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As 10 raças de cães mais independentes

Cães são fascinantes. As diversas raças se adaptaram a diversas funções. Assim, alguns se tornaram mais independentes.

A nossa história com os cães é muito antiga. Animais extremamente versáteis, eles se aproximaram de nós, há milhares de anos, para partilhar atividades de caça. Extremamente inteligentes, de lá para cá eles aprenderam muita coisa: montar vigilância, atacar, guerrear, caçar grandes feras e pequenos roedores, acompanhar carros de guerra e carruagens de passeio, servir de guia para pessoas portadoras de deficiência, auxiliar em resgates, procurar drogas, fazer companhia.

Nesta trajetória, algumas raças se destacaram por desenvolver atividades de forma isolada. Pastores e boiadeiros, por exemplo, acostumaram-se a passar longos horas (e dias) sozinhos, apenas na companhia dos rebanhos. Desta forma, tornaram-se mais independentes, apesar de manterem as características de companheirismo, lealdade, tolerância e camaradagem que os transformaram nos melhores amigos do homem.

Algumas pessoas querem ter a companhia de um cão, mas têm uma agenda corrida, mal param em casa e não são bons companheiros para os pets mais apegados. Para elas, as raças de cães mais independentes são um achado precioso – é possível encontrar um peludo que não se incomoda de passar algumas horas sozinhos (eles até gostam), mas tem todo o amor do mundo para oferecer nos momentos de partilha.

Escolhendo um cachorro

Antes de falar das raças de cães mais independentes, é importante ter em mente que alguns animais acrescentaram atividades às funções originais para as quais fora desenvolvidos. Um pastor alemão, por exemplo, trabalha em uma infinidade de atividades – da companhia a crianças e idosos à perseguição policial.

Por isso, os cães da raça, originalmente cuidadora de rebanhos ovinos, tornaram-se mais comunicativos e interagem melhor com os humanos. Isto significa, por outro lado, que eles necessitam em maior medida da presença de humanos em boa parte do seu dia.

A personalidade canina, assim como a nossa, é complexa. Desta forma, é possível encontrar um chihuahua extremamente confiável ou um poodle que não gosta de fazer amigos. Apesar disto contrariar o perfil da raça, as características podem mudar de indivíduo para indivíduo.

Na hora da escolha, sempre que possível, é importante observar os pais do futuro membro da família. Não é uma garantia integral, mas os filhotes tendem a ser parecidos com os pais, já que o temperamento depende muito de predisposições genéticas.

É importante ter em mente também que cães independentes são igualmente mais teimosos, menos dispostos ao adestramento e a agradar a todos e provavelmente disputarão com os tutores a liderança do bando. Em outras palavras, eles aprendem menos truques – não por serem menos inteligentes, mas por não terem grande necessidade de agradar outros membros da família –, são “persistentes” quando querem alguma coisa e podem dar a impressão de serem autossuficientes.

É preciso deixar claro: nenhum cachorro é totalmente independente (aliás, apesar da fama, nem os gatos são). Todos necessitam de contato e interação com humanos (e, em alguns casos, com outros pets). Raças mais independentes são aquelas cujos indivíduos não são “chicletinhos”, podem passar parte do dia sozinhos e gostam de brincar ou relaxar sozinhos. Isto não significa que eles não deem trabalho. São seres vivos, afinal de contas.

Cães independentes são inteligentes e estão sempre em alerta – para o bem ou para o mal. Se eles decidirem explorar a vizinhança, é aconselhável que as cercas e travas da casa estejam em bom estado. Eles também não se interessam muito em ser bons anfitriões: podem avançar sobre visitas e prestadores de serviço. Por isso, os tutores também precisam estar sempre atentos.

Os independentes

Antes de relacionar as raças de cães mais independentes, vale lembrar que todos os cachorros pertencem à mesma espécie: Canis lupus familiaris. Desta forma, chihuahuas podem cruzar tranquilamente com bloodhounds. Provavelmente, esta faça teria de ser realizada com fertilização in vitro, mas os filhotes nasceriam saudáveis e férteis.

Isto significa que, independente do porte, eles mantêm algumas características básicas, como a vigilância, a atenção ao ambiente (que é bem mais amplo do que podemos supor, uma vez que os cachorros captam ruídos e odores disparados a quilômetros de distância), são afetuosos, leais, dedicados à família.

Os cães independentes fazem festa quando os tutores voltam para casa, mas não chegam a sofrer arritmias com a emoção do reencontro. Adoram brincadeiras em família, mas podem passar horas dedicando-se a morder (o destruir) um brinquedo novo. São bons vigilantes da família e da casa, mas não precisam ficar no colo de quem estão protegendo. Pelo menos, não nas 24 horas do dia.

Vale lembrar que o relacionamento em casa é fundamental para definir o temperamento de um cachorro adulto. Se ele crescer ouvindo gritos e “nãos” o tempo todo, é muito provável que ele se torne um animal amedrontado, assustadiço. Os que conseguem se sobrepor aos tutores tornam-se pequenos tiranos domésticos. Já os que passam muito tempo sozinhos e isolados podem desenvolver condutas destrutivas e agressivas. A boa educação, também entre os cães, é fundamental.

01. Chihuahua

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Os cães da raça podem ser descritos como os campeões do mau humor. Eles preferem ficar na sua caminha, não gostam nem mesmo de passear, apesar de precisarem ser forçados a isso, para fortalecer a estrutura orgânica. São animais determinados, inteligentes e passam a impressão de autossuficientes, mas provavelmente escolherão um colo da família “para chamar de seu”. Um colo ou vários.

Definitivamente, estes mexicanos não têm a menor noção do tamanho que têm. Eles se consideram cães de guarda e zelam pela família e pelo patrimônio. Mesmo que eles aparentem não gostar de um ou outro membro do grupo familiar, basta que alguém fique doente para que eles não arredem pé do quarto, enquanto não virem o “pai” (ou irmão, irmã, etc.) restabelecido, em pé.

Talvez eles não sejam mal-humorados, apenas reservados e tímidos. Chihuahuas precisam ser convencidos a brincar, mas é difícil fazer com que parem depois que eles se empolgam com a brincadeira. Em função do porte pequeno, no entanto, é ideal não forçá-lo a atividades físicas, especialmente em jogos que podem comprometer a frágil integridade física. Eles não são doentes: são pequenos, mesmo.

02. Pinscher miniatura

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Apesar das semelhanças anatômicas, o pinscher não é um parente próximo do chihuahua: o oceano Atlântico os separa. O pinscher foi desenvolvido na Alemanha, para combater pragas de lavouras e jardins, como roedores. Ele é um dos ancestrais do dobermann pinscher e possui duas variedades: preto e castanho (semelhante a um capa-preta) e vermelho-corça.

O pinscher miniatura é considerado “a menor raça de cães de guarda do mundo”. Este cachorro é valente, mas é adotado principalmente em função do porte, uma vez que consegue se adaptar em qualquer espaço. São cachorros persistentes, inteligentes, obedientes e curiosos, mas apresentam propensão a desenvolver depressão e dominância, uma vez que são extremamente territorialistas.

A principal característica da raça talvez seja a autoconfiança. O pinscher não é tão difícil de adestrar como outras raças relacionadas aqui, mas requer paciência e métodos positivos. Maus tratos (físicos ou psicológicos) geram cães estressados e agressivos, ou extremamente medrosos, contrariando as características da raça. Ele é muito apegado aos tutores, mas consegue ficar bem quando está sozinho por períodos curtos.

03. Akita

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É uma raça japonesa milenar, usada na caça de animais de grande porte. Os indivíduos contemporâneos provavelmente são resultantes de cruzamentos com raças europeias. O akita foi bastante utilizado no início do século 20 em brigas de cachorros, o que o tornou um animal arisco e solitário. Atualmente, estão divididos em duas raças: os akitas inu são mais ágeis, leves e elegantes, enquanto os akitas americanos são mais pesados e fortes. Ambos são discretos, silenciosos, disciplinados e corajosos.

Apesar de muito independentes, os akitas precisam de alguma forma de companhia e controle; caso contrário, podem se tornar destrutivos e agressivos, especialmente com estranhos. Bem ajustados, são bons cães de companhia, afetuosos e agradáveis. Eles não gostam de conviver com outros cães e não são indicados para casas com crianças pequenas.

A forte determinação dos akitas pode ser um problema no adestramento, mas eles não podem ser considerados teimosos. Os tutores precisam ser persistentes e firmes nas atividades de treinamento. Por isso, a raça não é indicada como primeira adoção. Estes cachorros podem ser difíceis, especialmente para pessoas muito “boazinhas”.

04. Mastim tibetano

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Mais um cão que veio do Oriente, ainda pouco conhecido no Brasil. O mastim tibetano foi desenvolvido por pastores nômades do Tibete, Nepal, Índia e China, na região do Himalaia. Trata-se de um cão molossoide e provavelmente é o ancestral de todos os molossos do mundo, inclusive os grandes cães gregos da Antiguidade.

A raça espalhou-se pela Europa e a Ásia. Depois de muitos cruzamentos seletivos, o mastim tibetano se tornou um excelente cão de guarda e de companhia: é um guardião de rebanhos, aldeias, palácios e mosteiros budistas. Ele já foi empregado inclusive para defender ovelhas dos ataques de grandes felídeos, como o leopardo-das-neves.

As atividades de pastoreio e vigilância moldaram o temperamento do mastim tibetano, que se tornou um cão independente e de poucos amigos, apesar de preferir ficar sozinho. Trazido à convivência em casa, no entanto, ele passou a manifestar o afeto por humanos e outros animais de estimação. Apesar do tamanho, este cachorro pode ser considerado como um bebê.

Ele não gosta de estranhos, mas costuma ignorá-los – é muito difícil que um mastim tibetano ataque qualquer pessoa, mesmo para defender a casa e a família. Ele costuma agir intimidando os intrusos, avançando contra eles. Ninguém em sã consciência pode desafiar um cachorro deste porte.

05. Bearded collie

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Este cão britânico é uma das raças caninas mais antigas do mundo. Acredita-se que o bearded collie tenha sido desenvolvido na Europa Central, juntamente com o komondor húngaro, para atividades de pastoreio. Transportado para a Escócia, ele passou a cuidar do gado nas Ilhas Britânicas. A aparência semelhante ao rough collie é o motivo do seu nome: ele é um “collie barbudo”. Na verdade, ele é mais parecido com um old english sheepdog.

Fisicamente, o bearded collie é um cão magro, apesar de forte e bem proporcionado, características “disfarçadas” na pelagem densa. Dono de uma expressão curiosa, ele chama a atenção nos passeios, mas não costuma ser muito sociável com pessoas e pets que não conhece. Em casa, ele se dá bem com a família humana e os animais de estimação.

Este cachorro é veloz e cheio de energia, indicado para tutores “atléticos”. Geralmente se afeiçoa a uma única pessoa, mas é leal com toda a família. O bearded collie late pouco e costuma ser um pouco retraído, especialmente com estranhos. Ele pode ser teimoso e tomar decisões próprias. O adestramento é um pouco difícil, requerendo a presença de um tutor determinado e com características de liderança.

06. Beagle

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Outra raça inglesa, desenvolvida para a caça à raposa (atualmente proibida) a partir do século 16. O beagle é sociável e brincalhão, mas gosta de fazer as coisas do seu jeito. Bastante determinado –, ele passava horas à procura da presa – ele pode ser considerado um cachorro teimoso. O adestramento quase nunca passa dos comandos básico: este cachorro entende que, quando está de folga, não precisa obedecer a ninguém.

O ideal é criar um beagle em uma família grande – ele adora crianças – ou juntamente com outros animais de estimação. Ele pode ficar entediado quando passa muito tempo sozinho, e isto facilita o desenvolvimento de respostas e comportamentos destrutivos.

O beagle é um cachorro alegre e expansivo. Inicialmente, os cães da raça podem se mostrar retraídos – eles demoram um pouco para fazer amizades. São animais inteligentes, mas muito obstinados: eles querem fazer as coisas do jeito deles. O temperamento é tranquilo e a disposição, moderada (não são cães atléticos). São muito amáveis, dificilmente apresentando condutas agressivas ou tímidas. Eles não são bons cães de guarda.

07. Shar-pei

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O cão de língua azul cheio de dobras na pele faz sucesso entre os brasileiros. Desenvolvido na China, ele já foi empregado em luta, caça, guarda e pastoreio. Atualmente, é basicamente um cão de companhia, mas mantém as características de vigilância. Os cães da raça são silenciosos e altivos. Uma lenda chinesa diz que a boca pigmentada de preto afugenta maus espíritos. A imponência da postura indicaria que os shar-pei nunca foram desafiados.

A aparência do shar-pei pode enganar à primeira vista. Muitas pessoas imaginam que ele seja um cachorro triste, mas, de triste, ele não tem nada. É um animal ágil, calmo, independente e de poucos amigos, mas gosta de brincar com os tutores e interagir com eles.

Trata-se de um cão de porte médio, mas um shar-pei pode morar tranquilamente em um apartamento (desde que os passeios diários sejam garantidos), uma vez que não é um animal explorador. Também não é um cachorro que atrapalha os vizinhos com correrias e latidos ininterruptos. Na verdade, ele late muito pouco, preferindo grunhidos e uivos para se comunicar.

Se precisasse conviver com outros pets, um shar-pei escolheria os gatos, mais silenciosos e tranquilos. Ele precisa de treinamento moderado, não gosta muito de estranhos e prefere não ter crianças pequenas por perto (especialmente aquelas que gostam de inspecionar orelhas e narinas). O adestramento não é uma tarefa fácil, mas ele é um excelente cão de guarda.

08. Jack Russell terrier

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Este inglesinho com cara de poucos amigos teve a raça desenvolvida no século 19, por um pastor anglicano (John Russell) que queria cães imbatíveis na caça à raposa, atividade felizmente já proibida na Grã-Bretanha. Trata-se de um cão valente, intrépido, curioso, forte e compacto.

A aparência é rústica, é o Jack Russell pode ser descrito como mais habilidoso do que bonito. Beleza é uma questão subjetiva, mas a carinha invocada deste cachorrinho não incentiva os “amigos” a se aproximarem. Ele prefere assim: fica no canto dele em casa (ele sempre escolhe um), sem dar muita atenção ao movimento, às pessoas e a outros animais. Afinal, ele é um cão de caça e, dentro de casa, ninguém está caçando. Portanto, ninguém precisa dele.

Desenvolvido a partir de cruzamentos entre beagles e fox terriers, ele não herdou a alegria e vivacidade dos ancestrais, apenas a tendência para latir exageradamente. Muitos criadores descrevem estes cães como tendo “uma personalidade maior do que o seu tamanho”. Em casa, no entanto, ele é sociável com toda a família, mas não se dá bem com estranhos.

Estes cães exigem muita atenção e energia dos tutores. Talvez seja uma forma de compensar a independência. Eles nunca serão campeões de obediência, mas entendem rapidamente a “hierarquia do bando” e submetem-se tranquilamente até mesmo às crianças. Mas os visitantes precisam proteger as canelas e devem pensar duas vezes antes de retirar um livro da estante.

09. Husky siberiano

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Você está tranquilamente passeando com um husky siberiano, quando o cachorro desembesta pela rua arrastando-o pela corrente, atropela três pedestres, atravessa sem olhar o movimento dos carros e para junto a uma árvore, admirando uma borboleta pousada no tronco. Ele olha para você como se dissesse: “você já tinha visto uma borboleta bonita desse jeito?”.

Esta é uma situação que pode acontecer com cães da raça, o husky siberiano foi desenvolvido como cão de trabalho, com a função específica de puxar trenós pesados através das estepes geladas da Sibéria. Ele sabe trabalhar em equipe – afinal, os trenós são tracionados por vários cachorros. Obedece facilmente aos comandos de trabalho e é praticamente incansável.

Mas, nos momentos de descanso, ele se vê no direito de relaxar e aproveitar, brincando com tudo o que encontra. O problema, para os tutores menos ativos e atentos, é que, atualmente, praticamente todos os momentos de lazer e descanso: ele não precisa mais puxar trenós.

Fora da escala de trabalho, um husky siberiano é um animal totalmente autônomo. Ele gosta de explorar, fazer novas amizades, “conversar” com outros cães na pracinha. Nestes momentos descontraídos, ele não é nem um pouco obediente. Por isso, precisa de um “tutor alfa” que o coloque nos trilhos.

10. Schnauzer

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Esta não é uma raça, mas três, com variedade de acordo com o tipo de pelagem. Estes cães se apresentam como schnauzers gigantes, standard (padrão) e miniatura. “Schnauze”, em alemão (onde a raça surgiu), significa “focinho”. O nome foi dado por causa do formato do crânio, longo, forte e proeminente, como se fosse um narigão. Pelo menos, os alemães antigos pensavam assim.

Ao contrário de muitos dos seus primos, o schnauzer não foi desenvolvido para o trabalho pesado. A sua função, na Prússia do século 19, era correr ao lado das carruagens da nobreza (tarefa semelhante à exercida pelos dálmatas nos Bálcãs). Ele existe basicamente para ser elegante e notado pelos passantes.

A tosa clássica dos schnauzer, com a barba característica milimetricamente aparada e as pernas em saia, é uma das mais antigas do mundo ocidental. Com tantos mimos, estes cachorros ficaram um pouco “enjoados”. Gostam de paparicos, mas sem exagero. São animais extremamente independentes, apesar de acatarem facilmente os comandos dos tutores. Eles são amorosos com a família, mas desconfiados com estranhos e não fazem amizade com facilidade.

Amaury Almeida Costa
Amaury de Almeida Costa ([email protected]) é redator publicitário há mais de 30 anos. Escreve para diversos blogs desde 2008. Presente nas redes sociais desde a época do Orkut, foi editor da revista Animanews, sucesso editorial do final dos anos 1990, que trazia informações sobre pets – além de cães, gatos e aves, trazia informações sobre répteis, anfíbios, peixes e invertebrados de estimação.
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