.

Com relação à parte do instinto, os observadores desta situação estão certos. Nenhum cachorro quer morrer afogado e, por isto, ao observar a proximidade de uma grande quantidade de água, qualquer pet já começa a traçar estratégias de sobrevivência. Na verdade, o movimento das patas é um comportamento de fuga: o nado “cachorrinho”, exatamente o estilo de quem não sabe nadar.

Cachorros que sabem nadar

Quem pode cair na água?

Diversas raças caninas foram desenvolvidas exatamente para nadar – as funções eram pescar ou recuperar aves de caça abatidas em pleno voo sobre rios e lagos. É o caso, por exemplo, do retrievers dourados, do labrador e da terra nova e dos cães d’água portugueses.

O poodle não é exatamente um medalhista olímpico em natação. A raça foi criada para entrar em águas rasas e os indivíduos maiores conseguem arriscar algumas braçadas. “Pudel”, em alemão, significa “chapinhar”, que significa brincar na água ou simplesmente bater de chapa com a mão no rio ou lago, para agitá-lo.

Além das raças citadas acima, o yorkshire terrier, o cocker spaniel e outras menos conhecidas no Brasil (como o cão d’água irlandês, o duck tolling retriever, oriundo do Canadá, o chesapeake bay retriever, dos EUA e o perdigueiro alemão) são exímios nadadores.

Muitos outros cães, de qualquer forma, podem ser incentivados ao exercício, que, além de ser uma atividade divertida, é excelente para fortalecer o sistema respiratório, os músculos e os ossos. As braçadas também são um bom momento para o adestramento: em geral, os cães nadadores adoram recuperar objetos lançados na água: é como se eles voltassem ao passado, trazendo para o tutor o resultado da caça do dia.

As exceções

Os chamados cães braquicefálicos, que apresentam o focinho achatado, não nasceram para nadar. É o caso do pug, buldogues inglês e francês, pequinês, boxer, boston terrier, shi itzu, dogue de bordeaux, chow chow, sharpei e cavalier. O termo “braquicefálico” vem da junção de duas palavras de origem grega: -braqui significa curto e –céfalo, cabeça.

Os cães destas raças apresentam mandíbula compatível com o crânio e maxilar recuado: é o chamado retrognatismo, ou, em cinofilia, a “tesoura invertida”. As raças foram criadas para ter uma mordida mais potente (originalmente, o buldogue inglês era utilizado em brigas com touros). muitas raças, no entanto, apresentam esta característica apenas por questões estéticas.

Os cães braquicefálicos têm dificuldade para manter a cabeça acima da linha d’água, justamente em função da anatomia que apresentam. Os pets destas raças, aliás, são comuns por apresentarem problemas nas vias respiratórias. Muitos animais têm narinas estreitas, alongamento do palato mole (a junção entre as vias respiratórias e digestórias), problemas na laringe e na traqueia. Para estes cães, a piscina (ou lagoa) deve ficar bem distante.

A natação não é indicada para cães idosos e também para os que sofrem com sobrepeso ou obesidade. O exercício deve ser visto com cautela para animais com problemas ósseos, como a displasia coxofemoral, relativamente comum entre animais de grande porte.

Os cuidados

Algumas medidas precisam ser adotadas para garantir a segurança e saúde dos cães que sabem nadar. Casas equipadas com piscina precisam instalar rotas de saída para os pets mergulhadores: neste caso, o risco é de exaustão durante os exercícios, especialmente quando não existem obstáculo entre os cães e a água – os mesmos adotados para impedir sustos com crianças pequenas – telas ou grades ao redor do tanque.

As piscinas residenciais dotadas de degraus até a superfície são ideais, mas é possível instalar plataformas de saída (e ensinar os pets a utilizá-las). Em alguns casos, porém, pode ser necessário instalar piso derrapante.

Em lagoas e rios onde há banhos públicos, os perigos são os mesmos que podem afetar os humanos: degraus que se formam no leito, plantas aquáticas que podem se enroscar nos membros e limitar ou mesmo impedir os movimentos.

Além disto, o dono responsável deve evitar locais com rochas soltas, lisas ou pontiagudas, que possam causar ferimentos. Um procedimento fundamental é verificar se a legislação local permite a companhia de cães nos banhos (na maioria das praias brasileiras, esta prática é proibida, mas as normas frequentemente são burladas).

Outro aspecto fundamental: ao levar cães para qualquer atividade em espaço público (mesmo que seja um passeio curto em volta do quarteirão), os donos precisam atentar para a necessidade de manter a higiene, a vacinação e a vermifugação em dia. Cães doentes podem prejudicar a saúde de humanos e de outros animais domésticos.

Os cães que sabem nadar precisam se exercitar sempre com a supervisão do dono: eles podem não suportar a correnteza, ficar muito cansados e até mesmo sofre cãibras dolorosas e impeditivas. Todo cuidado é pouco.

Outro ponto importante: o cloro utilizado para purificar a água das piscinas é prejudicial aos pelos, pele, focinho e olhos dos pets (a água do mar também é responsável por várias enfermidades). A exposição prolongada é bastante nociva. Por isto, depois dos mergulhos nunca é demais dar um banho nos mergulhadores caninos. Este pode ser inclusive um método para reduzir o medo ou ferocidade no momento da higiene.

Casos mergulhem sejam realizados longe de casa, é necessário secar a pelagem antes de transportar os cães de volta: a umidade é um dos principais fatores responsáveis pela proliferação de fungos e bactérias daninhos. Um cuidado especial deve ser dado às orelhas, para reduzir o risco de otites


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