Polícia resgata mais de 100 cães em canil clandestino

Aconteceu no interior paulista. Mais de 100 cães foram resgatados em ação policial.

Um total de 133 cães da raça lulu da Pomerânia foram encontrados e resgatados durante ação policial em Limeira, distante 143 km de São Paulo. A operação contou com membros da Guarda Civil Municipal (GCM) e da Polícia Civil (através da Delegacia de Investigações Gerais – DIG).

Os animais foram encontrados em um canil clandestino instalado em um condomínio residencial na cidade, no dia 13.04.22. De acordo com a assessoria da GCM, os cãezinhos estavam em situação de maus tratos.

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Foto: Wagner Morente

O resgate

Os oficiais encontraram os 133 lulus da Pomerânia (raça também conhecida como spitz alemão anão) em péssimas condições. O canil clandestino não oferecia água fresca e comida em quantidade suficiente. Os animais estavam aglomerados no meio dos excrementos – um sinal de que o local não oferecia condições de higiene.

Um casal – os proprietários do local – foram presos em flagrante, enquadrados na Lei de Crimes Ambientais, que prevê pena de reclusão de dois a cinco anos para quem maltratar animais domésticos ou silvestres.

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Foto: Wagner Morente

Os policiais encontraram o canil depois que diversos moradores do condomínio apresentaram denúncias junto à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agricultura. De acordo com a reclamação inicial, o casal detido usava uma residência para a criação clandestina.

As condições em que os cães viviam já eram, por elas mesmas, totalmente incompatíveis. O caso foi descoberto, no entanto, porque os vizinhos reclamaram do mau cheiro do canil improvisado, que também atraía insetos, como baratas e moscas.

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Foto: Wagner Morente

Os cãezinhos eram amontoados em cercados minúsculos – mesmo para as pequenas dimensões do lulu da Pomerânia. Em gaiolas de dois metros quadrados, ficavam em média 12 cachorros, conforme constatou a equipe que conduziu as buscas.

O flagrante foi feito em uma ação que reuniu uma equipe do Pelotão Ambiental, o canil da GCM e agentes da Polícia Civil. Os cachorros eram mantidos, na maior parte, na parte externa da casa, mas foram encontrados recém-nascidos no interior do imóvel, presos em gaiolinhas de transporte.

Mais infrações

O forte odor de urina e fezes já denunciava a criação clandestina, mas as irregularidades não pararam aí. Na geladeira da cozinha, juntamente com os alimentos humanos, os policiais também encontraram vacinas e remédios veterinários – cerca de metade deles com a data de validade expirada.

Alguns dos medicamentos apreendidos no local são de uso controlado, cuja posse, guarda e aplicação é reservada para profissionais da Medicina Veterinária. A manutenção dessas drogas já é considerada crime.

Mas, caso o inquérito policial comprove que o casal, que não tem formação específica, vendia os remédios para terceiros ou fazia uso das drogas nos animais do canil, os dois serão enquadrados infração ao decreto-lei nº 467/1969, que dispõe sobre a fiscalização de produtos de uso veterinário.

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Foto: Wagner Morente

O Setor de Zoonoses de Limeira também enviou técnicos ao canil clandestino, em busca de focos de dengue e outras doenças transmissíveis por mosquitos. Eles colheram amostras da água, que ficava exposta sem nenhum tipo de proteção.

O Setor de Bem-Estar Animal do município e a Associação Limeirense de Proteção a Animais (ALPA) acompanharam as diligências policiais, para preservar a integridade dos cãezinhos, que foram recolhidos a um abrigo na cidade.

O casal foi preso em flagrante. De acordo com a nova redação da Lei de Crimes Ambientais (lei nº 14.064/20, que alterou a lei nº 9.605/1998, tornando as penalidades mais severas), os suspeitos não podem ser liberados pelo delegado mediante fiança: eles deverão comparecer a um Tribunal de Custódia, que poderá, de acordo com a avaliação, liberá-los para responder ao processo em liberdade ou decretar a prisão preventiva.

A Justiça também deverá definir o destino dos cãezinhos apreendidos. Os 133 lulus da Pomerânia foram encaminhados a diversas entidades de Limeira, onde estão sendo higienizados, triados e avaliados clinicamente. Se tudo correr bem, os peludos serão disponibilizados para adoção.

O lulu da Pomerânia

Um spitz alemão anão filhote chega a custar até R$ 3.000 nos canis oficiais. É importante que quem deseja adquirir um cão de raça procure canis oficiais, registrados na Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC). O ideal, no entanto, é a adoção, já que milhares de cães esperam uma nova oportunidade nas ruas ou em abrigos.

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Foto: Wagner Morente

O lulu da Pomerânia, apesar do pequeno porte e da aparência frágil, está classificado no grupo 5 da Federação Cinológica Internacional (FCI), que engloba os “cães do tipo primitivo”. Estas raças são as que mais se assemelham aos lobos, ancestrais dos cachorros.

Os lulus foram desenvolvidos no século 18, na Pomerânia, antigo território que se espalhava por regiões da Polônia e Alemanha atuais. O objetivo era obter cães pequenos o bastante para caçar roedores e outras “pragas” dos jardins e hortas.

No século 19, a rainha Vitória, da Grã-Bretanha, adotou um cãozinho da raça – especialmente pequeno (os lulus da Pomerânia atingem de 18 cm a 24 cm de altura na cernelha). O pet era visto em diversos eventos oficiais da corte britânica.

Foi o suficiente para ele se tornar muito popular. O lulu da Pomerânia geralmente é um cachorro robusto e saudável, extremamente alerta, dotado de uma audição impressionante (mesmo para os padrões caninos).

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