Os cachorros mais preguiçosos

Mesmo os cachorros mais agitados têm os seus momentos preguiçosos. Confira as diferenças entre as raças.

Todos os cães adoram tirar uma soneca. Isto acontece quase sempre porque, ao contrário da maioria dos humanos, que reservam parte do dia (por volta de um terço) para o repouso, os cachorros fazem apenas pausas curtas para descansar, uma vez que, por instinto, eles são defensores – mesmo que objetivamente não haja nada para ser defendido.

Alguns cachorros, no entanto, são mais preguiçosos do que outros. Com respeito às exceções, que sempre justificam a regra, veterinários e biólogos chegam a relacionar as raças caninas perfeitas para as pessoas sedentárias ou apenas “mais lentas”. Humanos e cachorros preguiçosos podem fazer “a dupla perfeita”.

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A idade interfere

Antes de tudo, é necessário observar que a idade dos cães interfere no nível de atividade física:

os filhotes são muito curiosos, mas pouco ágeis e um pouco atrapalhados em seus movimentos, especialmente os de raças de maior porte. Em sua necessidade de explorar, eles podem se tornar um tanto quanto “destrutivos”, mas, na verdade, eles não fazem ideia de qual seria a utilidade de um jornal ou chinelo, além contribuir para limpar e afiar os dentes;

cachorros adolescentes são mais independentes e já demonstram claramente o temperamento esboçado quando ainda estavam sendo amamentados. Os pequenos atingem a puberdade por volta dos seis meses de idade e os maiores, por volta dos oito meses (mas, cuidado: isto não é uma regra absoluta). É preciso cuidado, no entanto: mesmo que já estejam com um porte avantajado, estes cães ainda estão na infância, com pouca experiência.

Muitos animais, nesta idade, já podem cruzar, apesar de quase sempre uma gravidez precoce ser prejudicial para a saúde das fêmeas, e, se o objetivo não for a obtenção de crias, recomenda-se a castração, para evitar o nascimento de cãezinhos indesejados e também os comportamentos agressivos – e não apenas com outros cães;

nos cães adultos, a atividade física se torna bem estabelecida: enquanto huskies siberianos precisam de muito exercício, os buldogues (ingleses e franceses) podem passar o dia todo dormindo em um sofá. Aqui, fica uma dica importante para a escolha da raça do animal a ser adotado: se o dono não tem interesse em passeios diários longos, com direito a algumas corridas e saltos de obstáculos, é melhor optar por cães mais preguiçosos.

Existe uma diferença fundamental entre as duas raças: os huskies foram desenvolvidos como cães de trabalho, que obedecem à risca as ordens dos condutores dos trenós. Fora do “expediente”, no entanto, eles consideram estar de folga, com direito a muitas brincadeiras.

Matilha de huskies siberianos trabalhando em campo nevado.

Matilha de huskies siberianos trabalhando em campo nevado.

Já os buldogues foram criados como cães de briga (“bulldog”, traduzindo do inglês, significa “cão de touro”: estes pequenos animais lutavam com grandes bovinos, em rinhas improvisadas na Inglaterra). Deslocados da sua atividade principal, eles se descaracterizaram – apesar de alguns espécimes poderem se mostrar um pouco agressivos.

Um buldogue inglês, com sua cara amassada e seu olhar bonachão.

Um buldogue inglês, com sua cara amassada e seu olhar bonachão.

O que determina principalmente a preguiça dos buldogues é que eles são cães braquicefálicos – possuem o maxilar recuado, exibindo mandíbula proeminente. Esta característica pode gerar algumas doenças das vias respiratórias superiores.

O principal problema é a dificuldade de respiração, que os deixa cansados depois de muita agitação. Cães destas raças tendem à hipertermia e podem apresentar narinas excessivamente estreitas, o que determina a “falta de pique”. Deve-se lembrar, porém, que pouco exercício não é sinônimo de exercício nenhum. Outros exemplos de cães braquicefálicos: pug, shih itzu, boxer e boston terrier.

O ranking dos cães mais preguiçosos

Não são apenas os cães de pequeno porte que podem ser relacionados entre os sossegados. Alguns cães médios e grandes também preferem pouca atividade física e muita tranquilidade no dia a dia.

O basset hound

A raça foi desenvolvida na França, para a caça em terrenos irregulares e alagados. Um texto do século XVI define as características muito semelhantes às dos basset hounds. Baixinhos (“bas” significa baixo, em francês), eles podem se enfiar em qualquer lugar.

Originalmente, porém, o basset hound não era um cão perseguidor, mas um bom farejador, especialista em seguir pistas e rastros. Hoje em dia, ele mantém o gosto por brincadeiras, é bastante sociável com adultos, crianças e outros pets, mas a teimosia é característica: ele pode acabar se perdendo, se decidir seguir uma trilha em busca de “caça”.

A partir do século XX, o basset hound foi cruzado com o bloodhound, para ganhar estatura.

A partir do século XX, o basset hound foi cruzado com o bloodhound, para ganhar estatura.

Os cães da raça são lentos, com passadas curtas. Latem bastante, mas correm muito pouco. Mesmo assim, o exercício diário é obrigatório, uma vez que os basset hounds apresentam tendência à obesidade, com todos os problemas de saúde que a condição acarreta.

O terra nova

Esta raça está classificada entre os cães molossoides, os maiores existentes. Diz uma lenda do século XVII que um terra nova salvou sozinho a tripulação (mais de 60 pessoas) de um navio naufragado na costa do Canadá (a “nova terra descoberta” ou “newfoundland”, de acordo com os relatos dos aventureiros europeus).

Os cães da raça são realmente ágeis quando estão na água. Fora dela, porém, eles economizam energia. São animais caseiros, que preferem dormir durante horas, de preferência junto aos donos. Eles são bons acompanhantes, especialmente para crianças e idosos.

Um terra nova preto. A raça provavelmente descende de retrievers do labrador.

Um terra nova preto. A raça provavelmente descende de retrievers do labrador.

Um terra nova é carinhoso, sensível, companheiro e dócil. Não é uma raça indicada para guarda, mas existem relatos dando conta de que, mesmo preguiçosos, diversos espécimes salvaram seus donos de riscos elevados, como afogamento e até mesmo incêndios.

Estes cães adoram passeios longos, sempre com passadas lentas, especialmente em parques e bosques. Eles não se incomodam com o tempo chuvoso ou frio. Por isto, o dono, antes de se decidir por um terra nova, precisa considerar o “preço” desta atividade diária.

O bloodhound

Também chamado de cão de santo Humberto, é mais uma raça molossoide que foi criada para a caça. Ao lado de um terrier escocês (Jolly ou Joca), um destes indivíduos é o fiel amigo da cadela Lili (ou Lady), em “A Dama e o Vagabundo”, a quem está sempre protegendo. O nome da personagem? Não poderia ser outro: Fiel.

De acordo com a tradição, os bloodhounds foram criados na Bélgica, por um monge chamado Hubert, ainda no século VII. Durante séculos, animais da raça conviveram no Mosteiro de Saint Hubert (ou Santo Humberto). No século XI, foram levados para a Inglaterra. Os cães atuais descendem de cruzamentos com mastiffs.

Bloodhound, um cão imenso, mas silencioso e tranquilo.

Bloodhound, um cão imenso, mas silencioso e tranquilo.

Um bloodhound, por definição, é calmo, paciente, determinado, sociável e nunca desiste de uma tarefa. Bom farejador, ele pode seguir pistas por horas seguidas, desde que o ritmo seja lento – uma perseguição policial está completamente fora das suas atribuições. De folga, no entanto, estes cães querem apenas sossego, apesar de nunca recusarem uma brincadeira com os donos.

O mastiff inglês

Os primeiros exemplares da raça foram utilizados como boiadeiros e pastores. De acordo com alguns registros, eles trabalham para os britânicos ao menos desde a época da ocupação romana, iniciada no século I (o termo mastiff é originário do latim “mansuetus”, que significa “domesticado”). Companheiros fiéis, eles marcharam com os humanos na guerra e na caça, e também serviram como cães de guarda e de companhia.

Impressionante em função do porte, o mastiff inglês também surpreende pela docilidade

Impressionante em função do porte, o mastiff inglês também surpreende pela docilidade

Apesar da força imensa, o mastiff inglês é amoroso e um bom companheiro para toda a família, dos bebês aos idosos. Seja como for, ele sabe utilizar a sua ferocidade em situações de risco – e, por isto, precisa ser adestrado desde filhote, para aprender os momentos necessários para expulsar um intruso que não seja o carteiro, por exemplo.

Apesar do temperamento bonachão, o dono de um mastiff inglês precisa exercitá-lo diariamente. A carga deve ser elevada, mas de baixa intensidade. Depois dos primeiros meses de vida, cheios de explorações e aventuras, os cães da raça preferem passar a vida adulta ao pé dos donos. Cochilar é o passatempo preferido dos mastiffs ingleses.

O dogue alemão

O porte destes cães, à primeira vista, assusta, mas o dogue alemão é sociável inclusive com os visitantes. Mesmo com esta característica, a raça é muito boa para a guarda: nenhum estranho ousará invadir uma residência ao avistar um destes “bichinhos”, cuja altura na cernelha pode atingir até 80 cm (nos indivíduos machos).

Dogues alemães adoram passear, mas o ritmo da marcha não pode ser acelerado.

Dogues alemães adoram passear, mas o ritmo da marcha não pode ser acelerado.

Provável cruzamento de wolfhounds irlandeses e mastiffs ingleses, os dogues alemães foram utilizados inicialmente para caça e posteriormente para companhia e guarda. Eles desembarcaram na América no final do século XIX e conquistaram muitos criadores, apesar das dificuldades de criação de cães de grande porte.

Um dogue alemão responde satisfatoriamente ao adestramento. Ele precisa de exercícios diários, mas, apesar de ser um cão gigante e muito forte, não se presta a viver constantemente ao ar livre (em um quintal, por exemplo). O ideal é alternar períodos dentro e fora de casa e, nos dois ambientes, é necessário oferecer uma cama para o pet, que precisa ser grande, porque estes espécimes esticam o corpo quando estão dormindo.



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